3 Fevereiro, 2023

Estrategizando

Notícias, Reflexão e Ação.

A Saúde e o Bem Estar pelas ruas da amargura e a “santa ingenuidade” destes estudos

Pois é, e se juntássemos algumas citações de vários media para apontarmos as suas/nossas limitações ao ver o mundo tal qual é!?

“Cerca de metade da população adulta portuguesa tem dois ou mais problemas de saúde, consequência de excessiva exposição a ecrãs, má qualidade do sono e ‘stress’, concluiu um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, hoje divulgado

….

Entre os problemas de saúde mais frequentes estão casos de dores osteoarticulares, hipertensão, diabetes, problemas cardíacos, asma e cancro, sublinha o estudo.

….

Por isso, os investigadores sublinharam que o caminho em direção a uma vida saudável passará por bons hábitos como não fumar, uma boa qualidade de sono, exposição moderada a ecrãs e uma gestão adequada dos níveis de ‘stress’, fatores com maior impacto na multimorbilidade.”
(Lusa)

“De acordo com o documento elaborado pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho, apresentado na Concertação Social, no ano passado 56% dos trabalhadores em Portugal recebiam um salário inferior a 1000 euros, uma percentagem que compara com 72% em 2015. No caso dos jovens, 65% recebiam abaixo de 1000 euros, em 2022, face a 84% em 2015.”
( público)

O salário médio dos trabalhadores com remuneração declarada à Segurança Social era no ano passado de 1269,34 euros, superior em 29% ao valor de 2015, enquanto para os jovens (até 30 anos), o salário médio era de 1037,57 euros, mais 40% em comparação com 2015
( expresso)

De acordo com o relatório ‘Retribuição Mínima Mensal Garantida 2021’, do Gabinete de Estatística e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho, em junho de 2021 ganhavam o SMN 24,6% dos trabalhadores.
( GEP MTSS )

“A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades”. Direito social, inerente à condição de cidadania, que deve ser assegurado sem distinção de raça, de religião, ideologia política ou condição socioeconômica, a saúde é assim apresentada como um valor coletivo, um bem de todos.”
(https://www.almg.gov.br/export/sites/default/acompanhe/eventos/hotsites/2016/encontro_internacional_saude/documentos/textos_referencia/00_palavra_dos_organizadores.pdf)

Sim a Saúde não é somente o bem estar físico e sim, a saúde não pode ser afastada das limitações impostas pelo ambiente económico, social e cultural que nos envolve.

Quando vemos um estudo que separa a saúde física do restante bem estar ficamos, porque estamos no século XXI, siderados com tanta ingenuidade pois até a OMS que se preocupa, organização mundial que é, com os mínimos para o nosso bem estar.

E então lembramo-nos do como é nos EUA, onde o vivóprivado gera o que segue, “Um em cada quatro americanos (23%) acumula 10 mil dólares ou mais em dívidas com serviços médicos. Emergências médicas explicam faturas por pagar para 44% dos residentes nos EUA. Outros 6% devem montantes entre 50 mil e 100 mil dólares e 5% dizem ser devedores em mais de 100 mil dólares.
Muitos (46% dos inquiridos) adiam compra de casa própria por acumularem dívidas de Saúde, outros 24% deixam para trás planos de casamento ou ter filhos (22%) e 14% pensam declarar insolvência “, ( https://eco.sapo.pt/2022/03/22/eua-mais-de-metade-dos-adultos-segurados-acumulam-dividas-de-saude/amp/ )

Mas avancemos um pouco mais, olhando para a saúde e a economia,

Em Portugal, os colaboradores, em média, ausentam-se do local de trabalho durante 5.9 dias (dados de 2018) ( Google)

Um inquérito de 2019 da Direct Health Solutions revelou que o absentismo aumentou em 1,5 dias para 11,2 dias por colaborador por ano em comparação com 2017, e calcula-se que tenha custado à economia australiana
(https://www.randstad.pt/tendencias-360/mundo-do-trabalho/estas-sao-diferencas-entre-absentismo-e-presentismo/)

O absentismo “corresponde a pouco mais do que 2% do emprego em Portugal, o que deixa o país abaixo da média europeia, de quase 3%. Segundo um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), que abrangeu 18 países europeus e os Estados Unidos, Portugal é o oitavo país onde as “baixas” menos contribuem para a ausência ao trabalho” ( jornal de negócios).

É neste contexto que nos surpreendemos e ficamos sem respostas convictas sobre a baixa taxa comparativa de absentismo em Portugal restando somente esta ideia de que a) o SNS funciona melhor que o sistema de saúde dependente de seguradoras privatistas;

b) os baixos salários limitam o absentismo por o serem e pelo seu impacto quando se perde o mesmo na pessoa e na família;

c) os dados estatísticos não correspondem à realidade …

  • Apoie assinando o Estrategizando, 18 euros trimestre, 36 por semestre e 60 euros ano, a mesma pode ser enviada para o
    NIB: 0036 0170 9910 0117 6978 7
    ou
    Entidade: JOFFRE JUSTINO
    IBAN: PT50 0036 0170 9910 0117 6978 7, SWIFT: MPIOPTPL e claro, solicitamos também o envio de um e-mail com o nome, o endereço e o comprovativo do valor da transferência realizada.


Joffre Justino

Photo credit: Lucíola Correia on Visualhunt