Aí o comércio de escravos foi um pilar central da economia colonial portuguesa durante séculos, transformando a costa da Guiné num dos principais pontos de extração de mão de obra para as Américas.
A presença portuguesa intensificou-se no século XV com a chegada de navegadores como Nuno Tristão.
A partir de 1450, o comércio de seres humanos tornou-se sistemático.
Os chamados "Rios da Guiné" (entre os rios Casamansa e Geba) eram as principais vias de escoamento.
Cacheu: Foi a primeira feitoria importante e serviu como o grande centro de exportação de escravos nos séculos XVI e XVII.Bissau: Ganhou relevância no final do século XVII, tornando-se o principal porto da região.
Papel de Cabo Verde: As ilhas de Cabo Verde foram o entreposto comercial crucial, onde muitos escravizados eram reunidos antes da travessia transatlântica.
A maioria dos escravizados era enviada para as Américas, com destaque para o Brasil (dobretudo o Maranhão e o Grão-Pará através de companhias monopolistas no século XVIII).
Eram utilizados meios brutais como ferros de marcação, chicotes, algemas e lanças para o controle e identificação dos escravos, cujos vestígios podem ser vistos no Memorial da Escravatura e do Tráfico Negreiro em Cacheu.
O tráfico causou um desequilíbrio demográfico profundo e a desestruturação de comunidades organizadas em "tabancas".
O tráfico foi legalmente proibido por Portugal em 1836, embora tenha continuado de forma clandestina por várias décadas.
A escravatura em território português só foi oficialmente extinta por decreto em 1869, com um processo de libertação gradual que se estendeu até 1878.
O professor José Lingna Nafafé assume a componente europeia do comercio de escravos e nao ao â componente portuguesa,
“A escravatura atlântica foi um projeto europeu. Não importava que o centro ficasse em Lisboa. No séc. XV o centro estava cá, mas depois da junção de duas coroas, o centro mudou para Madrid. Portanto, a discussão deve ser algo debatido amplamente na Europa. Todos os países participavam na escravatura atlântica - não há exceção. Porque aquilo foi algo que era do interesse do continente.
Se fosse então a União Europeia (UE) a exercer essa pressão, talvez o impacto sobre os governos de cada país pudesse ser um caminho?
Julgo que sim. Deve haver uma vontade política nesse sentido. No caso dos países africanos é a União Africana (UA) que está a fazer certas declarações. O Gana faz parte dessa UA. Para que haja um debate na Europa, claramente a UE deve fazer isso como parte de um debate político, como faz ao mesmo tempo a ONU. A votação nas Nações Unidas já abriu a porta, já é uma chamada de atenção ao mundo de que algo aconteceu. A UE deve acatar isso e deve haver esse debate - com e dentro dos países europeus.”
( noticias ao minuto professor José Lingna Nafafé )
No entanto nao é possível negligenciar o comércio de escravos realizado pelos árabes (ou o chamado tráfico transaariano ou tráfico do Oceano Índico) um dos sistemas de exploração humana mais longos da história, estendendo-se por mais de um milênio.
Diferente do tráfico transatlântico europeu, que focava na mão de obra agrícola em larga escala, o sistema árabe tinha características geográficas e sociais distintas:
Iniciou-se por volta do século VII, com a expansão do Islão, e continuou legalmente em algumas regiões até o século XX.
Calcula-se que cerca de 17 milhões de africanos tenham sido traficados através do deserto do Saara e do Oceano Índico entre os anos 650 e 1900.
Principais Rotas
Papel Social: Ao contrário das Américas, onde o foco era o trabalho no campo, no mundo árabe os escravos eram frequentemente utilizados em serviços domésticos, exércitos (mamelucos) ou como concubinas em haréns.
Havia uma procura significativamente maior por mulheres e crianças em comparação com o tráfico atlântico.
A lei islâmica proibia a escravização de muçulmanos, o que levava à captura de "infiéis" (não muçulmanos) em regiões subsaharianas. A conversão ao Islão podia, em certos contextos, facilitar a alforria.
O contacto prolongado com populações escravizadas contribuiu para a construção de preconceitos raciais e uma hierarquização baseada na cor da pele no imaginário árabe-muçulmano.
Este comércio é muitas vezes descrito como um "capítulo esquecido" ou "genocídio oculto", devido à menor documentação estatística em comparação com o tráfico europeu e a uma integração social diferente dos descendentes.
Vejamos agora o comercio de escravos perpetrado pelos europeus, conhecido principalmente pelo tráfico transatlântico.
O mesmo foi um sistema económico e social massivo que transportou mais de 12 milhões de africanos sobretudo para as Américas entre os séculos XVI e XIX.
O comércio era o chamado Comércio Triangular, pois desenrolava-se num circuito que ligava três continentes:
Europa para África: Navios europeus levavam produtos manufaturados (tecidos, armas de fogo, álcool e ferramentas) para trocar por prisioneiros em feitorias na costa africana.
África para as Américas (Passagem do Meio): Os escravizados eram transportados em condições desumanas em navios negreiros para serem vendidos nas colónias.
Américas para a Europa: Os navios regressavam à Europa carregados de produtos coloniais como açúcar, tabaco, algodão e ouro, produzidos por mão de obra escrava.
Principais Nações Envolvidas
Mão de obra a necessidade crescente de trabalhadores para as grandes plantações de cana-de-açúcar e minas nas Américas impulsionou a procura.
O comércio foi muitas vezes justificado por motivações religiosas e económicas, com inacreditáveis bulas papais como a Romanus Pontifex (1455) a legitimarem a prática na época.
Os escravizados eram geralmente prisioneiros de guerras entre reinos africanos ou vítimas de emboscadas, sendo posteriormente vendidos aos europeus.
O processo de abolição foi gradual e desigual:
Mas nao podemos ignorar a escravidão entre povos africanos que existia muito antes da chegada dos europeus, e que tinha um caráter sobretudo de servidão ou resgate, onde prisioneiros de guerra e endividados eram absorvidos pelas comunidades.
Contudo, com a expansão do comércio transatlântico e a demanda europeia, este sistema foi transformado em um negócio de larga escala.
A Dinâmica do Comércio Intra-Africano
A principal fonte de escravizados na África era a captura de prisioneiros durante guerras entre reinos rivais, além de punições judiciais e o pagamento de dívidas.
Chefes, mercadores e reinos africanos (como os reinos do Daomé, Oyo e Congo) capturavam e vendiam prisioneiros para traficantes europeus (portugueses, britânicos e franceses).
Em troca das pessoas escravizadas, as elites africanas recebiam mercadorias valorizadas no continente, principalmente armas de fogo, pólvora, tecidos e cavalos.
Este armamento era crucial para que esses reinos vencessem novas guerras, gerando mais prisioneiros e alimentando um ciclo vicioso.
Antes da expansão marítima, parte desses escravizados já era comercializada por rotas transsaarianas para o norte da África e o Oriente Médio.
Com a chegada dos europeus no século XV, o foco geográfico mudou para a costa atlântica.
A demanda insaciável das Américas por mão de obra para as plantaçoes (como as de açúcar e café) transformou uma prática local em um comércio global de proporções desumanas.
Apesar de ambas as práticas envolverem a perda de liberdade, os historiadores destacam que a escravidão tradicional na África era muito diferente da escravidão mercantil implantada nas Américas:
No sistema africano, os cativos frequentemente podiam ser integrados à família ou clã do captor ao longo do tempo.
Em muitas sociedades africanas, a condição de escravizado não era hereditária e os indivíduos podiam ser libertados ou ascender socialmente.
No comércio atlântico, os africanos foram reduzidos a mercadorias de lucro ("peças"), sujeitos a trabalhos forçados brutais e sem qualquer perspectiva de reintegração na sociedade.
Olhemos tambem para a escravidão de indígenas por outros indígenas na América.
A mesma existia muito antes da chegada dos europeus, embora operasse sob lógicas sociais, rituais e políticas diferentes do sistema mercantil transatlântico. Com a colonização, essas práticas foram frequentemente integradas ao comércio colonial por meio de alianças e expedições de "resgate".
Antes e durante o contato europeu, a escravidão entre povos nativos apresentava as seguintes características:
A principal fonte de escravizados eram os conflitos entre tribos. Os derrotados eram levados para a tribo vencedora, onde podiam ser utilizados como mão de obra doméstica ou agrícola.
Em algumas culturas, como entre grupos Tupi, a captura de inimigos estava ligada a rituais de vingança e antropofagia, onde o cativo era mantido por um tempo antes do sacrifício ritual para que o grupo absorvesse suas qualidades.
Diferente da escravidão europeia, o cativo indígena muitas vezes vivia dentro da comunidade, participando da vida cotidiana, embora mantivesse o status de subordinado ou prisioneiro.
A chegada dos europeus transformou essas práticas tradicionais em um mercado sistemático:
No Brasil colonial e na Amazônia, colonos e missionários utilizavam o termo "resgate" para comprar indígenas que já eram escravizados por outras tribos (os chamados "índios de corda").
A justificativa legal era que, ao comprá-los, estariam salvando-os de serem mortos em rituais antropofágicos.
Alguns grupos indígenas tornaram-se aliados dos colonizadores, participando ativamente na captura e venda de membros de tribos rivais em troca de ferramentas de ferro, armas e outros bens europeus.
Em certas regiões, como na Amazônia do século XVIII, alguns líderes indígenas integrados à estrutura colonial possuíam seus próprios escravos nativos, agindo como intermediários no tráfico para as fazendas coloniais.
Em São Paulo, expedições conhecidas como bandeiras organizavam ataques a aldeamentos (inclusive missões jesuíticas) para capturar indígenas em larga escala e vendê-los para o Nordeste e outras regiões.
O comércio de escravos indígenas começou a declinar a partir do século XVII devido a:
O tráfico atlântico de africanos tornou-se mais lucrativo para a Coroa Portuguesa devido aos impostos gerados.
Altas taxas de mortalidade por doenças europeias dizimaram populações escravizadas, tornando o investimento em mão de obra indígena menos seguro para os fazendeiros.
Pressões da Igreja (especialmente jesuítas) e da Coroa levaram a leis que proibiam a escravização indígena (como o decreto de Marquês de Pombal no século XVIII), embora a prática tenha persistido de forma ilegal ou disfarçada por muito tempo
Há pois uma Historia Global por detras da Historia da Escravatura Europeia que nao pode ser esquecida nem deve servir de argumento para que entendamos os terriveis caminhos que a Humanidade se auto impôs
E em modo de relembrança vejamos a Historia de um “povo expulso” o judeu
Reino de Israel: Desenvolveu-se com o Rei Davi ou o Rei Salomão, com Jerusalém tornando-se o coração espiritual e a capital do reino.
O Templo de Jerusalém foi construído nesta época.
O reino a seguir dividiu-se (Israel e Judá) e sofreu invasões sucessivas por impérios da Antiguidade, como os assírios, babilônios (que destruíram o Primeiro Templo) e, mais tarde, persas, gregos e romanos.
Após as revoltas judaicas contra o Império Romano, o Segundo Templo foi destruído em 70 d.C. e niciou-se a grande diáspora dos judeus pelo mundo.
Idade Média: Diáspora e Sefarad
Devido à dispersão, o povo dividiu-se principalmente em duas grandes ramificações étnico-culturais: os Asquenazes (na Europa Central e Oriental) e os Sefarditas (que se estabeleceram na Península Ibérica).
A Era de Ouro em Al-Andalus: Durante a ocupação muçulmana na Península Ibérica, a comunidade sefardita prosperou cultural e economicamente, convivendo frequentemente com as culturas cristã e islâmica.
Inquisição e Expulsões: Com a Reconquista cristã, a tolerância diminuiu.
A partir de 1492 (Espanha) e 1496 (Portugal), os judeus foram forçados à conversão ou ao exílio, levando ao estabelecimento de comunidades de judeus e "cristãos-novos" por toda a Europa e pelo mundo.
Idade Moderna e Contemporânea: Iluminismo e Holocausto
Nos séculos XVIII e XIX, os ideais do Iluminismo na Europa permitiram a saída dos judeus dos guetos e a integração na sociedade ocidental, destacando-se nas artes, ciências e comércio.
O Holocausto: No século XX, o nazismo ascendeu na Europa, culminando no Holocausto, onde o regime alemão assassinou cerca de 6 milhões de judeus — aproximadamente dois terços da população judaica europeia na época.
O Século XX e a Atualidade
Sionismo: Como resposta aos crescentes níveis de antissemitismo na Europa, o movimento sionista ganhou força no final do século XIX, defendendo o retorno do povo judeu à sua pátria ancestral.
Criação de Israel: Em 1948, o moderno Estado de Israel foi fundado.
Demografia Atual: A população judaica global encontra-se hoje concentrada maioritariamente em Israel e nos Estados Unidos
Fascismo Judaico com Netanyahu e Trump lamentávelmente o Estado judaico transformou-se num Estado proto fascista