Home Angola As Oposições fazem-se em “n” movimentos

As Oposições fazem-se em “n” movimentos

por Joffre Justino

Porquê publicar um texto político assumidamente anónimo? 

Porque é um texto dirigido a pessoas que vivem maioritariamente nas piores condições que se possa imaginar. 

Porque é um texto feito para  um país que vive em quase ditadura e onde a repressão sobre manifestações de cidadãs e cidadãos é tão violenta que até choca o PR do país.

Por isso e lembrando que repudiamos o fascismo  em Portugal, também repudiamos o quase fascismo em Angola e publicamos este anónimo texto. 

PATRIOTAS ANÓNIMOS

APELO

Somos Patriotas Anónimos Angolanos, maioritariamente sem filiação partidária, que ao longo dos anos de independência trabalhamos, por e para Angola, com dedicação, responsabilidade e integridade.

Fomos nós que, nos tempos duros de guerra, nas frentes de combate e na retaguarda asseguramos, com enormes sacrifícios, a sobrevivência da Nação. Não fizemos correrias aos partidos, não nos batemos por benefícios materiais e vivemos as dificuldades daqueles tempos, com Angola e com os Angolanos. O exclusivismo do regime político vigente, reservava as benesses para as clientelas partidárias e para alguns eleitos incrustados na máquina burocrática do Partido-Estado do  MPLA, o que ainda acontece de forma aviltante. Muitos de nós fomos vítimas de exclusão, discriminação e perseguição política devido ao espírito independente, e por não pactuarmos com as injustiças e os vícios do regime. 

Chegados a esta encruzilhada dramática da nossa existência colectiva, com o País e os angolanos exangues e com sombrias perspetivas de futuro,   tomamos conhecimento, com indignada tristeza, da decisão do CC do MPLA reconduzir burocraticamente o actual Presidente como candidato do Partido às eleições gerais de 2022. Sem entrar nos méritos da decisão, dela decorre, no entanto, a razão de ser deste Apelo, dirigido fundamentalmente aos militantes do MPLA e aos Angolanos, em especial àqueles que nele votaram, convictos da força moral e legitimidade da nossa ingerência e exigência de mudança.

O Apelo dos Patriotas Anónimos  aos militantes do MPLA é de que não permitam que a direcção do vosso Partido se substitua à vontade soberana dos militantes. Exortamos a que exijam um debate democrático dentro do Partido, de balanço dos méritos da presidência de João Lourenço e de estratégias de  mudança da prática política, consagrando o pluralismo e o direito inalienável das bases elegerem os seus dirigentes, particularmente o seu dirigente máximo, num processo de debate aberto a outras  candidaturas. A especificidade defendida pelo MPLA é anacrónica, antidemocrática e reaccionária: apenas serve interesses obscuros e arranjos da direcção partidária e da elite política instalada. Este modelo é uma raridade, em África e no mundo, exceptuando casos como a Coreia do Norte ou Guiné-Equatorial, e outras ditaduras travestidas em democracias de fachada.  

O MPLA  concretizou a sua vocação irreprimível de Partido-Estado. Isso implica que o que ali  ocorre  diz respeito a todos os angolanos, o que reforça a razão de ser e a legitimidade  do  nosso Apelo aos militantes do MPLA, para que corajosamente se imponham à burocracia do vosso Partido numa questão elementar de integridade e decência política. Ganhará o País, ganhará o Partido e conferirá maior legitimidade e responsabilidade aos eleitos. Através de um acto aberto aos militantes, e mesmo aos simpatizantes filiados, a escolha do Presidente do MPLA, candidato à presidência da República, deverá ser sufragada pela massa militante, e não imposto pela burocracia partidária, antes de proposto à legitimação do voto da Nação como Presidente de todos os angolanos.

O nosso Apelo aos Angolanos vai no sentido de nos mobilizarmos energicamente na luta pela escolha democrática do Presidente do MPLA, expectantes que o MPLA salvaguardará a democracia e o respeito pelos cidadãos na governação do País. O Estado é património de todos os cidadãos, pelo que  a nossa diligência e pretensão tem plena legitimidade política e foros de cidadania. Em consequência, gostaríamos de deixar a mensagem inequívoca de que não votaremos  no MPLA nas eleições de 2022, se a sua prática política não mudar, entretanto. A questão primordial a resolver é que o MPLA realize eleições plurais, abertas e democráticas, a exemplo das outras formações políticas em Angola, para a escolha do seu Presidente, mais do que provável futuro Presidente da República, no  quadro constitucional e eleitoral vigente.

Não podemos continuar a permitir que a burocracia do MPLA, partido que se arvora em património do povo angolano, se substitua à massa militante do Partido, e que continue a passar atestados de menoridade aos cidadãos angolanos.

Se és Patriota Anónimo e estás de acordo com o teor deste Apelo subscreve-o e partilha. Comenta-o, dá sugestões e ideias para juntos, e em permanência, formularmos estratégias e tácticas de pressão sobre o MPLA/Partido-Estado, dentro do quadro institucional, para que se reforme e liberte o povo angolano das amarras da sua vontade autocrática.

Outros combates virão!

Patriotas Anónimos Angolanos

Luanda, 1 de Janeiro  de 2021

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