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Amandio Silva, um Antifascista, morreu hoje!

por Joffre Justino

Um combatente sempre ativo um maçon do GOL iniciado na Loja Fernando Pessoa, Amândio Silva, foi um dos operacionais da “Operação Vagô”, pensada por Henrique Galvão, e morreu este domingo, na Parede, aos 82 anos, segundo soubemos junto de fonte próxima da família.

Amandio Silva  foi um dos que embarcou, em novembro de 1961, na acçao gizada por Henrique Galvão e chefiada por Hermínio da Palma Inácio, o sequestro de uma avião “Super Constellation”, da TAP, em rota entre Casablanca, em Marrocos, e a capital portuguesa. 

Anti salazarento ativo, a  ação do “Super Constellation” não foi a única de Amândio Silva contra o ditador pois participou na chamada “Revolta da Sé”, uma conspiração protagonizada por civis e militares, em março de 1959 impulsionada sobretudo por católicos (decorreu na Sé Patriarcal de Lisboa), junto à então cadeia do Aljube, que infelizmente acabaria por ser neutralizada pela PIDE.

A 9 de Novembro, Amândio Silva, Camilo Mortágua, Fernando Vasconcelos, João Martins, Maria Helena Vidal e Palma Inácio partiram de Tânger para Casablanca, já de noite, com os carros completamente às escuras durante cerca de dez quilómetros, para não serem detectados pelos agentes da PIDE ou outros.

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A 10, no aeroporto de Casablanca, os seis entraram como passageiros, levando seis mil panfletos a denunciar a farsa eleitoral que se realizaria dois dias depois nas suas malas, que não foram abertas, como tinham verificado ser habitual. 

Neste voo directo para Lisboa, que deveria partir ter uma duração de hora e meia ao aproximarem-se de Lisboa foi desencadeada a operação de tomada de controlo do avião, depois de Maria Helena ter retirado da sua cinta as cinco pistolas que levava. Tudo decorreu discretamente, graças à determinação de Palma Inácio, que rapidamente convenceu o comandante do avião e a restante tripulação a fazerem o que ele lhes ordenasse.

O avião sobrevoou Lisboa a baixa altitude largando panfletos que desciam para o centro de Lisboa, perante o olhar espantado de toda a gente, e iniciou o regresso a Marrocos não sem, pelo caminho, largar ainda panfletos sobre o Barreiro, Seixal, outras localidades da Margem Sul e Faro.

Aterraram em Tânger três horas depois da sua partida de Casablanca onde foram recebidos por Henrique Galvão, muitos jornalistas e as autoridades marroquinas que lhes asseguraram um estatuto de asilo provisório até se encontrar um país que os recebesse, que acabou por ser o Brasil.

Operação Vagô decorreu como previsto e teve um grande impacte na imprensa mundial, voltando a denunciar o regime de Salazar.

O Estrategizando saúda este combatente que atingiu o Eterno Descanso e deixa para a nossa aprendizagem estes apontamentos da sua heroica vida de Democrata e Resistente Antifascista! 

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