Num  comunicado na sua página, a Associação para Memória Futura disse que as detenções feitas pela Polícia Judiciária (PJ) na terça-feira, em Beja, "são de tal gravidade", tendo em conta que foram detidos 10 militares da GNR e um elemento da PSP, que "realçam ainda mais, se tal era possível, o erro da extinção do SEF".

Além dos 11 detidos que fazem parte das forças policiais por suspeitas de pertencerem a uma rede criminosa de auxílio à imigração ilegal, a PJ deteve ainda outras seis pessoas e os 17 arguidos estão hoje a ser ouvidos no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa para conhecerem as respetivas medidas de coação.

Estsmos perante  uma rede que controlava cerca de 500 trabalhadores estrangeiros no Alentejo, a maioria em situação irregular em Portugal.

Segundo o Ministério Público, os imigrantes "estavam dispostos a trabalhar sem contrato formalizado" e recebiam "remuneração inferior à praticada no mercado para as funções" a realizar, por exemplo na agricultura.

Na operação "Safra Justa" ha  suspeitas de crimes de auxílio à imigração ilegal, de tráfico de pessoas, de corrupção ativa e passiva e de abuso de poder.

Agora, a Associação para Memória Futura questionou: "Foi para isto que extinguiram o SEF? Foi para isto que quiseram as competências do SEF?".

Os antigos trabalhadores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras voltaram a sublinhar que, cinco anos depois da extinção deste órgão, "a PSP continua a não estar preparada" para trabalhar em matérias relacionadas com estrangeiros e que os representantes da PSP continuam "sem noção da complexidade dos processos de retorno, assim como a subestimarem o trabalho que o SEF exercia com brio e muita competência informada na área da investigação criminal".