Home Covid-19 A vacinação anti covid-19 nos países pobres e a desigualdade à vista

A vacinação anti covid-19 nos países pobres e a desigualdade à vista

por Nardia M

Seguindo os media brasileiros, entre eles o 247, se percebe que a distribuição assimétrica das vacinas vai tornar pior este mundo desigual em que vivemos e mais que nunca, como vimos aliás com a antecipaçào da vacinação na Alemanha.

Assim os países pobres continuarão a ser devastados pela pandemia, e serão forçados a gastar seus recursos escassos, e já sobrecarregados por dívidas crescentes.

Esta economia global nasceu e cresceu dividida por profundas disparidades em termos de riqueza, educação e acesso a elementos vitais, como água potável, eletricidade e até a internet. 

Entretanto o covid-19  gerou mais morte e destruição dos meios de subsistência nas minorias étnicas, nas mulheres e nas familias  de baixo rendimento e gerará mais divisão o que tenderá moldar a vida econômica por anos fora, separando os países que têm acesso às vacinas daqueles que não têm.

E se as organizações humanitárias, filantropos e as nações ricas se uniram na promessa de garantir que todos os países tenham as ferramentas necessárias para combater a pandemia, como equipamentos de proteção para equipes médicas, testes, medicamentos e vacinas fracassaram em escorar estas suas garantias em dinheiro suficiente para as concretizar,  segundo o Estado de S. Paulo.

Um relatório divulgado no dia 9 de dezembro pela People’s Vaccine Alliance denunciou que cerca de 70 países pobres ou em desenvolvimento só conseguirão vacinar 10% das suas populações durante o próximo ano, pois a maioria dos produtos mais promissores, entre elas a da Moderna, da Pfizer e da Astrazeneca, já foram na totalidade imediata  comprados pelos países ricos.

Na verdade os países da Europa, os Estados Unidos e a maioria dos países do Leste Asiático, já compraram milhões de doses de vacinas contra a covid-19 e preparam os planos de vacinação para as populações. 

Mas os países mais ricos, ou pelo menos com capacidade para comprar doses suficientes das vacinas e proteger a população da covid-19, representam apenas 14% da população mundial e já detêm 53% das vacinas mais promissoras.

Diz este relatório que  as nações mais ricas compraram doses em numero  suficiente para vacinar toda a população quase três vezes até o fim de 2021, se todas as vacinas atualmente em testes clínicos forem aprovadas.

Os Estados Unidos garantiram contratos para até 1,5 bilhão de doses de vacina, enquanto a União Europeia bloqueou quase 2 bilhões de doses – o suficiente para vacinar todos os seus cidadãos e bastantes mais. 

Entretanto um grupo de países em desenvolvimento liderado pela Índia e a África do Sul o segundo e o 18.o dos mais afetados pelo Covid tenta aumentar a oferta de vacinas procurando fabricar as suas próprias doses, em parceria com as empresas farmacêuticas que produziam as versões principais. 

E  numa tentativa de garantir um maior equilíbrio, este grupo propôs que a Organização Mundial do Comércio, OMC, renunciasse às tradicionais proteções à propriedade intelectual, permitindo que os países pobres fizessem versões acessíveis das vacinas.

Como a OMC opera por consenso e como a proposta foi barrada por Estados Unidos, pela Grã-Bretanha e pela União Europeia, onde as empresas farmacêuticas exercem influência política perderam a oportunidade de criarem as suas vacinas. 

Segundo as farmacêuticas as proteções de patentes e os lucros que elas proporcionam são uma condição necessária para a inovação que permite a produção de medicamentos que salvam vidas.

“A maioria das pessoas do mundo vive em países onde dependem da Covax para ter acesso às vacinas”, disse Mark Eccleston-Turner, especialista em direito internacional e doenças infecciosas da Universidade Keele, na Inglaterra. “É uma falha de mercado extraordinária. O acesso às vacinas não se baseia na necessidade. É baseado na capacidade de pagamento, e a Covax não corrige esse problema”, sendo a tal Covax o mecanismo de obtenção de vacinas.

A 18 de dezembro, os líderes da Covax anunciaram um acordo com empresas farmacêuticas cujo objetivo era fornecer aos países de baixo e médio rendimento quase 2 bilhões de doses de vacinas. 

Este acordo, baseia-se em vacinas candidatas que ainda não foram aprovadas, e que forneceriam doses suficientes para vacinar um quinto das populações dos 190 países participantes até o final do ano que vem.

O que como se vê se baseia no hipotético surgimento dessas vacinas com qualidade para o uso e mesmo assim deixando de fora 4/5 da população dos países pobres 

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