3 Fevereiro, 2023

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Os 50 anos do 25 de abril começa na capela do Rato/ igreja de São Domingos, em branqueador evento?

E assim a Comissão das Comemorações dos 50 anos do 25 de abril começa com um branquear do papel da Igreja no fascismo fazendo-a afim aos que combateram o fascismo!?

Porque perdoem-me e dirijo-me sobretudo aos bem mais novos a igreja católica era a 95% o Regime Fascista, o esteio do Fascismo, mais até que a Pide, os choques, e etc !

Porquê começar no lembrar a Vigília da Capela do Rato e não na morte de Ribeiro Santos, a 12 de Outubro, ou antes até nos assaltos a Económicas ao Técnico a Direito em 1972, para não falar no discurso de Alberto Martins ao tolo do Tomás o PR de então ?

Há claro uma outra razão para que tal aconteça ( além da “virtuosa” intenção de branquear a “santa igreja católica”…)!

É simples a razão – há que anular os radicais anti sistema antes que retomem as suas posições de combate perante este hodierno regime que se fragiliza em cada dia que passa..

Enfim uma opiniaosita pessoal …!

Tenho claro todo o respeito pelos católicos que dentro da igreja se opunham a ela e ao regime, mas que na verdade se opunham ao aparelho fascista que dominando a igreja dominava o império, e tenho todo o respeito pela data da Vigília da Paz que teve lugar nos dias 30 e 31 de dezembro da 1972.

Mas por favor poderia até lembrar que mais valia terem iniciado as ditas comemorações oficiais lembrando que há 52 anos, a 1 de Julho de 1970, o papa Paulo VI recebia dirigentes de três momentos de libertação das ex colónias portuguesas a ver Amílcar Cabral, do PAIGC; Agostinho Neto, do MPLA; e Marcelino dos Santos da Frelimo reunião que deixou a igreja católica o cardeal Cerejeira que morrerá em 1977, 3 anos depois do 25 de abril de 1977 e que ainda hoje é lembrado na “santa igreja católica” com uma fundação com o seu nome e o pouco católico, diga-se, Marcelo Caetano, derrubado pelo 25 de abril e que morreu em 1980 no exílio, aterrados e em estado de choque, já que está reunião fez a igreja católica portuguesa e o regime perderem a restea de credibilidade global !

Na Vigília da Capela do Rato terão participado segundo os relatos policiais, 74 pessoas que ao que sei além de militantes católicos, existiam militantes dos PRP/BR e da LCI ( coorganizadores…), mas também luso angolanos na altura afetos ao MPLA, e ainda alguns de certa forma aos CLAC / MRPP/ revista o Tempo e o Modo pelo menos …

E diz um relato do fascista capitao Maltez “As pessoas identificadas foram 74. Destas, 68 estavam no interior da Capela e 6 saíram da mesma e foram identificadas na Calçada, seguindo depois a pé para a Esquadra do Rato. Recordo que na altura em que as mandei encostar à parede todas disseram ser estudantes. Recordo porém que cinco eram do sexo masculino e uma do feminino. Das cinco, qua- tro eram naturais de Angola.
(Testemunho do fascista capitão Maltez)

Deixo outra interessante citação deste evento, onde, note-se, não estive e que só soube dele à posteriori,

“As Brigadas Revolucionárias – convém recordá-lo – terão uma ligação importante ao movimento, fazendo deflagrar petardos em cerca de três deze- nas de pontos na Grande Lisboa (Lisboa, Barreiro, Seixal) que espalham panfletos, subscritos por «Trabalhadores Revolucionários», apelando à participação de todos, «sem distinção de religião», na vigília do Rato.

A este núcleo juntam-se Maria da Conceição Moita (irmã de Luís Moita), Isabel Pimentel, João Cordovil (irmão de Francisco Cordovil, igualmente estudante em Económicas), António Matos Ferreira e José Galamba de Oliveira (estu- dante de Direito). Existiam, pois, múltiplas ligações no seio do grupo que iniciou a vigília do Rato. A rede de sociabilidades dos católicos contestatários aponta para dois dados importantes: o peso dos laços familiares, por um lado, e a preponde- rância de um certo elitismo em termos de origem social ou formação académica. Estes dois elementos convergem para a formação de círculos relativamente estáveis na oposição cristã de Lisboa ao Estado Novo. Note-se, por exemplo, que algumas das pessoas que marcaram presença na Capela do Rato – Luís Moita, Francisco de Sousa Tavares, Francisco Pereira de Moura – já haviam estado em S. Domingos. É frequente encontrar pessoas da mesma família nas diversas acções desenvolvidas: assim, a ocupação de S. Domingos é combinada na residência do casal Maria Natália e Nuno Teotónio Pereira. Em S. Domingos, será entoada a Cantata da Paz, com os famosos versos «Vemos, ouvimos e lemos/Não podemos ignorar», com- postos para a ocasião por Sophia de Mello Breyner Andresen, mulher de Francisco de Sousa Tavares. Pereira de Moura desloca-se a S. Domingos acompanhado da mulher e da filha, fazendo o mesmo na vigília do Rato. Nesta, encontramos os irmãos João e Francisco Cordovil, Maria Benedita Galamba de Oliveira e o seu filho José, Nuno Teotónio Pereira e o seu filho Miguel, além dos irmãos Luís e Maria da Conceição Moita.
O status social dos participantes é revelado, por exemplo, pelas profissões dos detidos na sequência da ocupação da Capela do Rato: um professor universitário e antigo procurador à Câmara Corporativa (Pereira de Moura), uma bibliotecária (Maria Benedita Galamba de Oliveira), um arquitecto já na altura galardoado com o Prémio Nacional de Arquitectura da Gulbenkian e com o Prémio Valmor (Nuno Teotónio Pereira, sobrinho do embaixador e antigo ministro de Salazar), um livreiro (João Morais Camacho), um doutorado em Teologia (Luís Moita), o chefe de publicidade da revista Flama (Homero Silva Cardoso), três estudantes liceais (Francisco Louçã, Miguel Teotónio Pereira e João Pimentel Gonçalves), quatro alunos universitários (Jorge Wemans, João Qua, José Luís Galamba de Oliveira e Manuel Coelho Carvalho). Destacava-se, como caso isolado, um tipógrafo de dezassete anos, Hermenegildo José Carmo Lavrador…”…

“…Dos onze funcionários públicos que recorreram da pena de demissão imposta pelo Conselho de Ministros encontramos um docente do ensino superior (Pereira de Moura), dois estudantes universitários (Carlos Sangreman Proença, Ludovina Esteves), um doutor em Teologia (Luís Moita), uma bióloga (Maria do Rosário Moita), uma licenciada em Filosofia (Teresa Saraiva), um licen- ciado em Pedagogia (José Augusto Pereira Neto), uma assistente social (Maria Gabriela Ferreira), uma enfermeira (Maria Isabel Rodrigues), uma visitadora esco- lar (Maria Luís Pereira da Silva) e uma funcionária da Câmara Municipal de Lisboa (Maria Regina Líbano dos Santos)…”

Mas inclino-me a aceitar como boa verdade a citação que segue do texto acima e que releva que houve pelo menos uma coliderança empenhada dos PRP e depois do 25 de abril dirigentes, militantes ou simpatizantes das FP25

“A narrativa de Carlos Antunes é assaz interessante, mesmo que mereça algumas reservas. Vemos aqui que no planeamento operacional da acção do Rato as Brigadas Revolucionárias tiveram um papel central, algo que fica muito longe dos relatos que dizem ter sido tudo combinado entre Luís Moita, Nuno Teotónio Pereira, Francisco Cordovil, Maria da Conceição Moita, Isabel Pimentel, Luís Cordovil, António Matos Ferreira e José Galamba de Oliveira. Agora, surgiu um intruso: Carlos Carneiro Quintas Antunes, nascido em 1938, trabalhador nas áreas da contabilidade e da publicidade, militante comunista de 1955 a 1969, que funda em 1969 as Brigadas Revolucionárias. Foi ele que, «por razões de disciplina», ordenou que seria Maria da Conceição Moita a tomar o microfone junto ao altar da Capela do Rato. A ser verdade, isto mostra que as Brigadas não se limitaram a lan- çar petardos pela Grande Lisboa. O seu dirigente coordenou o assalto à Capela e o plano de operações da vigília; os católicos, em troca, apoiam-no nas suas fugas, a ponto de Carlos Antunes ter estado recolhido no centro de retiros do Seminário dos Olivais, fazendo-se passar por um oficial do Exército psicologicamente perturbado pela guerra e partilhando instalações com… Cerejeira 99. Isto para além do apoio recebido na Igreja de Palmela, dos dominicanos, etc.
( In “A PAZ É POSSÍVEL»: ALGUMAS NOTAS SOBRE O CASO DA CAPELA DO RATO *
ANTÓNIO DE ARAÚJO **)

Digamos pois que é bem divertido este branqueamento de uma ação revolucionária de parcelas da extrema esquerda coligadas a movimentos católicos bem radicais servir para branquear quem deixou que elementos seus fossem brutalmente torturados pela Pide para escamotear as centenas de jovens que se afirmavam ativamente contra a guerra colonial e o fascismo, que eram brutalmente espancados em Economicas e em Direito e tudo para fazer esquecer o Boss durante todo o fascismo o cardeal Cerejeira à custa da Vigília da Capela do Rato m!

Assim a dita Comissão das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, vai realizar várias iniciativas que vão ter lugar durante o mês de dezembro e janeiro, em Lisboa para dar a conhecer l”…momentos como este, em que aquilo que era essencial no regime, as colónias e a guerra colonial, foi posto em causa por vozes católicas”, explicou ao 7MARGENS a comissária, Maria Inácia Rezola.

“Em plena época marcelista, esta tomada de posição de jovens católicos e a sua abertura a uma colaboração mais estreita com outras organizações abriu perspetivas novas ao desenvolvimento do próprio catolicismo português, na sequência do Concílio Vaticano II”, refere Rezola, assinalando que, “50 anos depois, são muito poucos os portugueses que conhecem estes acontecimentos. Para quem se habituou a reconhecer a estreita aliança entre a Igreja Católica e o regime do Estado Novo, é fundamental dar a conhecer momentos como este”, por quem aparentemente se recusa a usar o termo fascismo !

Desta forma no âmbito destas comemorações dos 50 anos da Vigília pela Paz o status quo inicia o seu processo talvez até de branqueamento do fascismo a “… 8 de dezembro numa inauguração (às 15h00) de uma exposição evocativa na Igreja de São Domingos (entre o Rossio e a Praça da Figueira, em Lisboa), local escolhido por ter sido ali que a 31 de dezembro de 1968 um grupo de católicos realizou uma vigília pela paz motivada pela situação de guerra em que o país vivia e pela mensagem de Paulo VI para esse Dia Mundial da Paz, intitulada “A Promoção dos Direitos do Homem, Caminho para a Paz”.

Seguir-se-á um colóquio moderado pela jornalista Cândida Pinto, em que intervêm Marcelo Rebelo de Sousa, a ministra da Defesa, Helena Carreiras, o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, o professor Luís Moita e o padre António Janela, atual pároco da Igreja de Sagrado Coração de Jesus e um dos padres presos na Capela do Rato no dia 1 de janeiro de 1973.”
 

Já no dia 14 de dezembro, pelas 17h30, “será descerrada uma lápide à porta da Capela do Rato (Calçada Bento da Rocha Cabral, 1B) evocativa da vigília de 1972, a que se seguirá, no interior da capela, um debate entre organizadores e participantes da iniciativa com Isabel do Carmo, Francisco Cordovil e Jorge Wemans. O debate, moderado pelo jornalista António Marujo (diretor do 7MARGENS,) incidirá sobre os moldes em que foi planeada a iniciativa que viria a ser brutalmente interrompida pela polícia de choque, bem como elucidar as razões da escolha da Capela do Rato, sucedendo a São Domingos (1969). Os participantes serão também convidados a avaliar até que ponto aquele ato levou a que a denúncia da guerra e a luta anticolonial saltassem para o espaço público, consumando a rutura de muitos católicos com o regime e aumentado as fraturas dentro da Igreja em Portugal.
Na Capela, será também inaugurada uma pequena exposição sobre a comunidade que ali se reunia nos anos setenta do século passado, contendo algumas peças relativas aos acontecimentos de 30 e 31 de dezembro de 1972.”

Urge realçar que bem antes da capela do Rato militantes dos CLAC / MRPP inundavam as ruas de pichagens contra a guerra colonial e os Comités Guerra Popular/ CRML e os CLAC Vencerão / UECml inundavam as faculdades de panfletos contra a guerra colonial, além de distribuições desses panfletos nas zonas dos quartéis e mesmo no seu interior

Mais ainda “A Fundação Calouste Gulbenkian será o palco para os historiadores António Matos Ferreira, António Araújo, João Miguel Almeida e Rita Almeida de Carvalho situarem a Vigília pela Paz de 1972 no quadro da movimentação anticolonial dos grupos católicos e no contexto do retrocesso da primavera marcelista. O colóquio terá lugar às 10h00 do dia 15 de dezembro e será moderado pelo historiador Paulo Fontes.”… primavera marcelista? Universidades ocupadas, uma bem totalitária lei de uma pseudo reforma do ensino, uma boa centena de estudantes a baterem com os costados em Caxias e em Peniche e uns bons milhares a desertarem e ainda se chama em 2022 a tal de Primavera marcelista ?

Para proteger o neo selfista marcelismo?

E depois segue “Ainda em dezembro, muito provavelmente na noite de dia 30 desse mês, a atual comunidade da Capela do Rato realiza uma vigília recordando essa outra de há 50 anos. Já em janeiro, será inaugurada uma escultura de grandes dimensões da autoria de Cristina Ataíde, no Jardim da Amoreiras, perto da Mãe de Água, o jardim mais próximo da Capela do Rato. A Comissão das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril promete editar um livro reunindo as principais peças destas comemorações, mas o seu programa completo, além de vária documentação sobre a vigília, irá sendo progressivamente acessível no sítio da Comissão.”

Triste, cinzenta-branqueadora comissão que só irá tentar enterrar o sonho que o 25 abril de 1974 nos trouxe de uma Democracia Política, Económica, Social e Cultural !

… E o pessoal a deixar…?