Segundo o Maka Angola a acusação, afirma que uma organização Africa Politology, que seria o braço político do Africa Corps o sucessor do Grupo Wagner e controlado pelo governo russo estaria a  desenvolver em Angola uma estratégia de infiltração política, manipulação da opinião pública, recolha de informações sensíveis e preparação de ações de subversão do regime visando  provocar uma alternância política em Angola, quer seja através da chegada da UNITA ao poder, quer seja pela imposição de uma mudança interna na liderança do MPLA alinhado com interesses russos.

Em troca do apoio externo, os russos pretenderiam obter a gestão de ativos estratégicos como o Corredor do Lobito, a Biocom e empresas do setor diamantífero.

No núcleo central da acusação estariam quatro arguidos: dois cidadãos russos e dois angolanos.
Os russos Igor Ratchin Mihailovich e Lev Matveech Lakstanov respondem por 11 crimes, incluindo espionagem, terrorismo, organização terrorista, financiamento ao terrorismo, associação criminosa, corrupção ativa, tráfico de influência, falsificação de documentos e crimes cambiais.

O jornalista angolano Amor Carlos Tomé é acusado de nove crimes, entre os quais espionagem, terrorismo, financiamento ao terrorismo, associação criminosa e burla.
Já Francisco Oliveira “Buka Tanda”, secretário para a Mobilização da Juventude da UNITA (JURA), responde por cinco crimes, incluindo espionagem, terrorismo e associação criminosa.

Ja aquando da greve dos taxistas foram ouvidos os cidadãos Amor Carlos Tomé, Oliveira Francisco, e os cidadãos de nacionalidade russa Lvmatveevich Laksthtanov e Igor Rotctin Miahalovich como forma de destruir a força reivindicativa deste grupo profissional

Um dos pontos mais sensíveis do despacho é a associação da alegada intervenção russa a contactos com dirigentes ou quadros da UNITA e figuras do MPLA.

A Procuradoria-Geral da República refere a realização de pelo menos cinco encontros entre os cidadãos russos e representantes da UNITA, incluindo um encontro com o presidente do partido, Adalberto da Costa Júnior, ocorrido a 11 de março de 2025, no distrito do Kilamba.

A acusação sustenta ainda que, em reuniões realizadas em abril e maio de 2025, terão sido discutidos apoios russos à UNITA com vista às eleições gerais de 2027, incluindo financiamento e apoio de inteligência.

Entre os temas referidos consta também uma alegada acusação de envolvimento da UNITA num inacreditável plano de atentado contra o então Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante a sua visita oficial a Angola, entre 2 e 4 de dezembro de 2024.

Como é evidente  a inexistência de qualquer comunicado oficial da Administração estadunidense, alerta internacional ou reação institucional por parte dos Estados Unidos levanta totais dúvidas sobre a consistência factual dessa alegação, dado que um atentado ao chefe de Estado estadunidense teria impacto global imediato.

O despacho refere igualmente encontros entre os cidadãos russos e figuras de relevo do MPLA e entre elas, claro, o general Higino Carneiro, potencial candidato à presidência do partido, que, segundo a acusação, teria sido abordado com uma proposta de apoio estratégico e financeiro avaliada em cerca de 15 milhões de dólares.

Consta que este general vale sozinho mil milhoes de dolares pelo que falar dele por causa de 15 milhões….

São ainda mencionados encontros com o antigo secretário-geral do MPLA, Dino Matross, e contactos com António Venâncio, também aspirante à liderança do partido, incluindo a proposta de criação de uma associação de angolanos formados na Rússia e a entrega de valores monetários.

Este despacho é criticado pela fragilidade probatória com grande parte dos factos descritos como encontros, contactos políticos, produção de conteúdos e consultoria estratégica a serem isoladamente, juridicamente neutros.

Outro ponto sensível é o facto de várias figuras políticas citadas no despacho não terem sido ouvidas durante a fase de instrução preparatória e com o Líder do partido UNITA a protestar : "Isto é muito perigoso".