4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre

Os presidente do Brasil e da Espanha, Luiz Inácio Lula da Silva e  Pedro Sánchez, respectivamente, reforçaram nesta sexta-feira, 17.04, durante conferencia de imprensa em Barcelona, onde estarao reunidos representantes de mais de 15 países,  a defesa da democracia e o enfrentamento das desigualdades globais, nas  vésperas da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, marcada para este sábado , 18.04.

As declarações ocorreram após a assinatura de atos no Palácio Real de Pedralbes, por entre um cenário mundial marcado por mais de 690 milhões de pessoas em extrema pobreza e concentração de riqueza nas mãos de 10% da população, que detém cerca de 75% do total global, segundo a ONU. 

“Eu quero saber onde é que nós falhamos enquanto democratas, onde é que as instituições democratas deixaram de funcionar”, afirmou Lula. “Você vai percebendo que aquilo que foi criado para fortalecer o processo democrático está se esvaindo, se exaurindo. Nesses últimos 20 anos, na maioria dos países, a classe trabalhadora vem só retrocedendo.

Está aumentando a concentração de riqueza, estão tirando os direitos humanos conquistados a sangue e o suor. A democracia foi se enfraquecendo. E aí ganha corpo o quê? Ganha corpo o extremismo”.

O presidente brasileiro destacou ainda a importância da articulação internacional para defender valores democráticos. “Como nós acreditamos em outra coisa, cabe a nós fazermos as reuniões que estamos fazendo para criar uma certa consciência de que a democracia precisa ter porta-vozes em nível internacional”, disse. 

Lula mencionou o crescimento da adesão ao fórum. “Quero agradecer o desafio de fazer uma reunião e tentar juntar as pessoas progressistas. Nós agora já estamos com muita gente. Isso significa que o nosso rebanho está crescendo”, afirmou.

Ao encerrar sua participação, Lula fez um apelo por uma narrativa política que mobilize a sociedade. “É preciso ter um discurso que dê esperança, que desperte o sonho nas pessoas. Se não fosse a democracia, um metalúrgico sem diploma universitário não chegaria à Presidência da República do Brasil pela terceira vez. Por isso, estou muito orgulhoso de participar desse encontro em Barcelona, para que a gente possa construir mais um pedacinho da estrada chamada democracia que tanto o mundo precisa”, declarou.

Já Pedro Sánchez realçou  que o Fórum Democracia Sempre amplia sua relevância ao integrar diferentes setores da sociedade. “Não só estamos a falar da participação de atores governamentais. Ao seu redor tem colaboração academica, social, sindical”, afirmou. 

O político espanhol destacou que o combate à desigualdade está diretamente ligado à consolidação democrática.

“Se existe um desafio social que todas as nações têm é como enfrentar a desigualdade em nossas sociedades e entre as nações. E isso tem muito a ver com duas iniciativas que tanto o governo do Brasil como o governo da Espanha estão liderando em diferentes fóruns multilaterais”, disse.

O líder socialista espanhol defendeu a criação de estruturas mais amplas de cooperação internacional. “Se a desigualdade é um dos principais desafios que a humanidade enfrenta, é preciso criar uma arquitetura, uma estrutura onde não só os representantes dos governos, mas também academicos, cientistas, possam participar e contribuir com sua inteligência e seus conhecimentos”, afirmou.

A 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, marcada para este sábado, 18.04, foi organizada pelo governo espanhol.

Os eventos reunirão chefes de Estado e representantes de diferentes setores para discutir o fortalecimento das instituições democráticas e a redução das desigualdades, apontadas como um dos principais desafios globais.

O Relatório Mundial Social da ONU anunciou cerca de 2,8 biliões de pessoas vivem com um rendimento entre US$ 2,15 e US$ 6,85 por dia, o que as torna vulneráveis a crises economicas e desastres naturais.

O documento também indica que pequenos choques podem empurrar milhões de pessoas de volta à pobreza extrema.

Dados do Relatório sobre Desigualdade Mundial mostram que a concentração de renda cresce.

Enquanto os 10% mais ricos concentram a maior parte da riqueza global, a metade mais pobre possui apenas 2%.

No topo dessa estrutura, menos de 60 mil pessoas acumulam patrimonio equivalente a três vezes o total detido por mais de 4 bilhões de indivíduos. 

Desde a década de 1990, a riqueza dos bilionários cresce a uma taxa média anual de cerca de 8%, quase o dobro do avanço registrado entre os mais pobres.

O cenário descrito pelos estudos reforça a agenda discutida em Barcelona, onde lideranças políticas buscam ampliar a cooperação internacional para enfrentar desigualdades e fortalecer sistemas democráticos em diferentes regiões do mundo.