Home Covid-19 O Covid-19 a irresponsabilidade individual a empresarial e as crises! Nada de passos de tartaruga!

O Covid-19 a irresponsabilidade individual a empresarial e as crises! Nada de passos de tartaruga!

por Joffre Justino

Hoje entre Campo de Ourique e os Olivais cruzei-me com 39 pessoas a passear, literalmente, nas ruas e sem máscara! Carros foram às centenas e quase todos casais em ar de passeio!

Qual o espanto em termos mais 111 mortes e 9.478 novos casos de Covid-19 em Portugal? 

Ou 3.555 doentes internados, e com 540 nos cuidados intensivos?E  confirmadas 7 701 mortes devido à Covid-19 em Portugal, mais 111 do que no último boletim epidemiológico da Direção-geral de Saúde (DGS)? 

Até hoje o número de pessoas infetadas pela doença já chegou às 476.187, mais 9.478 nas últimas 24 horas com este momento, 3.468 casos ativos e 366.080 pessoas conseguiram recuperar, 5 899 nas últimas 24 horas havendo 113 526 pessoas em vigilância pelas autoridades de saúde, mais 4 365 do que no balanço anterior.

A maior parte dos novos casos situa-se na região Norte, 3.377, seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo, com 3.009 novos casos, o Centro, 2.074 casos, o Alentejo, 582 casos, o Algarve, 326, os Açores, 67, e a Madeira, 43. 

O total das 111 mortes contabilizadas desde sexta-feira, distribuem-se 44 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 29 no Norte, 25 no Centro, 11 no Alentejo e duas no Algarve.

A maior incidência de casos verifica-se entre os 20 e os 59 anos. Foram diagnosticados com infeção pelo novo coronavírus 261.901 mulheres e 214.122 homens.

Entretanto o Índice de transmissão da Covid-19 começou claro a disparar logo a 26 de dezembro ( basta ter andado nas compras de Natal para o perceber ao que se deve acrescentar os almocinhos e jantarinhos de Natal …) isto segundo o Instituto Nacional de Saúde que fala num “aumento acentuado” em poucos dias.

O aumento do índice de transmissão da Covid-19, ou Rt, começou a 26 de dezembro. 

O novo balanço semanal do INSA, sem os recordes dos últimos três dias, na zona dos 10 mil casos diários, revela aquilo um “aumento acentuado” deste índice em poucos dias, passando de 0,98 a 25 de dezembro para 1,19 a 30 de dezembro – último dia avaliado neste relatório.

O Rt esteve acima de 1 durante 107 dias, desde o início de agosto até meio de novembro, altura em que começou a descer até chegar abaixo dessa barreira, “numa fase de decréscimo sustentada da incidência de infeção por SARS-CoV-2”.

O Rt nacional registado agora pelo INSA é de 1,19, pelo que cada 100 infetados com covid estão a contagiar outras 119 pessoas.

Em apenas seis dias, logo a seguir ao Natal, o índice passou de 0,98 para 1,19 o que, num aumento de 21,4%.

O INSA mostra que todas as regiões do país têm o Rt claramente acima de 1, com destaque para o Alentejo, 1,29, os Açores e o Algarve. ambos com 1,24, Lisboa e Vale do Tejo, Centro e Madeira registam 1,21 e o Norte, que nos últimos dois meses tinha sido o epicentro da pandemia, fica-se pelos 1,15.

E neste contexto, finalmente,  a Autoridade para as Condições do Trabalho, ACT, realizou uma ação de fiscalização para verificar o cumprimento do teletrabalho e do uso de máscaras no local de trabalho tendo detetado 738 situações irregulares, diz-nos o Ministério do Trabalho.

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A operação de fiscalização, realizada a nível nacional, levou os inspetores da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) a 1.050 entidades empregadoras, ( 0,78 casos por empresa visitada o que confirma a nossa tese do elevado risco de covid-19 nas organizações) envolvendo 40,8 mil trabalhadores, numa média de 39 trabalhadores por empresa o que lamentavelmente mostra que se pouparam as muito grandes, grandes e médias empresas! 

Um comunicado deste sábado do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social adianta que, das 738 situações irregulares detetadas, “foram corrigidas 88% dessas situações” até esta data.

“Entre as 738 infrações, aquelas que foram mais frequentes estiveram relacionadas com a exposição a agentes biológicos, com prescrições mínimas de segurança no local de trabalho ou com o regime de teletrabalho obrigatório”, refere o comunicado.

Claro que nada é dito sobre as Comissões de Saude Higiene e Segurança no Trabalho nas referidas empresas… o habitual escondido escândalo! 

No decurso desta ação de fiscalização, que envolveu 247 inspetores de todo o país foram adotados um total de 1.366 procedimentos inspetivos (figura onde se incluem autos de advertência ou notificações, por exemplo).

No  referido comunicado,salienta -se que a ação “foi direcionada para entidades empregadoras com base em indicadores de risco de incumprimento ou em denúncias”, especificando que do total de empresas visadas, 29% são de grande dimensão, 42% integram a categoria de pequenas e médias empresas e 29% são microempresas.

O distrito de Lisboa foi o que concentrou a maior número de empresas fiscalizadas. 52%, e depois os distritos de Setúbal e Porto, os 2 com 13%, Braga com 12%. Coimbra, Aveiro e Farox cada um com 6%.

O comunicado refere também terem dado entrada na ACT 655 pedidos relativos à aplicação do teletrabalho obrigatório, tendo já sido concluídos 88% destes processos.

Entre as novas medidas de restrição adotadas no início de novembro para conter a pandemia de covid-19, está a obrigatoriedade de “adoção do regime de teletrabalho, independentemente do vínculo laboral, sempre que as funções em causa o permitam e o trabalhador disponha de condições para as exercer”.

Os empregadores deverão comunicar por escrito aos trabalhadores quando entenderem ser inviável o recurso ao teletrabalho, e estes podem pedir a verificação por parte da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), que terá a decisão final.

Numa conferência de imprensa em 21 de novembro o primeiro-ministro referiu ser intenção do Governo aumentar as ações de fiscalização ao cumprimento do teletrabalho, tendo adiantado na altura que se verificava “um grande incumprimento” em casos em que este tipo de trabalho é possível o que como vemos se contata que os serviços do Estado andam a passo de tartaruga e não de lebre! 

Enquanto as entidades empregadoras, sindicais sociais ou estatais não entenderem o risco que se vive na laboração organizacional não haverá combate efetivo a esta pandemia e a solução passa por- diversificação dos horários de trabalho, redução dos horários de trabalho e inserção das Comissões de Saúde Higiene  e Segurança no Trabalho no combate ao Covid-19 ! 

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