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Rui Oliveira, o meu Mano

por Joffre Justino

Eu tenho este teimoso vício de ser marxista na visão política e cristão nas relações humanas – amar os outros como a nós mesmos – e de recusar aparelhos e igrejas se os vejo a agirem erradamente.

Mas na amizade tenho esta perceção que me leva a olhar para o coração das Pessoas e tal tem-me permitido viver boas alegrias de dádivas inesperadas nas relações humanas tantas quantas as traiçõezinhas vividas na minha atividade politica.

Entre todas elas tenho a confortável oportunidade de adormecer bem pois os ganhos são superiores às perdas!

E entre essa vivência tive a alegria de conhecer e conviver com aquele sorriso fácil aquele sonhar constante aquele otimismo permanente que era o Rui Oliveira.

Foi na UNITA nas atividades da sua delegação em Lisboa que o encontrei pela primeira vez mas foi em Luanda que pudemos conhecermo-nos sonhando e lutando por uma Angola Melhor Democrática e Participativa onde iríamos ter tanto que fazer com a UNITA.

Vivemos sustos como a noite / madrugada num bar da Ilha quando nos vimos ameaçadoramente cercados por gentes do M e salvos por um grupo de como nós noctívagos caluandas que claro conheciam o sorriso franco do Rui o que nos permitiu chegar ao carro e zarpar como sonhamos juntos um futuro Angolano que não pôde acontecer.

Eu no jornal Terra Angolana ele na estrutura da UNITA e entre outras atividades vi-o a sair mala cheia de dólares para comprar/alugar apartamentos para os membros deste partido e vi-o aqui e ali como eu ( como nós do Luís ao Nelito …) sem um tostão ( quando a UNITA se atrasava nos pagamentos) e dividindo os cigarros no grupo do hotel Trópico 5.o andar sem mexer em 1 dólar dos dinheiros para a sua atividade imobiliária.

Ali, no pós eleições de 92, vimos diplomatas portugueses ameaçarem-nos por nos mantermos da UNITA e a eles respondermos com o sonho da Democracia ( que ainda não chegou quase 30 anos depois) e a rejeição da estrita visão bacoca do “negócio de hoje para hoje” ( que 30 anos depois ainda destrói Angola e bloqueia Portugal nas mãos dos de cá candongueiros) e vimos juntos a sequência da Fraude descabelada que Portugal, a Federação Russa, a ONU e esses uesinos montaram para alimentarem os petrodiamandolares e manterem o Povo Angolano na miséria dos menos de dois dólares dia.

Quando na embaixada de Portugal um vice cônsul qualquer nos disse a mim e ao Luís Filipe que os “portugueses inocentes” ( os do Mpla) seriam protegidos e “os portugueses culpados” ( os da UNITA) seriam mortos foi o Rui um dos primeiros a ouvir a minha preocupação e claro no seu sistemático otimismo foi dos primeiros a dizer recordando o arsenal que tinha debaixo da cama que com a sua experiência de ex-comando português me protegeria.

Não acreditei naquele otimismo e poupei-me uns meses de prisão e tortura como o Rui Oliveira viveu como tantos outros viveram ( os mais de 20 mil que foram mortos naqueles 02/04 de Novembro de 92 esses dar-me-ão razão um dia quando os reencontrar).

Tenho orgulho no que fiz em Lisboa depois do golpe de estado santista de 92 e que ajudou a permitir que o Rui se reencontrasse comigo em Lisboa na delegação da UNITA com o Adalberto o Carlos Morgado o Isac Wambembe, entre outros e vivêssemos a aventura das sequentes duas guerras civis ( a última com o Chassanha e o Zé Pedro Katchiungo ou o Betinho Jamba ou a dona Ernestina etc) até à derrota e ao suicídio do nosso Mais Velho Savimbi!

E vieram os tempos duros que o Rui Oliveira viveu ora em Luanda ora cá sempre naquele seu sonhar otimista e nem o seu virar à direita trumpista ou o seu negacionismo face ao Covid me fizeram esquecer ( nem a ele o meu esquerdismo) a amizade construída no sonha da Angola Democrática!

Hoje está no mundo espiritual entre todos os que da UNITA morreram como o Mais Velho Savimbi e com aquele seu otimista sorriso a Sonhar como sempre!

Até breve Rui meu Mano!

Joffre Justino

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