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O paradoxo da esquerda no Brasil

por Carolina Rodrigues

Após 100 anos, o Ford decide fechar suas portas no Brasil e vai para Argentina, deixando cerca de 5 mil trabalhadores desempregados.

O Banco do Brasil, depois de aprovar plano de reorganização para ganhos de eficiência, informa o fechamento de 112 agências e 5 mil desligamentos.  São mais 10 mil desempregados em um momento em que o desemprego bate recorde no país e atinge 13, 1 milhões de pessoas.

Enquanto isso, a esquerda militante da internet  tem múltiplos orgasmos com o estrondoso sucesso de “Amarelo”, documentário do rapper Emicida, e com o recém lançado “Anitta: Made in Honório”, série documental que conta a trajetória da funkeira. Atravessados pela realidade periférica e negra,  Emicida e Anitta são elevados à categoria de representantes de pautas identitárias por parte da esquerda de visão tacanha.  

Incapazes de perceber que as pautas identitárias são o novo filão do mercado, essa parte da esquerda tem flertado com a lógica neoliberal, que é justamente aquela que tem jogado trabalhadores negros e periféricos na vala do esquecimento. No que tange aos documentários de Emicida e Anitta, embora assumam uma perspectiva aparentemente progressista, acabam por reproduzir um discurso muito caro ao neoliberalismo: o da meritocracia – aquele que diz que com muito esforço e trabalho todos são capazes de prosperar.
Há muito tempo o capitalismo tem demonstrado sua capacidade em absorver pautas importantes como o feminismo, o antirracismo, questões LGBTQI + e até questões ecológicas. Com discursos de “empoderamento” empresas têm aumentado  exponencialmente seus lucros ao usar pautas identitárias. Míopes à essa realidade, setores importantes da esquerda insistem em pautar o debate político atual por essa lógica e se afastarem daquilo que realmente importa: a luta da classe trabalhadora. O que esses setores da esquerda tem conseguido, portanto, é o fortalecimento do neoliberalismo e a manutenção da ideologia dominante; o que representa, em suma, o maior paradoxo da esquerda brasileira: o afiançamento do bolsonarismo. 

Por: Carolina Rodrigues 

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