Home BREXIT E nesta saída do Reino Unido… o Tratado de Methuen …? Ou os que dividiram o Dia da Vacinação europeia…

E nesta saída do Reino Unido… o Tratado de Methuen …? Ou os que dividiram o Dia da Vacinação europeia…

por Joffre Justino

Na sua fase de primeira expansão o Reino Unido soube bem aproveitar-se da mentalidade despesista da lusa elite de então educada nos “sãos e santos valores” da inquisição… e assim nasce o Tratado de Methuen, conhecido ainda como o Tratado dos Panos e Vinhos.

Este tratado foi assinado entre a Inglaterra e Portugal a 27.12.1703 e os seus negociadores foram o embaixador extraordinário britânico John Methuen em nome da rainha Ana da Grã Bretanha e Manuel Teles da Silva marquês de Alegrete claro um grande produtor de vinho

De partida, vale salientar que as relações comerciais entre Portugal e Inglaterra estavam enfraquecidas pelo fato das exportações portuguesas para aquele país terem sido substituídas por produtos coloniais ingleses, como o tabaco e o açúcar mas na verdade este tratado foi muito desfavorável à economia portuguesa e bastante favorável aos ingleses, posto que foi uma das bases da  Revolução Industrial na Inglaterra

De facto expandindo a produção têxtil deste país e as exportações de manufaturados, enquanto estrangulou a incipiente manufatura portuguesa, (sendo de acentuar que o Portugal do séc XVIII não era bem o Portugal do séc XXI) pois era ainda à época uma potencia militar mesmo que perdida a Invencível Armada e neste plano o que resultou foi a integração militar de Portugal à Grande Aliança, com a Áustria e a Inglaterra para fazer frente à França e Espanha.

Na realidade o que ficou mais conhecido foram os termos comerciais do tratado, que eram – os britânicos reduziriam as tarifas de importação dos vinhos portugueses, enquanto os mesmos abririam seu mercado aos têxteis britânicos, especialmente os lanifícios, muito superiores aos produzidos  em Portugal.

E releve-se que a procura inglesa por vinhos era muito menor do que a portuguesa por tecidos, relação causou um desequilíbrio na balança comercial lusitana.

Vale dizer que os apenas três artigos fazem-no ser o texto mais reduzido da história diplomática europeia,

I. Sua Majestade ElRey de Portugal promete tanto em Seu proprio Nome, como no de Seus Sucessores, de admitir para sempre daqui em diante no Reyno de Portugal os Panos de lãa, e mais fábricas de lanificio de Inglaterra, como era costume até o tempo que forão proibidos pelas Leys, não obstante qualquer condição em contrário.

II. He estipulado que Sua Sagrada e Real Magestade Britanica, em seu proprio Nome e no de Seus Sucessores será obrigada para sempre daqui em diante, de admitir na Grã Bretanha os Vinhos do produto de Portugal, de sorte que em tempo algum (haja Paz ou Guerra entre os Reinos de Inglaterra e de França), não se poderá exigir de Direitos de Alfândega nestes Vinhos, ou debaixo de qualquer outro título, directa ou indirectamente, ou sejam transportados para Inglaterra em Pipas, Toneis ou qualquer outra vasilha que seja mais o que se costuma pedir para igual quantidade, ou de medida de Vinho de França, diminuindo ou abatendo uma terça parte do Direito do costume. Porem, se em qualquer tempo esta dedução, ou abatimento de direitos, que será feito, como acima he declarado, for por algum modo infringido e prejudicado, Sua Sagrada Magestade Portugueza poderá, justa e legitimamente, proibir os Panos de lã e todas as demais fabricas de lanificios de Inglaterra.

III. Os Exmos. Senhores Plenipotenciários prometem, e tomão sobre si, que seus Amos acima mencionados ratificarão este Tratado, e que dentro do termo de dois meses se passarão as Ratificações.

(In Wikipedia) 

O impulso agrícola para o cultivo de uva prejudicou na sua ganância a produção de gêneros alimentares em Portugal, uma vez que o foco era a produção de vinho mas sobretudo gerou um gravíssimo processo de alcoolização generalizada no país enquanto que os produtos têxteis ingleses inundavam  e dominavam o mercado português, impedindo-os de desenvolver atividades industriais e de manufatura para dinamizar a sua economia.

E assim  o desenvolvimento industrial português durante o século XVIII foi duramente prejudicado gerando  um ciclo vicioso no qual a dependência de Portugal em relação à Inglaterra só aumentava, uma vez que os lusitanos se viam obrigados a recorrer à importação inglesa sob altos preços.

Claro que os portugueses nesta gestão monarco-inquisitorial foram acumulando dívidas déficit somente equilibrado em Portugal pela extração do ouro e as pedras preciosas do Brasil, riqueza esta que ia diretamente para os cofres ingleses. 

Na segunda metade do século XVIII, o marquês de Pombal ainda tentou implementar medidas econômicas para reverter esta situação, mas sem muito sucesso dado o monarco-inquisitorial anti económico despesismo 

( in TodaMateria)

No século XVIII, Portugal encontrou em terras brasileiras a primeira riqueza que instigava a realização das grandes navegações: os metais preciosos. Além de atender a uma antiga expectativa, a exploração da economia aurífera do espaço colonial poderia determinar a recuperação econômica lusitana, bem como a dinamização de uma economia que se encontrava gravemente enfraquecida pelos anos de dominação espanhola e a grave crise açucareira que atingiu o Brasil no século anterior.

Contudo, contrariando a essa possibilidade, observamos que a riqueza retirada do Brasil e enviada a Portugal não resultou nesse processo de recuperação. Pior do que isso, a extração aurífera veio reforçar a dependência econômica que os portugueses tinham em relação ao espaço colonial brasileiro e, na medida em que o ouro se escasseava, a crise econômica lusitana voltava a se fortalecer.

A vigência deste acordo na ganância típica da elite absolutista inquisitorial levou a que boa parte dos produtores agrícolas de Portugal utilizassem as suas terras cultiváveis para a produção de vinho pois a disponibilidade do mercado inglês na base deste tratado garantia um bom lucro aos produtores ainda que impedisse que a economia portuguesa se voltasse para o desenvolvimento de outras atividades que pudessem dinamizar a sua economia ate porque  a procura portuguesa por tecidos era bem maior que a riqueza produzida pela venda do vinho à Inglaterra. 

Desse modo, os portugueses acumularam grandes dívidas geradas pela necessidade crescente de se consumir os produtos ingleses manufaturados ainda que esse déficit fosse parcelarmente resolvido  com o envio das barras de ouro e de pedras preciosas extraídas no Brasil sendo essa riqueza colonial brasileira quem escondia a deficiência económica de sua metrópole.

Tais  efeitos complexos é essencialmente negativos gerados com o Tratado de Methuen foram claro criticados por diversos estudiosos que percebiam o impasse gerado começando pelo marquês de Pombal, que impôs medidas reverter essa situação mas que o desinteresse da aristocracia portuguesa travou pondo em causa o seu projeto de modernização económica

E agora saindo Portugal da órbita britânica quiçá anglofona ( portanto americana) que virá a suceder a este país já não um império e com uma população que saltou do império para este europeísmo sem estratégia?

Na verdade o cavaquistão re-habituou os portugueses já não à dependência colonial mas sim aos “fundos comunitários” que aliás a lusa elite delapida à mesma velocidade que manteve para delapidar os ouros os diamantes e os petróleos daqueles que raro ( talvez tirando Luis de Camões e um pouco Afonso Costa Norton de Matos e alguns republicanos) quis como seus  … 

E recordemos que para cúmulo tudo sucede no meio de uma pandemia onde a Alemanha e seus satélites se dão ao luxo de deixando de lado a mística da unidade vacinando toda a UE no mesmo dia decidem antecipar essa vacinação mostrando assim o seu respeito pela sacrossanta “unidade europeia” ! 

Enfim saltamos de uma dependência para outra?  Assim a seco? 

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