Organizado pelas investigadoras Amandine Desille (CEG/IGOT – Universidade de Lisboa) e Liliana Azevedo (CIES-Iscte), em parceria com o Largo Residências, o festival junta nomes das ciências sociais, literatura, banda desenhada, cinema, fotografia e música, oriundos de diversos países como Portugal, França, Suíça e Luxemburgo — todos com vivências marcadas pelas migrações.
Num momento em que se assinalam 50 anos da transição democrática em Portugal, este encontro propõe uma revisitação dos movimentos migratórios portugueses e seus legados, cruzando experiências pessoais com análises científicas, memórias familiares com criação artística. É a arte que aqui serve de ponte entre o íntimo e o coletivo, entre o passado e o futuro.
A programação inclui debates, projeções, exposições, mas também atividades participativas, como um atelier de escrita, uma instalação de bordados, uma exposição colaborativa sobre a materialidade das migrações e um mural coletivo que convida o público a imaginar futuros migrantes.
Para os mais pequenos, haverá sessões de histórias dinamizadas pelas Bibliotecas de Lisboa, e para todos, uma mostra de livros, com a presença de editoras como a Imprensa de Ciências Sociais, Nouvelle Librairie Française e Oxalá Editora, e ainda um baile popular que promete aquecer os corações ao som de DJ oPaidoLino e da música de Virginie Janelas.
O evento aposta numa abordagem pluridisciplinar e polifónica, que inclui nomes como Ana Cristina Pereira e Vincent Barros (literatura e jornalismo), Madeleine Pereira (banda desenhada), Melanie Pereira e Christophe Fonseca (cinema), Estelle Valente e Pedro Rodrigues (fotografia), Linda Garcia (sonoplastia) e até a comediante Laura, que trará a sua perspetiva irreverente sobre o tema em formato de stand-up.
Especialistas como Eduardo Ascensão, Sónia Ferreira, António Manuel de Cunha, Rita Cachado e outros académicos vão enriquecer os debates com olhares provenientes da antropologia, sociologia, geografia e história.
Mais do que um festival, “A Arte de Ser Migrante” é um gesto político e poético. É um convite à escuta e ao reconhecimento da contribuição das pessoas migrantes e dos seus descendentes para as sociedades contemporâneas. Como escreveu o pensador Edward Said, “a experiência do exílio é estranha, mas fecunda; é uma espécie de condição universal no mundo moderno”.
Neste jardim lisboeta, o exílio transforma-se em palco e a migração em arte — e é nessa encruzilhada entre o que fomos, o que somos e o que podemos vir a ser, que este festival se afirma como urgente, necessário e profundamente humano.
📌 Festival “A Arte de Ser Migrante”
📅 3 a 6 de abril de 2025
📍 Jardins do Bombarda, Lisboa
🎟️ Entrada livre
“A cultura nasce do encontro e do desencontro. É na migração que muitas vezes nasce o novo.” — Amin Maalouf