"É uma forma de condicionar e intimidar a tomada de decisão livre de cada trabalhador", acusa o sindicalista.
O Sindicato de Hotelaria do Sul denunciou o recurso que o Grupo Vila Galé "está a fazer a trabalhadores temporários de empresas de outsourcingpara que vão trabalhar no dia de greve geral".
Desta forma, o sindicato denuncia a "violação de um dos princípios da impossibilidade de contratar trabalhadores para fazer o lugar e as funções de quem pode estar em greve".
Na verdade o artigo 535.º do Código do Trabalho proíbe a substituição de "grevistas por pessoas que, à data do aviso prévio, não trabalhavam no respetivo estabelecimento ou serviço" e a admissão de "trabalhadores para aquele fim". Tambem que "a tarefa a cargo de trabalhador em greve não pode, durante esta, ser realizada por empresa contratada para esse fim, salvo em caso de incumprimento dos serviços mínimos necessários".
Ests situação foi denunciada na passada segunda-feira à Autoridade para as Condições de Trabalho e foram pedidos esclarecimentos à administração do Grupo Vila Galé.
A administração do Grupo Vila Galé recusa as acusações do Sindicato de Hotelaria e garante que "sempre respeitou a legislação e valoriza a existência de direitos fundamentais constitucionalmente consagrados, como o direito à greve".
"Estamos a falar de uma situação tão simples que demonstra alguma preocupação pelos colaboradores, porque há pessoas que têm horários até mais tarde e poderiam ser complicados os regressos a casa ou as entradas cedo em determinados horários", afirma Gonçalo Rebelo de Almeida fazendo-nos de tolos!
Perante as acusações do sindicato, o administrador considera que "houve apenas um mal-entendido".
Quanto às acusações de a empresa contratar uma empresa de outsourcing para substituir os trabalhadores em greve, o administrador do Grupo Vila Galé também as nega. Afirma que 85% dos trabalhadores pertencem aos quadros, mas que, na altura de picos de maior procura dos hotéis, como no verão, feriados ou pontes, é sempre necessário contratar uma empresa exterior.
"A nossa percentagem de utilização de trabalho temporário até é francamente baixa face à média do setor. (...) É uma prática normal, que tem tendência a acontecer mais nos períodos entre abril e outubro, que é quando há mais picos de ocupação", adianta.
Na CP seis dos oito comboios previstos entre as 6h30 e as 7h00 na estação de Campanhã desta quarta-feira, 03.06, foram suprimidos devido à greve geral convocada pela CGTP, de acordo com a CP.
Não eram muitos os passageiros a esperar o transporte público na estação mas, mas ainda assim, perante a maré de supressões, as pessoas já iam abrindo as aplicações de TVDE para tentar encontrar uma alternativa de mobilidade.
Tamben os metros eram escassos, dados os condicionamentos devido à greve.
Ja no terminal de autocarros contíguo à estação ferroviária, onde, até por volta das 7h10, não tinha sido registado qualquer atraso ou supressão de viagens.
Nas escolas, também há constrangimentos mas na escola básica de Matosinhos a realização das provas moda está garantida, esta quarta-feira, apesar da greve geral ja as aulas do primeiro ciclo, não se vão realizar.
No segundo e no terceiro ciclo, a 10 minutos do começo das aulas, ainda era uma incógnita a realização das atividades letivas.
Em Lisboa nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira, a estação de Santa Apolónia parecia um deserto.
À entrada, e ao contrário do habitual, não há um único táxi disponível e com a estação de metro fechada desde terça-feira à noite e a grande maioria dos comboios suprimidos, poucos eram os que por ali circulavam.
A exceção eram alguns funcionários de uma empresa privada de limpeza,
Pouco depois das 07h00, chega à estação um regional, vindo de Tomar. São muito menos que o habitual os passageiros que saem do comboio. Entre eles, Alexandra Quental, que vem da Póvoa de Santa Iria.
"Foi uma viagem tranquila, vem pouca gente", explicava, à Renascença, acrescentando que já sabe como vai fazer para regressar a casa, depois de um dia de trabalho.
Os primeiros dados de adesão à Greve Geral nas unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde (SNS) apontam para uma participação muito forte dos trabalhadores, expressando a recusa do pacote laboral.
A adesão no turno da noite cifrou-se entre os 95 e os 100 por cento, prevendo-se a confirmação destes resultados ao longo do dia.
O impacto da paralisação reflete-se em vários hospitais do país com registos de adesão total.
Na Unidade Local de Saúde (ULS) Lisboa Ocidental, o Hospital São Francisco Xavier registou 100 por cento de adesão, o mesmo cenário verificado no Hospital São José, da ULS Lisboa Oriental.
Ainda na região de Lisboa, o Hospital Santa Maria, pertencente à ULS Lisboa Ocidental, registou uma adesão de 90 por cento, enquanto o Hospital de Vila Franca de Xira, na ULS Estuário do Tejo, atingiu os 71 por cento.
Na região centro, a Maternidade Bissaya Barreto e o Polo Hospitais da Universidade, ambos integrados na ULS Coimbra, contabilizaram 100 por cento de paralisação.
Esta adesão total verificou-se igualmente no Hospital da ULS Viseu Dão Lafões e no Hospital de São João, no Porto.
No Porto, o Instituto Português de Oncologia registou 90 por cento de participação na greve, ao passo que o Hospital de Santarém, na ULS Lezíria, fixou a adesão nos 74 por cento.