Está aumentando a concentração de riqueza, estão tirando os direitos humanos conquistados a sangue e o suor. A democracia foi se enfraquecendo. E aí ganha corpo o quê? Ganha corpo o extremismo”.
O presidente brasileiro destacou ainda a importância da articulação internacional para defender valores democráticos. “Como nós acreditamos em outra coisa, cabe a nós fazermos as reuniões que estamos fazendo para criar uma certa consciência de que a democracia precisa ter porta-vozes em nível internacional”, disse.
Lula mencionou o crescimento da adesão ao fórum. “Quero agradecer o desafio de fazer uma reunião e tentar juntar as pessoas progressistas. Nós agora já estamos com muita gente. Isso significa que o nosso rebanho está crescendo”, afirmou.
Ao encerrar sua participação, Lula fez um apelo por uma narrativa política que mobilize a sociedade. “É preciso ter um discurso que dê esperança, que desperte o sonho nas pessoas. Se não fosse a democracia, um metalúrgico sem diploma universitário não chegaria à Presidência da República do Brasil pela terceira vez. Por isso, estou muito orgulhoso de participar desse encontro em Barcelona, para que a gente possa construir mais um pedacinho da estrada chamada democracia que tanto o mundo precisa”, declarou.
Já Pedro Sánchez realçou que o Fórum Democracia Sempre amplia sua relevância ao integrar diferentes setores da sociedade. “Não só estamos a falar da participação de atores governamentais. Ao seu redor tem colaboração academica, social, sindical”, afirmou.
O político espanhol destacou que o combate à desigualdade está diretamente ligado à consolidação democrática.
“Se existe um desafio social que todas as nações têm é como enfrentar a desigualdade em nossas sociedades e entre as nações. E isso tem muito a ver com duas iniciativas que tanto o governo do Brasil como o governo da Espanha estão liderando em diferentes fóruns multilaterais”, disse.
O líder socialista espanhol defendeu a criação de estruturas mais amplas de cooperação internacional. “Se a desigualdade é um dos principais desafios que a humanidade enfrenta, é preciso criar uma arquitetura, uma estrutura onde não só os representantes dos governos, mas também academicos, cientistas, possam participar e contribuir com sua inteligência e seus conhecimentos”, afirmou.
A 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, marcada para este sábado, 18.04, foi organizada pelo governo espanhol.
Os eventos reunirão chefes de Estado e representantes de diferentes setores para discutir o fortalecimento das instituições democráticas e a redução das desigualdades, apontadas como um dos principais desafios globais.
O Relatório Mundial Social da ONU anunciou cerca de 2,8 biliões de pessoas vivem com um rendimento entre US$ 2,15 e US$ 6,85 por dia, o que as torna vulneráveis a crises economicas e desastres naturais.
O documento também indica que pequenos choques podem empurrar milhões de pessoas de volta à pobreza extrema.
Dados do Relatório sobre Desigualdade Mundial mostram que a concentração de renda cresce.
Enquanto os 10% mais ricos concentram a maior parte da riqueza global, a metade mais pobre possui apenas 2%.
No topo dessa estrutura, menos de 60 mil pessoas acumulam patrimonio equivalente a três vezes o total detido por mais de 4 bilhões de indivíduos.
Desde a década de 1990, a riqueza dos bilionários cresce a uma taxa média anual de cerca de 8%, quase o dobro do avanço registrado entre os mais pobres.
O cenário descrito pelos estudos reforça a agenda discutida em Barcelona, onde lideranças políticas buscam ampliar a cooperação internacional para enfrentar desigualdades e fortalecer sistemas democráticos em diferentes regiões do mundo.