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Revolucionários de todos os tempos (1),

por Joffre Justino

Revolucionários de todos os tempos (1), Giuseppe Garibaldi, o   “Herói de Dois Mundos”, o   “Leão da Liberdade”

Giuseppe Garibaldi é um italiano que por razões familiares nasce  não  na Itália, mas em Nice, França, a 4 de Julho de 1807, 31 anos após a Declaração da Independência Americana e já lá vão 213 anos! 

Este porto marítimo da costa mediterrânea, ajuda a que este homem ganhe o amor pelo viajar mundo fora transportando uma mensagem de liberdade para os povos. 

Seus pais, sendo genoveses, optaram pela nacionalidade italiana para o filho em virtude da direito de sangue.

Garibaldi é hoje conhecido em especial na América Latina como o  “Herói de Dois Mundos” pois participou lutas pela Liberdade tanto  na Itália, como na América do Sul, sendo um dedicado combatente na luta contra a tirania. 

Com 25 anos já era capitão da marinha mercante e já ligado aos ideiais republicanos de Mazzini, e da Carbonária ( instituição enquanto sociedade radical secreta revolucionária fortemente interventiva na Itália, França, Portugal, Espanha, Brasil e no Uruguai nos séculos XIX e XX, nascida na Itália cerca de 1810, ideologicamente ligado a valores patrióticos e radical liberais, e marcadamente anti clericais 

Desde o inicio pugnava pela unificação da Itália, e no seu seio Garibaldi aprendeu os valores revolucionários e de um internacionalismo centrado na liberdade dos povos. 

Nessa experiência revolucionária viveu o  fracasso da insurreição de Génova, tendo ficado com a  cabeça posta a prémio, o que obrigou a sua fuga da Europa.

É no Brasil que Garibaldi aporta no final de 1835 no Rio de Janeiro, e registra no seu diário

“[…] quando apareceu em volta de mim esta natureza luxuriante de que a África e a Ásia só tinham dado uma fraca ideia, fiquei maravilhado com o espectáculo esplêndido que meus olhos contemplavam”.

Vivia-se um Império Brasileiro  em conflito, sobretudo na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, onde havia eclodido a poucos meses a Revolução Farroupilha, ( esta conhecida Revolução Farroupilha, também chamada de Guerra dos Farrapos ou Decênio Heróico (1835 – 1845), rebentou no Rio Grande do Sul e foi a mais longa revolta brasileira) 

Entretanto no Brasil conviviam e conflituavam as duas essenciais linhas maçónicas a de raiz francesa, radical e a de raiz inglesa reformista e mais esotérica, e chegava com a corte portuguesa fugida das invasões napoleónicas sendo que os seus membros influenciavam  as lutas pela  liberdade, seguindo a Revolução Francesa e as independência de vários países latino-americanos, e claro dos EUA e do Brasil. 

Garibaldi chega ao Brasil com a já fundada Loja Maçónica no Rio Grande do Sul, que ocorreu no dia 23 de Novembro de 1831, em Porto Alegre, com o nome de Loja Philantropia e Liberdade tendo como seu primeiro Venerável Mestre, Bento Gonçalves da Silva, líder farrapo e com quem Garibaldi iria combater e entrar para história brasileira como Comandante da Frota Naval Farrapa.

E assim Garibaldi foi o “Almirante Farrapo”, foi dele a façanha de transportar lanchões por terra e enganando os Imperiais. 

Garibaldi terá sido  iniciado na Itália, filiando-se em 1837 na loja irregular “Asilo da Virtude”, do Rio de Janeiro  tendo participado numa loja do Rio Grande do Sul, com o mesmo nome da loja do Rio de Janeiro, a “Asilo da Virtude”, do Rio Grande do Sul, fundada em 1833 e regularizada em 1840, como esteve em 1844, em Montevidéu, na loja “Asilo de la Virtud”, loja irregular criada por norte-americanos exilados, depois regularizado a 18 de Agosto de 1844 pela loja francesa “Les Amies de la Patrie”, fundada em 1827,  regularizada pelo Grande Oriente de França em 1844 e depois integrada no Grande Oriente do Uruguai.

A paixão liga ainda mais Garibaldi ao Brasil por via da jovem Ana Maria de Jesus Ribeiro,sua companheira, guerreira, mãe e enfermeira, que lutou sempre ao seu lado na América do Sul e na Europa; e ganhou lugar  na história com o nome de Anita Garibaldi.

Em 1842, foi nomeado capitão da frota uruguaia na luta contra o ditador argentino Juan Manoel Rosas e em 1843 exerceu um papel central na defesa de Montevidéu, impedindo que a cidade fosse tomada pelos argentinos.

Este  “Leão da Liberdade” em 1848, volta  à Itália para combater os exércitos austríacos na Lombardia (norte da Itália) e dar início à luta pela unificação italiana mas mais uma vez perde na tentativa de expulsar os austríacos e foi forçado a refugiar-se primeiro na Suíça e depois em Nice, sua terra natal.

Garibaldi participou nestes combates com um corpo de voluntários e foi eleito deputado na assembleia constituinte da República Romana.

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Em Março de 1862, surge como Soberano Grande Comendador do Rito Escocês Antigo e Aceite do Grande Oriente de Palermo e depois, pela unificação dos três Orientes existentes em Itália (Nápoles, Turim e Palermo), é eleito Grão-Mestre do Grande Oriente de Itália, na reunião de Florença, dos dias 21 a 24 de Maio de 1867 e em 1872 é nomeado Grão-Mestre Honorário “Ad Vitam” do Grande Oriente de Itália.

Depois de um exílio  pelas Áfricas, nos Estados Unidos e no Peru já sem a sua companheira Anita em 1854, voltou à Itália e participa da segunda Guerra de Independência contra os austríacos participa na conquista da Itália do norte que foi unificada e para o sul conquista  a Sicília e o reino de Nápoles.

Vencedor, Garibaldi retira-se para a ilha de Caprera, no Mar Mediterrâneo e morre em 1882, aos 74 anos. Foi enterrado no próprio jardim e sua casa entrou no mapa dos revolucionários 

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