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Este Natal estranho (2)

por Joffre Justino

Era eu miúdo e quem nos trazia as prendas era o “menino Jesus”  mas algo entre natais mudou ao ponto de passar a ser este barbudo a trazer-nos as prendas natalícias e como em Africa não havia chaminé mais pela porta das traseiras mas na verdade a certeza de as prendas vinham dos pais ja tinha sido por eles confirmada pelo o pai natal era só uma gracinha natalicia..

Até claro ao dia em que os filhos nasceram e começaram em novembro a contar os dias para a chegada do Pai Natal..  

Descobri ainda não pai que o pai natal era tão tão comercial que comecei a sentir que o Natal valia pelo juntar a Família e claro pelas prendas ! Enfim sem o saber transformei o Natal no Dia da Famílias como era a proposta dos Republicanos anos 10 do século XX quando decidiram pôr fim aos feriados religiosos!

Mas como é que uma Festa religiosa comemorativa do nascimento de Jesus Cristo se transforma num evento tão absolutamente comercial? 

Na verdade tudo começou com a Saturnália um Festival religioso de Roma trazido para o cristianismo com a transformação desta religiao das catacumbas em religiao de estado de Roma tendo os bispos de então aceite integrar umas comemoracoes pagãs na ideia da comemoração do nascimento de Jesus Cristo alterando um ignorado setembro numa  festiva comemoração do deus Saturno 

Este era homenageado festivamente entre 17 de dezembro  e o 25 de dezembro no calendario juliano com festividades que iam de um banquete publico à troca como hoje de presentes e em uma semana em estilo carnavalicio derrubavam-se as normas sociais romanas com os senhores a oferecerem o serviço de mesa aos seus escravos.

Mas claro a integração pagã foi feita com tudo a girar ainda à volta do Nascimento de Jesus Cristo esse revolucionário que se sentava bem tanto numa boa mesa como numa conversata no chão amigo talvez com um jarrito de barro cheio de vinho esse seu primeiro milagre!

Ora na verdade é a Coca‑Cola também uma bebida já bem popular nos EUA na década de 1920, mas muito apreciada principalmente no verão que para dinamizar  as vendas nos meses mais frios, via primeiro Archie Lee, da agência de publicidade D’Arcy, cria o slogan “A sede não conhece tempo nem estação”, que faz surgir os primeiros anúncios com um Pai Natal ainda que muito diferente do que é hoje.

Entretanto em 1930, a Coca‑Cola começou a espalhar via o artista Fred Mizen, um homem vestido de Pai Natal a beber uma Coca‑Cola num centro comercial, com um ar muito mais alegre so que o ensaio não conseguiu tornar o Pai Natal como uma personagem forte na venda da Coca-Cola 

É em 1931, que a agência D’Arcy contrata  o ilustrador Haddon Sundblom para criar uma série de anúncios de Natal para a Coca‑Cola e então nasce o Pai Natal com uma imagem amigável e jovial baseando -se Sundblom no São Nicolau de Mira, também conhecido como São Nicolau de Bari, que é o santo padroeiro da Rússia, Grécia e da Noruega, o patrono dos guardas noturnos na Armênia e dos coroinhas na cidade de Bari, na Itália, onde estariam sepultados seus restos. 

As imagens originais do Pai Natal, variam consideravelmente, mas nenhuma se parece muito com o senhor velhote de barba branca e de faces rosadas que inunda os comerciais e por isso  vemos espalhado por todo o lado especialmente em dezembro.

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Os restos mortais deste bispo greco-russo-arménio, que viveu no III e IV séculos, estão em Bari, Itália e quando a cripta da Basílica de São Nicolau foi restaurada nos anos 50 do século passado, os ossos e crânio do santo foram documentados com fotografias em raio X e milhares de medições detalhadas.

Então Caroline Wilkinson, uma antropóloga facial da Universidade de Manchester (Inglaterra), utilizou a informação e software atual de simulação para criar uma reconstrução moderna do homem morto há já muito tempo e colocou um rosto humano no homónimo original do Pai Natal – um rosto com um nariz gravemente partido, possivelmente causado pela perseguição dos Romanos aos cristãos, sob a égide do imperador Diocleciano, enfim nada natalício.

“Estamos sujeitos a ter perdido algum nível de detalhe que teríamos se trabalhássemos a partir de fotografias, mas acreditamos que isto é o mais próximo que alguma vez conseguiremos estar dele”, disse Wilkinson em uma série de duas longas-metragens da BBC. 

Mas como raio é que São Nicolau se tornou neste Polo Nortense que traz presentes de Natal? 

Nicolas não era nem gordo, nem alegre, pelo contrario tinha a reputação de ser explosivo, rijo e um defensor desafiante da doutrina da igreja durante a “Grande Perseguição”, quando as bíblias eram queimadas e os padres eram forçados a renunciar ao cristianismo ou enfrentavam a execução.

Nicolau desafiou estes editais e passou anos na prisão antes de Constantino ter trazido o cristianismo para um lugar de destaque no seu império. 

A fama de Nicolau  foi para alem da sua morte (a 6 de dezembro de algum ano desconhecido a meio do século IV) porque ele esteve associado a muitos milagres e a reverência à sua figura continua até hoje, mesmo para além da sua ligação ao Pai Natal e ficou conhecido entre os santos porque ele era o padroeiro de muitos grupos, que iam desde marinheiros até nações inteiras. 

Entretanto um historiador da Universidade de Manitoba, Gerry Bowler, autor de Santa Claus: A Biography, explica-nos que, por volta de 1200, ele se tornou conhecido como padroeiro das crianças e distribuidor de presentes mágicos por causa de duas fantásticas histórias da sua vida.

No conto mais conhecido, três jovens raparigas são salvas de uma vida de prostituição quando o jovem bispo Nicolau entrega em segredo três sacos de ouro ao seu pai, que estava endividado, para serem utilizados como resgate

“A outra história não é tão bem conhecida atualmente, mas era muito bem conhecida na Idade Média”, esclarece Bowler. Nicolau entrou numa estalagem na qual o estalajadeiro tinha matado três rapazes e feito picles com os seus corpos desmembrados, que guardava em barris na cave. O bispo não só detetou o crime como também ressuscitou as vítimas. “Essa é uma das razões pelas quais se tornou padroeiro das crianças.”

Durantes centenas de anos, de 1200 a 1500, São Nicolau foi o distribuidor de presentes e as suas celebrações faziam- se no  dia da sua morte a 6 de dezembro e este santo severo tinha algumas parecenças com as primeiras divindades europeias, o Saturno romano ou o nórdico Ódin, que apareceu como um homem de barba branca que tinha poderes mágicos, como, por exemplo, conseguir voar. 

Mas depois da reforma protestante, santos como Nicolau deixaram de ser adorados em grande parte da Europa do Norte. “Isso foi problemático”, afirma Bowler. “Ainda ama os seus filhos, mas agora quem lhes irá trazer presentes?”

Bowler disse que, em muitos casos, como na minha familia nada a norte da Europa diga-se essa função recaiu sobre o menino Jesus, e a data foi alterada para a do dia de Natal em vez do dia 6 de dezembro.

Na Holanda, as crianças e as dias famílias recusam-se a abdicar de São Nicolau como distribuidor de presentes e trouxeram com eles  o “Sinterklaas” nome que perdurou nas colónias do Novo Mundo, onde as lendas dos distribuidores de presentes alemães por alguém desgrenhado e até assustador também perduraram.

Nos primórdios da América, o Natal não tinha nada que ver com o feriado moderno que  foi anulado em Nova Inglaterra, e noutros sítios tornou-se um pouco como o advento pagão que outrora ocupou o seu lugar no calendário. “Era celebrado fora de portas, regado a álcool, uma festança com bagunça da comunidade”, explica Bowler. “Foi também nisso que se tornou em Inglaterra. E não existia nenhum distribuidor de prendas mágico.”, mas no seculo XIX uma série de poetas e escritores empenharam-se em transformar o Natal numa celebração da família recontando a história e fazendo renascer São Nicolau.

O livro de 1809 escrito por Washington Irving, Knickerbocker’s History of New York, foi o primeiro a retratar Nicolau como um fumador de cachimbo, elevado em cima dos telhados num trenó voador, a distribuir presentes aos meninos e meninas que se portaram bem e ramos aos que se portavam mal e em 1821, um poema anónimo ilustrado intitulado “The Children’s Friend” (O amigo das crianças) contribuiu mais ainda para a construção do Pai Natal moderno e o associou ao Natal. “Aqui temos finalmente a aparência de um Pai Natal”, afirma Bowler. “Eles pegaram na parte mágica da distribuição de prendas da história de São Nicolau, retiraram-lhe todas as caraterísticas religiosas e vestiram este Pai Natal com as peles dos distribuidores de presentes alemães desgrenhados.”

Essa figura trouxe presentes às meninas e meninos que se portaram bem, mas também trazia uma vara de bétula, referia o poema, que “orientava a mão dos pais para o uso quando o caminho da virtude for recusado pelos seus filhos.” O pequeno trenó do Pai Natal era puxado apenas por uma única rena 

Em 1822, Clement Clarke Moore escreveu “A Visit From St. Nicholas“(“Uma visita de São Nicolau”), também conhecido como “The night Before Christmas”(“A noite de Natal”) para os seus seis filhos, sem nenhuma intenção de contribuir para o novo fenómeno do Pai Natal e este conto foi publicado, de forma anónima, no ano seguinte, e é até hoje este o Pai Natal anafado e alegre que conduz um trenó, puxado por oito renas nossas conhecidas.

Este  poema, ainda deixa muito espaço para a imaginação, e o século XIX viu surgir um Pai Natal vestido de uma cor diferente, em tamanhos que vão desde a miniatura ao tamanho maior, e com um aspeto mais variável. “Tenho uma ótima fotografia dele, na qual se parece com George Washington montado numa vassoura”, afirma Bowler e é só no final do século XIX, que a imagem do Pai Natal se fixou como um adulto de tamanho real, vestido de vermelho com rebordos de pele branca, que se aventura em viagem saindo do Polo Norte num trenó puxado por renas e premeia ou não comportamento das crianças.

O senhor contente, anafado e com cara de avô que é este Pai Natal foi, em grande parte, criado por Thomas Nast  um cartoonista político, numa era em existiam imensos. 

Depois de se estabelecer de forma consistente, o Pai Natal americano sofreu uma espécie de migração reversa para a Europa, substituindo os assustadores distribuidores de presentes e adotando nomes locais como Père Noël (França) ou Father Christmas (Grã Bretanha). “O que ele fez foi domar estas personagens saídas dos contos de fadas dos irmãos Grimm do final da era medieval”, disse Bowler mas com muita controvérsia no meio.

Aparentemente na URSS Estaline seguia Afonso Costa e não gostava do Natal nem do Pai Natal mas antes da revolução soviética, o Avô Gelado (Ded Moroz) era uma figura privilegiada do Natal que adotou as características dos proto-pais-natais, como do Sinterklaas holandês. 

Com a formação da União Soviética, “os comunistas aboliram a celebração do Natal e dos distribuidores de presentes”, disse Bowler, mas anos depois, “…nos anos 30 do século XX, quando Estaline precisou de apoio, ele permitiu a reaparição do Avô Gelado, não como distribuidor de prendas do Natal, mas sim do ano novo”, acrescenta Bowler.

, só que as tentativas sobieticas de deslocar o Natal foram malsucedidas, tal como as tentativas soviéticas de espalhar a versão secular do Avô Gelado, de casaco azul, como forma de evitar confusões na europa com a versão do Pai Natal, “Os soviéticos tentaram substituir os distribuidores de prendas locais em todos os locais onde foram depois da Segunda Guerra Mundial, por exemplo na Polónia ou na Bulgária”, explica Bowler. “Mas os nativos aguentaram até ao colapso da União Soviética, em 1989 e depois disso voltaram às suas antigas tradições.”

O Pai Natal mantém-se como uma figura politizada um pouco por todo o mundo. As tropas americanas espalharam, um pouco por todo o mundo, a sua versão do homem alegre, imediatamente nos anos que se seguiram à Segunda Grande Guerra, e foi bem recebido de forma geral, afirma Bowler, como um símbolo da generosidade americana na reconstrução das localidades assoladas pela guerra.

Hoje depois do Chile da América Latina entregue aos fascistas as pessoas de muitas nacionalidades vêm o Pai Natal e o Natal, na lista dos maus costumes, quer seja porque a figura representa a mercantilização  do Natal em detrimento da figura de Cristo ou simplesmente porque ele não é local. “Em regiões como a República Checa, a Holanda, a Áustria e a América Latina havia fortes tradições de movimentos anti-Pai-Natal porque eles estão a tentar preservar as suas próprias tradições e costumes de distribuidores de presentes, e de as proteger do Pai Natal norte americano”.

Mas o suicídio da URSS que se pode dizer que poupou à Humanidade uma III guerra mundial levou com ele uma boa parte do criticismo ao consumismo e ao mercantilismo do Natal com o Pai Natal ou com este Jesus Cristo a serem marketeers do neo liberalismo seja com produtos ocidentais seja com produtos da comunista China rendida na parte capitalista tanto ao pai natal quanto a esta neo liberal visão de Jesus Cristo 

E assim vivemos ainda por cima em pandemia limitadora do mercantilismo o Natal 2020 onde os pequenos negócios resvalam para a falência em benefício dos muito grandes e grandes 

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