Será sempre um fator de divergência entre democratas angolanos e brasileiros o apoio da ditadura militar chefiada à tropa por Geisel à Independência à MPLA rompendo com os Acordos de Alvor mas entendemos que ex-ministro da Defesa Celso Amorim diga à TV 247 que sente vergonha da polícia externa do governo Jair Bolsonaro.
Sendo ela orientada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo a politica externa brasileira é tão má ( lembremos a Amazonia..) que Celso Amorim diga que mesmo discordando dos fatores internos da ditadura militar, não ficava envergonhado pela diplomacia praticada pelo regime nao muito afastada da linha de Getulio Vargas e não eram submissos aos interesses norte-americanos, como é o de Bolsonaro. “Em certos momentos na ditadura, como diplomata brasileiro no exterior, eu me envergonhei do Brasil, do que estava acontecendo, mas não cheguei a me envergonhar da diplomacia, eu discordava. Em termos estritamente de política externa, salvo o primeiro governo, do Castelo Branco, ele logo foi tomando posições que não eram as posições mais reacionárias. O governo Costa e Silva o Brasil, por exemplo, deixou de assinar o tratado de não proliferação nuclear. No governo Médici, que foi o pior do ponto de vista da ditadura, internamente, foi estabelecido o mar de 200 milhas, que contrariava a posição norte-americana. No governo Geisel já foi o reconhecimento da China, o estabelecimento do escritório da OLP e o reconhecimento de Angola, com um governo marxista em plena Guerra Fria. Foi uma atitude corajosa. Enfim, isso mais ou menos seguiu em outros governos. Com variantes, sempre houve uma decência”, e cá está a divergência pois o problema não esteve no “marxismo” ( enfim… de marxismo Agostinho Neto sabia mesmo pouco e praticou-o ainda menos) do MPLA, pois esteve sim no golpear um Tratado que além da potencia colonizadora fora assinado também por duas partes angolanas e o Brasil da ditadura militar terá sentido bem o cheiro do petroleo e da corrupção dele vindo ..
Mas Celso Amorim participou ativamente na institucionalização do chamado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e só tal nos faz quase perdoar a frase / visão de mero interesse economicista nela inserta.
O primeiro país do mundo a reconhecer a independência de Angola foi o Brasil, que na época estava governado por uma ditadura. Isso foi uma decisão aparentemente contraditória, mas as ligações entre Brasil e Angola são muitas.
Celso Amorim disse também que em reuniões da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial do Comércio (OMS), enquanto embaixador do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também não se sentia envergonhado, ainda que discordasse de alguns aspectos da diplomacia de FHC.
“Eu fui embaixador do Fernando Henrique, eu discordava de muita coisa, mas na ONU, na OMS, eu não me envergonhava. Em certas ocasiões eu ficava meio chateado porque as instruções diziam ‘vai devagar’, mas olha, na ONU eu presidi três comissões sobre o Iraque que eram muito de independência, os americanos não gostavam. Enfim, eu não me envergonhava, conseguia fazer o meu trabalho. A mesma coisa na OMS”.
Celso Amorim classificou o atual chanceler, Ernesto Araújo, como “medíocre”. “É uma coisa que não tem limites, ultrapassa qualquer capacidade de imaginar. O Ernesto Araújo sempre foi um diplomata medíocre, nunca se destacou, nunca teve nenhuma grande projeção. Para se manter, para continuar, ele não só precisa fazer coisas ruins e más, como essa da Venezuela, mas precisa também de vez em quando dizer as coisas mais estapafúrdias para chamar atenção”.
Ora é precisamente pelo direito à autonomia da Venezuela que temos de criticar as ingerências da ditadura militar em Angola!
