Home Economia Arunce e Peralta uma lenda a dar vida!

Arunce e Peralta uma lenda a dar vida!

por Joffre Justino

Conheci Kalidas Barreto na Fraternidade Operária e depois na UEDS e entre divergencias aprendi aprendemos acho eu a respeitarmo-nos um na CGTP outro eu na FETESE uma estrutura da area da UGT mas teimosamente independente com um leader especial Antonio Janeiro!

Nesses tempos ainda revolucionários o tempo não era de lendas e escapou-me este gosto pela lenda de Kalidas Barreto o que lamento mas é bom reencontra-lo assim seguindo as lendas da sua terra 

Como muitas lendas ela relata amores entre reis e rainhas príncipes e princesas e como em todas as lendas as versões sao muitas!

Neste dia de reflexão enriqueçam-se com este legado um deles vindo desse socialista das Esquerdas dirigente da CGTP  

Na verdade a  Princesa Peralta não morre no tempo e pelos séculos fora em volta dela surgem iniciativas em concelhos ligados à Serra da Lousã, onde um imaginário fantasista está a impulsionar uma rota turístico-cultural em torno desta lendária personagem e assim iniciativas associativas Incentivando  um revivalismo histórico, atividades artísticas doçaria dinamizam um turismo histórico surgem a reclamar-se herdeiras da lenda que tem o Rei Arunce e sua filha Peralta como atores centrais 

Segundo o que o investigador Aires Henriques disse à Lusa “Esta lenda tem a capacidade de atrair pessoas”, também dono da unidade de turismo rural Villa Isaura, numa aldeia do município de Pedrógão Grande e em Troviscais, o promotor ergueu a Torre da Princesa Peralta, construção neomedieval onde acolhe raras coleções do Museu da República e da Maçonaria.

Já em 1629 por Miguel Leitão de Andrada, na obra “Miscelânea do Sítio de Nossa Senhora da Luz do Pedrógão Grande”, afirmou que a Princesa “tem mais importância do que parece”, e releva um quadro do pintor João Viola, seu conterrâneo, com Peralta montada num cavalo junto ao Castelo da Lousã.

E assim saída do passado a lenda tornou-se “um fator possível de apoio ao desenvolvimento” de um grupo de concelhos dos distritos de Coimbra, Leiria e Castelo Branco, e por isso Aires Henriques defendeu a criação da Rota da Princesa Peralta, durante uma ceia medieval organizada pela Cooperativa Arte-Via, da Lousã, junto àquele monumento nacional. 

Na sua opinião, “a expressão porventura maior dessa inspiração” encontra-se numa tela do pintor Carlos Reis (1863-1940) que decora o salão nobre da Câmara da Lousã, onde surge “a bela princesa embrenhando-se na floresta a cavalo” ao lado do pai.

“Propomos uma Rota da Princesa Peralta como elemento aglutinador de vontades e fator de desenvolvimento turístico”, refere.

O economista entende que o percurso deveria integrar os concelhos de Condeixa-a-Nova (onde está situada a cidade romana de Conímbriga), Miranda do Corvo, Lousã (cujo castelo o povo associa ao Rei Arunce), Castanheira de Pera, Pedrógão Grande e Sertã, abrangendo diferentes monumentos e sítios.

A proposta de Aires Henriques está incluída na monografia “Pedrógão Grande e o Cabril de Encantos Mil”, concebida por ele e Nuno Soares, editada pela Câmara local em 2018.

E retomemos 1964, quando no âmbito do cinquentenário do município da Castanheira de Pera, Kalidás Barreto, montou uma peça de teatro baseada no texto de Leitão de Andrada.

Uma filha do sindicalista, Ana Kalidás, nunca esqueceu essa iniciativa do pai, autor da monografia local em que reserva espaço à lenda.

Em 2007, a partir de uma receita da avó materna, confecionou para a feira do mel do Coentral uns bolinhos de castanha e ovos a que chamou “Beijos de Peralta”.

“Tem tudo a ver com a nossa terra”, realça, para indicar que a presença da castanha nos ingredientes faz jus ao nome do concelho.

Um grupo de mulheres constituiu a Associação Cultural Princesa Peralta, parceira da Academia de Bailado da Lousã (ABL), dirigida por Joana Ruas.

Em 2014, nesta vila, esteve em palco um bailado inspirado na Princesa com texto de Filipa Rosa e da coreógrafa da ABL. “Foi um sucesso”, segundo Joana Ruas.

A associação nasceu para “espalhar a cultura de forma gratuita” em localidades da área da Serra da Lousã.

“Queríamos uma imagem feminina a que o público infantil tivesse ligação”, recorda, para argumentar que “fazia todo o sentido” dar à coletividade um nome que “é muito poético”.

E a filha do Rei Arunce é igualmente figura tutelar da presença da escola de dança nas Marchas de São João da Lousã, com contributo do pianista Hélder Bruno Martins na letra e na composição.

Ainda na Lousã, no Talasnal, a empresa Naturxisto gere a Casa Princesa Peralta e a Casa Lausus, com capacidade para 15 hóspedes.

E deixemos então duas versões desta lenda uma delas a relatada por Kalidas Barreto 

I

Conta a lenda que existia um reino poderoso cuja capital era Colimbria. EI-Rei Arunce era dono e Senhor, reinando um tanto despóticamente e para melhor manter o poder, desarmara o povo que vivia na maior miséria. 

 Na corte, porém, o fausto era imenso e as festas e recepções sucediam-se ante o gáudio das damas que a isso muito eram dadas. 

 Entre as damas salientava-se Peralta, não só por ser filha do rei mas porque era donzela dotada de grandes formosuras. 

 A Sertório, o famoso guerreiro, não lhe desmereciam os encantos da bela Princesa e não se descuidava, mandando mensageiros. Também na corte eram muitos os pretendentes. Porém, a todos, Peralta, desiludia. 

 E os tempos foram correndo na corte entre caçadas reais e orgias faustosas, sem qualquer espécie de interesse ou cuidado pelo culto das divindades. 

 Enquanto que na terra reinava o descontentamento entre os fidalgos, nas alturas os deuses demonstravam cada vez maior aborrecimento pelos desvarios da juventude. 

 Foi então que Vénus, a mais inquieta e ofendida de todas as divindades, resolveu vir ver com os seus próprios olhos o que se passava. E transformando-se em velha, apresentou-se na corte de Colinibria sob andrajosas vestes. Fàcilmente se conseguiu insinuar e aproveitou para dar longos conselhos, plenos de experiência, às levianas donzelas da corte.

 Foi porém sempre escutada com ares de mofa e de impensada tolerância pretendendo as damas servir-se da profunda ciência oculta de que a velha parecia possuída para lhes desvendar os corações dos enamorados. 

 Isto muito agastou a feiticeira que ali mesmo jurou vingar tanta loucura e sacrilégio. 

 E o certo é que passadas poucas luas foi o reino poderoso invadido e transformado em humilhante escravatura. 

 Não teve EI-Rei Arunce força para corresponder aos ataques inimigos, retirou-se ràpidamente em busca de reforços.  Mandou, entretanto, Peralta e o seu séquito para um castelo que possuía nas faldas das montanhas da Lousã. 

 Ali se passaram tediosos dias até que um raio de esperança os veio acalentar. 

Como por encanto aparecera naquelas paragens um mago, o poderoso Estela. 

 Este, mais não era que o enviado de Sertório que não desistindo dos seus intentos, a todo o transe procurava casar com Peralta. 

 A argúcia e natural habilidade do feiticeiro breve o fizeram insinuar no castelo e à custa das suas demonstrações e inteligentes argumentos conseguiu convencer Peralta que El-Rei a esperava em Sertago, à frente dum poderoso exercito. 

 Os verdes anos da Princesa, a despeito dos prudentes conselhos da sua fiel aia, Antígona, e do velho Tibério, fàcilmente se enredaram em tão agradável aventura. 

 Assim, e sob as indicações do hábil Estela, imediatamente se aprestaram os preparativos para a jornada. 

 Desta forma todo o séquito acompanhou a Princesa guiado sempre por Estela e assim chegaram aos cimos da serra e a foram atravessando. 

 Jornada de tal jaez era porém demasiada para a debilidade da velha Antígona. Uma trovoada imensa obrigou-os a acoitarem-se numa gruta e ali faleceu a fiel Antígona. 

 Desditosa, Peralta, chorou imensamente a morte da companheira e quase desistiu de tão tormentosa viagem. 

 Sobre a sepultura da pobre aia se colocou uma lage com a seguinte inscrição: «ANTIGONA DE PERALTA AQUI FOI DA VIDA FALTA». 

 E a jornada continuou. 

 A Princesa fizera entretanto voto de mais não comer nem beber pelo que muito foi o espanto dos acompanhantes quando a insistência de Estela que lhe perguntava se queria água, lhe respondeu: VOLO!

 Prosseguindo, mais animada, na jornada, avançavam a caminho da almejada Sertago. 

 Porém Vénus vigiava a caravana e resolve acabar com tanta desdita. Envia um poderoso raio que transforma os acompanhantes em montanhas e a bela Peralta numa formosa sereia que ficou vivendo nas águas que brotavam da serra onde ficara para sempre Antígona. 

 E conta a lenda que esse raio poderoso desfez igualmente a lápide onde para a posteridade apenas ficava da primitiva inscrição, a seguinte apagada legenda: 

ANTIG…A DE PERA…..

 E dos sítios onde Peralta disse «VOLO» nasceu o Bolo, enquanto das das paragens onde existia o túmulo, surgiu Pera. 

 E de toda esta lenda maravilhosa nasceu CASTANHEIRA DE PERA.

Source

BARRETO, Kalidás Monografia do Concelho de Castanheira de Pera ,

A Princesa Peralta é a personagem principal de uma lenda diretamente relacionada com o castelo de Arouce (Lousã). 

Reza a lenda que Peralta era filha de Arunce, um rei mouro de Conimbriga que terá mandado erguer o castelo da Lousã. 

A fortificação, localizada nas entranhas da serra, entre cerrados arvoredos povoados por feras, proporcionava um ótimo local de refúgio, em caso de necessidade. E foi isso que aconteceu, quando, inesperadamente, Conimbriga foi atacada pelo príncipe cristão Lausus. 

De imediato, Arunce decide fugir, trazendo consigo Peralta e todas as suas riquezas para aqui.

Porém, o rei não esperava que, no momento da fuga, a sua filha trocasse olhares com o príncipe Lausus e que, com isso, os dois se enamorassem. 

Lausus desconhecia o lugar onde Peralta se refugiara e embrenhou-se pelas serras à sua procura. Arunce, sabendo disso, partiu no seu encalço. Esse encontro resultou na morte dos dois e como ninguém sabia onde era o refúgio da princesa, ela acabou por ficar aprisionada no castelo. 

Em memória disso, Lausus terá dado origem ao nome da Lousã e Arunce dado o nome ao rio envolvente ao castelo (Arouce). 

Quanto à princesa, reza a lenda que ainda hoje, de vez em quando, se consegue ouvir o soluçar apaixonado da jovem Peralta à espera pelo seu príncipe. 

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