Existem hoje no Brasil 305 etnias com aproximadamente 900 mil indígenas que falam 274 línguas diferentes.
A pandemia do covid-19 atingiu 83 povos indígenas. segundo a Articulação dos Povos Indígenas no Brasil ( APIB ). Até o dia 4 de junho haviam 2178 indígenas infectados e 211 mortos.
Atualmente, o epicentro da epidemia é o estado do Amazonas, onde 28 profissionais de saúde foram contaminados com a covid-19. Na tribo Kokama, no rio Alto Solimões, 42 indígenas morreram.
No estado de Roraima, após a morte de um Yanomami, em abril, a Associação Hutukara Yanomami decidiu que eles deveriam se mover ainda mais para dentro da floresta para escapar da contaminação. Em maio, 76 profissionais de saúde foram infectados com o covid-19 e mais 2 Yanomami morreram. As terras Yanomami são invadidas por mais de 20.000 garimpeiros.
Em Manaus, o caos é total. O Distrito Sanitário Especial Indígena ( DSEI ) confirmou que muitos pacientes indígenas com outras doenças se contaminaram na Casa de Saúde Indígena, em hospitais estaduais e municipais e depois voltaram para suas aldeias…
Os hospitais da cidade de Manaus estavam com a sua capacidade máxima e agora a situação está mais crítica ainda no interior do Amazonas. O único hospital com UTI do interior do Amazonas fica na cidade de Tefé, situada há 522 km de Manaus.
A segunda região do Brasil mais atingida pelo covi19 é o Nordeste/ Minas Gerais/ Espírito Santo, onde os indígenas vivem nas regiões mais pobres, até agora com 21 mortos.
Como está acontecendo no Brasil inteiro, os números sobre covid-19 estão subnotificados. Sonia Guajajara, presidente da APIB revela que “os números apurados pelo movimento indígena, quando comparados aos da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) revelam uma discrepância absurda. Além da negligência do Estado brasileiro, há um racismo institucionalizado“.
O Brasil tem 34 Distritos Especiais de Saúde Indígena (DSEI), responsáveis pelo atendimento dos indígenas aldeados mas 36% dos indígenas do Brasil vivem em área urbana e não são atendidos pelos DSEI e sim pelo Sistema Unificado de Saúde (SUS) onde os indígenas são geralmente discriminados.
A Fundação Nacional do Índio (FUNAI ) não está fazendo o seu trabalho como deveria. O órgão é atualmente chefiado pelo delegado Marcelo Xavier que já trabalhou como assessor dos ruralistas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Incra(1)e da Funai(2)
A falta de uma ação nacional no combate à pandemia do coronavírus pelo presidente Jair Bolsonaro atingiu os povos indígenas em todas as regiões de norte a sul do Brasil agravando a dramática situação já existente. Neste último ano150 terras na Amazônia sofreram invasões de grileiros, madeireiros e garimpeiros, instigados pelo Governo Federal. Estão queimando florestas, assassinando lideranças e além disso o governo federal apoia que os missionários evangélicos catequisem a qualquer custo os indígenas.
Esta semana o povo brasileiro assistiu perplexo o vídeo liberado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de uma reunião do presidente Bolsonaro com seus ministros em Brasilia onde o ministro da Educação Abrahan Weintraub disse que odeia os Povos Indígenas e o ministro do Meio Ambiente Ricardo Sales falou sobre aproveitarem a situação da pandemia do coronavirus para aprovarem as reformas de desregulamentação e simplificação para mudarem as regras ambientais a favor dos mais poderosos.
Entre 22 e 28 de maio, o Supremo Tribunal votaria o PL2633, que estabelece o chamado “Marco Temporal”(3) que limita as reivindicações indígenas, em vez de reconhecer suas demandas tradicionais ou históricas por terras. A decisão 001/2017 da Procuradoria Geral da República (AGU) é inconstitucional e está sendo usada para legalizar invasões, legitimar despejos e ocultar atos violentos que afetaram os povos indígenas antes da consagração da Constituição Federal de 1988. Se a decisão for contra os povos indígenas, o Brasil e o meio ambiente mundial serão diretamente afetados.
Mas o juiz Edson Fachin adiou a votação até que o tribunal possa fazer julgamentos presenciais, devido à pressão de povos indígenas e organizações de direitos humanos.
Apesar de tudo isso, os indígenas brasileiros nunca estiveram tão organizados. Passado maio, a APIB realizou uma grande Assembleia Nacional de Resistência Indígena on-line para tratar de assuntos como os diagnósticos regionais sobre o covid-19 nas aldeias.
Acostumados a lutar pelos seus direitos há 520 anos, os indígenas estão se unindo para encontrar novos caminhos e exigirem melhores condições de assistência à saúde, defesa de suas terras e do meio ambiente.
1)Instituto Nacional de Assentamento e Reforma Agrária.
2)Em 2017, o inquérito parlamentar presidido pelo Farmers ‘Caucus teve como objetivo processar antropólogos, povos indígenas, funcionários da Funai e do Incra e membros do executivo, além de ONGs. A idéia era encerrar a Funai, interromper a reforma agrária e alterar os critérios de demarcação de terras para povos indígenas e antigas comunidades escravas (quilombola).
3)Marco Temporal – “Limite de tempo”. A idéia do projeto de lei é estabelecer que as reivindicações indígenas por terras só seriam reconhecidas por lei se os indígenas estivessem ocupando aquele pedaço de terra em 1988, ano em que a atual Constituição Brasileira foi consagrada.
Por Rosa Gauditano (email: studior@studiorimagens.com.br)
Rosa Gauditano é fotógrafa, jornalista e ativista. Ela tem documentado os povos indígenas das mais variadas etnias e regiões do Brasil há mais de 30 anos. Rosa já fotografou as comunidades de índios Karajá, Kayapó, Tucano, Waurá, Yanomami, Xavante, Guarani e Pankarau. Em 2004, em parceria com indígenas Xavante, criou a organização não governamental Nossa Tribo, dedicada a fazer uma ponte entre as cidades e aldeias indígenas. Ensinou Fotografia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e trabalhou para o jornal Folha de S. Paulo e revista Veja.É autora dos livros : Índios. Os Primeiros Habitantes, Raízes do Povo Xavante, Festas de Fé, Guarani M’Byá na Cidade de São Paulo e Povos Indígenas no Brasil.
Doações para compra de comida e material de proteção contra o covid19:
Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro, Amazonas.
- Zagaia Association – www.amazonzagaia.com.br
- Bradesco Bank
- Branch:3142
- Account N.: 26585-3
- CNPJ: 10.189.868/0001-35
Guarani Kaiowá, Mato Grosso do Sul.
- Liderança Elizeu Pereira Lopes Guarani Kaiowá
- Banco do Brasil
- Agência: 0743-9
- Conta Corrente: 55889-3
- CPF: 847.386.501-49
Povo Fulniô de Pernambuco:
- Cacique Itamar de Araújo Severo
- Banco Bradesco
- Agência : 6036-4
- Conta corrente: 0103358-1
- Tipo:00
- CPF: 046.219.084-64
FEPOINCE (Federação dos Povos Indígenas do Ceará)
- Bank: Caixa Economica Federal
- Branch: 0919- OP003
- Account n.: 5489-6
- CNPJ: 34.816.161/0001-70
Foirn (Federação Indígena do Rio Negro), Alto Amazonas)
- Banco do Brasil
- Agência : 1136-3
- Conta Corrente: 17563-3
- CNPJ: 05543350/0001-18
- Código Swift :BRASBRRJBHE
- IBAN: BR7800000000011360000019356C1
- Whatsap : +55 97 981044598

A huge funeral procession is carried out in front of the Brazilian Congress by 3000 indigenous people from Acampamento Terra Livre (Free Land Camp), one of the largest mobilisation groups of indigenous people in Brazil. They delivered 200 black mock coffins: “They are our relatives, murdered by old-fashioned public policies carried out by congressmen that don’t respect our Constitution”, explains Sônia Guajajara, indigenous leader. The coffins were placed on the water and on the lawn in front of the entrance of the Brazilian Congress building, together with a 25 x 5 meter message reading in Portuguese “Demarcação Já!” (Demarcation Now!). Only few minutes later, the police responded with tear gas, violently scattering the peaceful indigenous protest. Um gigantesco cortejo fúnebre tomou conta da Esplanada dos Ministérios na tarde desta terça-feira, dia 25. Cerca de três mil indígenas do Acampamento Terra Livre (ATL) – uma das maiores mobilizações de povos originários do Brasil – carregaram, em uma longa fila, aproximadamente 200 caixões negros até o Congresso Nacional. “São nossos parentes assassinados pelas políticas retrógradas de parlamentares que não respeitam a Constituição Federal”, explica a liderança Sônia Guajajara. Os caixões foram dispostos no espelho d’água e no gramado do Congresso ao lado de um banner de 25×5 metros com a mensagem “Demarcação Já!”. Poucos minutos depois, a Polícia Militar respondeu com bombas de gás, dispersando violentamente o protesto pacífico dos indígenas. 
Yanomami woman painting made with the ink of the genipapo fruit, Demini village, Roraima, Brazil, 1991. 
Indígenas em manifestação em Brasilia, DF 
PARÁ – BRAZIL – July 9th, 2016 – Aerial view of deforestation areas in the Brazilian Amazon forest, close to the Tapajos river watershed, caused by illegal gold mining (on the right) and raising cattle (on the left). The Brazilian government intent to build many hydroelectric dams on the Tapajos basin, stimulating mining exploration and cattle raising in this region, affecting the whole local ecosystem and living communities. The Munduruku are the main indigenous group that will be affected if this plan goes ahead. The Munduruku have the support of Greenpeace in their struggle against the construction. (Photo: Leonardo Wen) 
TERRA YANOMAMI, RORAIMA, BRASIL 
Indígenas nas ruas do centro de São Gabriel da Cachoeira no Amazonas na manhã desta terça-feira (28-04-2020) (Foto: Paulo Desana/Dabakuri/Amazônia Real) 
Manaus 27.04.20 – Enterros coletivos no Cemitério Público Nossa Senhora Aparecida (.Foto: Alex Pazuello/Semcom) 
Desmatamento ilegal, Amazonia 
manaus, AM 29/04/2020 – Enterros coletivos no Cemit√®rio N.S de Aparecida no Taurm√£ em Manaus (Foto: Fernando Crispim/La Xunga/Amaz√¥nia Real) 
Enterros de indígenas mortos pela Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira no cemitério Parque da Saudade Familiares de Felisberto Cordeiro. (Foto: Paulo Desana/Dabakuri/Amazônia Real/09/05/2020) 
Beruri, Amazonas 22 07 2010 – Desmatamento em áreas protegidas. A série “Uma certa Amazônia” realizada durante a primeira década do século 21, quando os eventos extremos de cheia e vazante na Amazônia revelaram que algo de muito errado está acontecendo com o clima do planeta. Mudanças cada vez mais drásticas no regime das águas da bacia dos rios Negro e Solimões provocaram impactos como a fome, sede, doenças e mortandade de animais. O cotidiano das populações tradicionais e a paisagem amazônica mudaram definitivamente. Uma situação de extremos, onde as vazantes estão, a cada ano, se transformando em catástrofes e as cheias mostrando-se cada vez mais trágicas. Este cenário que a cada vez mais perde áreas de florestas para o agronégocio, principalmente as plantações de soja e milho, assim como a criação de gado, além da pressão sofrida pela industria madereira em áreas de preservação permanente e também em terras indígenas, além da exploração mineral e a ameaça pelas grandes obras de infra-estrutura do governo brasileiro fazem da Amazônia um dos ecossistemas mais frágeis perante a ação do homem. 
manaus, AM 29/04/2020 – Enterros coletivos no Cemitèrio N.S de Aparecida no Taurmã em Manaus (Foto: Fernando Crispim/La Xunga/Amazônia Real) 
Enterros de indígenas mortos pela Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira no cemitério Parque da Saudade (Foto: Paulo Desana/Dabakuri/Amazônia Real/09/05/2020) 
Manaus 27.04.20 – Enterros coletivos no Cemit√©rio P√∫blico Nossa Senhora Aparecida (.Foto: Alex Pazuello/Semcom)
