Se não houve confirmação, o sabido é que os navios atacados não têm relação com Israel pois o Pentágono já informou que um navio da Marinha dos EUA e várias embarcações comerciais foram alvo de ataques.

“Estamos cientes dos relatos sobre ataques ao USS Carney e a navios comerciais no Mar Vermelho e forneceremos informações assim que estiverem disponíveis", disse o Pentágono.

Um comunicado publicado nas redes sociais, afirma que os houthis disseram ter realizado uma “operação contra dois navios israelitas no Estreito de Bab al-Mandab”, uma via que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Aden.

Este grupo fascio islâmico aliado do Irão no Iémen tem lançado ataques a navios desde o início da guerra fraticida entre Israel e o Hamas.  Aliás um navio de carga ligado a Israel foi apreendido no mês passado pelos Houthis, sabendo-se que o grupo, que controla a maior parte da costa do Mar Vermelho do Iêmen, já havia disparado mísseis balísticos e drones contra Israel e prometeu atingir mais navios israelitas

Os Hutis. al-hutis, em referência ao nome dos seus dirigentes, Hussein Badreddin al-Houthi e os seus irmãos, é a denominação mais comum do movimento político-religioso Ansar Allah, isto é, partidários de Deus grupo maioritariamente xiita zaidita do noroeste do Iemen

Hussein Badreddin al-Houthi, o inicial líder do grupo, foi morto em setembro de 2004 por forças do exército iemenita tal como aconteceu a outros integrantes da liderança houthi, como Ali al-Qatwani, Abu Haider, Abbas Aidah e Yousuf al-Madani (um genro de Hussein al-Houthi) também foram mortos pelas forças governamentais iemenitas.

Os hutis formaram-se como grupo político nos anos 1990, depois da unificação do Iêmen (antes dividido em Iémen do Norte e Iémen do Sul).

Antes da unificação, o Iémen do Norte, de população maioritariamente zaidita, era uma república nacionalista árabe instalada nos anos 1960, após um golpe militar e uma longa guerra civil que pôs fim ao teocrático Reino do Iêmen, expulsando os imãs zaiditas, que haviam governado o território desde o final do século IX.

Em 1990 com a unificação do país, o presidente do antigo Iémen do Norte, Ali Abdullah Saleh, é eleito presidente da nova República do Iêmen.

Saleh manteve-se no cargo até 2012, quando foi destituído, na sequência das famosas revoltas populares da chamada Primavera árabe com apoio dos hutis, já violentamente combatidos pelo seu governo.

Saleh acabou por se aliar aos hutis, perante a nova guerra civil dada a captura da capital iemenita, Sana’a, pelos revoltosos , o que obrigou o presidente Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi a sair do país.

Em 2009 estimava-se que o número se cifrasse entre os 2.000 e os 10.000 guerreiros mas terão um total de 100.000-120.000 seguidores, incluindo combatentes armados e partidários desarmados.

No mapa do Iémen a área verde corresponde ao território de atuação dos houthis em dezembro de 2016 sendo que de 26 de março a 13 de abril de 2015, os ataques contra os hutis produziram 3.897 feridos e resultaram na morte de aproximadamente 2.600 civis, incluindo um grande número de crianças e mulheres com a Arábia Saudita e os seus oito aliados árabes a dizerem que os ataques são necessários para defenderem a legitimidade do presidente iemenita, Abdrabbuh Mansur Hadi, além de suprimir a ameaça que os hutis alegadamente, representam para a Arábia Saudita, e para evitar que o Irão alargue a sua influência na região.

Trata-se por ora, como se vê, de um conjunto de pequenos movimentos feito por um já cercado grupo ( pelos islâmicos da Arábia Saudita!) o que limita o alargamento da guerra à região e ao Irão … mas como se viu com os conflitos no Donbass e na Crimeia…

Joffre Justino

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