Ao mesmo tempo um aliado do ministro  da saúde insistiu  nos apelos para que o primeiro-ministro renunciasse, afirmando que sua autoridade havia "se dissipado irremediavelmente".

Streeting chegou ao número 10 de Downing Street na manhã de hoje, 13.05,  entre inumeras especulações sobre a crise de liderança do Partido Trabalhista e o seu futuro

Ele saiu cerca de  16 minutos depois, sem fazer comentários à imprensa e mostrando que a reunião nao correu bem!

Os aliados do ministro  de saúde tentaram apresentar a reunião de hoje como um momento para Streeting falar abertamente sobre suas preocupações.

No entanto  fontes internas do governo sugeriram que Streeting estava a minimizar as especulações de que estaria prestes a declarar sua candidatura à liderança.

A reunião ocorreu pouco depois de o Dr. Zubir Ahmed, que se demitiu do cargo de ministro adjunto da Saúde ontem  terça-feira, culpar Starmer pelos resultados desastrosos do Partido Trabalhista nas eleições locais e instar o primeiro-ministro a estabelecer um cronograma para sua saída, em uma "transição ordenada e eficiente".

O ansia  do ministro da Saúde, Wes Streeting, para se tornar líder do Partido Trabalhista transborda de cada um dos seus poros. 

So que não tem um histórico de ativismo de esquerda e sempre foi um bajulador dos ricos e poderosos, dos privatizadores, dos fabricantes de armas e dos belicistas.

Em fevereiro, Streeting sentiu-se na obrigação de publicar suas mensagens privadas para Peter Mandelson — amigo do falecido bilionário pedófilo Jeffrey Epstein. Ele nega ter sido próximo de Mandelson, mas várias mensagens são assinadas com um beijo.

As mensagens revelam que, em junho de 2025, Mandelson disse a Streeting que, se visitasse os EUA, encontraria “muitas empresas e pessoas do setor tecnológico” com quem poderia conversar.

Essas “pessoas do setor tecnológico” provavelmente incluíam a gigante multinacional americana Palantir, que agora tem acesso aos registros do NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido). 

Mas note-se que Keir Starmer visitou os escritórios da Palantir quando esteve em Washington D.C. naquele mesmo mês.

Em abril de 2025, foi revelado que Streeting recebia doações de cerca de 10.000 libras por mês, todos os meses, de empresas privadas de saúde. 

Cerca de 60% de todas as doações que ele recebeu desde 2015 vieram de empresas privadas de assistência médica — um total de £ 372.000.

Peter Hearn é o diretor das empresas de recrutamento de profissionais de saúde MPM Connect e OPD Group.

As suas empresas doaram quase £200.000 para a Streeting.

E Hearn doou pessoalmente £40.000 para a Streeting.

John Armitage é um gestor da maior seguradora de saúde dos EUA doou 95.000 libras para Streeting.

Kevin Craig é o fundador e CEO da PLMR, uma consultora política que assessora uma empresa que recruta funcionários temporários para o NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) que doou £13.000 para Streeting.

A Red Capital Ltd—controlada por Lord Jonathan Mendelsohn, diretor do Europa Healthcare Group— doou 5.000 libras para Streeting.

Ora nao por acaso Streeting e segundo o Socialist Worker ele defendeu veementemente o uso de serviços de saúde privados no âmbito do NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido).

Defende ainda há muito tempo que tratar pacientes do NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) no setor privado não é apenas a coisa "pragmática" a se fazer, mas também a coisa "correta em princípios".

Segundo o Good Law Project, “o mercado de saúde privada movimenta cerca de 13 biliões de libras esterlinas na Grã-Bretanha. O apoio financeiro de Streeting vem, em sua grande maioria, de pessoas com interesses no setor de saúde privada.”

E não são apenas os chefões da saúde privada que estão despejando dinheiro no bolso de Streeting.

Streeting foi o primeiro dos primeiros ministros-sombra de Keir Starmer a visitar Israel antes da eleição do Partido Trabalhista. 

Sua visita em 2022, que custou cerca de 5.000 libras, foi paga pela organização Labour Friends of Israel (LFI), que trabalha em estreita colaboração com a embaixada israelense em Londres.

Streeting foi enviado  numa "missão de apuração de factos" de quatro dias, onde se reuniu com "especialistas israelitas  em saúde, startups de tecnologia da saúde, políticos, acadêmicos e diplomatas".

“Eu queria voltar a Israel para ver os incríveis avanços na tecnologia médica que estão sendo desenvolvidos aqui, alguns dos quais me impressionaram muito”, disse Streeting, entusiasmado. “Israel está dez anos à frente do NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido).”

Sir Trevor Chinn, um consultor sênior de uma empresa com investimentos em diversas empresas privadas do setor de saúde, doou £18.500 para Streeting.

Por mais de 40 anos, Chinn financiou tanto a organização Amigos de Israel do Partido Trabalhista quanto a do Partido Conservador e desempenhou um papel fundamental no Centro Britânico de Comunicação e Pesquisa Israelense (Bicom) e no Conselho de Liderança Judaica Sionista sendo que o jornal The Guardian classificou a Bicom como "a organização de lobby pró-Israel mais ativa da Grã-Bretanha". 

"A organização envia jornalistas a Israel em viagens de apuração de fatos e organiza o acesso a figuras importantes do governo", afirmou.

David Menton, ex-diretor da Bicom, doou £2.230 para Streeting.

Dois meses depois, sua esposa doou mais £2.230. 

Streeting também recebeu financiamento de outros grandes interesses corporativos.

Ele participou de dois painéis organizados pelo JP Morgan em 2018 e 2019, pelos quais recebeu £10.000. 

Em abril de 2019, ele recebeu £ 5.388 para visitar São Francisco e participar de uma delegação comercial e tecnológica.

Entre os patrocinadores de sua viagem estava a maior empresa de armamentos do mundo, a Lockheed Martin.

Streeting não vai estancar a sangria de apoio ao Partido Trabalhista — ele pode muito bem acabar matando o paciente.