As organizações denunciam o que classificam como uma “subversão dos direitos das vítimas” por parte da CIVICOP, alegando que, desde a sua criação, a comissão não tem assegurado processos transparentes nem respeitado plenamente os princípios da dignidade, verdade e justiça exigidos pelas famílias afetadas pelos acontecimentos de 1977 a 1980.
Um dos pontos centrais do comunicado prende-se com duras críticas dirigidas à chamada Fundação 27 de Maio, entidade que as associações acusam de agir em contradição com os interesses reais das vítimas.
Segundo a Plataforma 27 de Maio, esta fundação apresenta-se publicamente como defensora das vítimas, mas estaria alegadamente alinhada com interesses políticos e institucionais ligados ao partido no poder, o MPLA, comprometendo a independência da defesa dos sobreviventes e familiares dos desaparecidos. As associações afirmam ainda que existe uma alegada manipulação da opinião pública e dos próprios familiares das vítimas, explorando a confiança e fragilidade emocional de quem procura respostas e justiça.
As acusações incluem ainda alegadas distorções da verdade histórica e a instrumentalização do sofrimento das vítimas para fins considerados incompatíveis com padrões internacionalmente aceites em processos de reconciliação nacional.
A Plataforma reafirma a necessidade urgente da criação de uma Comissão de Verdade independente, proposta que, segundo o comunicado, já teria sido apresentada à CIVICOP mas sucessivamente recusada.
Na perspetiva das organizações, apenas uma estrutura autónoma, assente em critérios internacionais de justiça transicional, poderá garantir o esclarecimento pleno dos acontecimentos, a identificação rigorosa das vítimas e a responsabilização moral e histórica pelos crimes ocorridos.
O 27 de Maio de 1977 permanece como um dos episódios mais controversos e dolorosos da história angolana. Após uma alegada tentativa de golpe de Estado liderada por dissidentes internos do MPLA, o país mergulhou numa onda de repressão política que resultou em milhares de detenções, desaparecimentos e mortes, embora o número exato de vítimas continue envolto em controvérsia histórica.
Décadas depois, a busca pela verdade continua a dividir sensibilidades políticas, sociais e institucionais, demonstrando que a reconciliação nacional não depende apenas do tempo, mas também da coragem de enfrentar a memória coletiva com transparência, rigor histórico e humanidade.
No comunicado agora divulgado, as associações insistem que a sociedade angolana e a comunidade internacional devem permanecer vigilantes perante alegadas tentativas de desinformação ou instrumentalização política da memória das vítimas, defendendo que só a verdade poderá restaurar a dignidade dos sobreviventes e familiares dos desaparecidos.
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