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Notas soltas sobre a data que pôs fim ao PREC

por João Batista

Na sequência  do texto que publicámos e porque o 25 de novembro é uma data histórica marcante da História recente de Portugal divulgamos este texto de um histórico militante socialista de base!

Estamos em Portugal pouco habituados ao debate, vindo e nas,  bases partidárias onde se alimenta mais o clubismo gerador de sectarismos e de rigidez ideológica quase transformada em religião! 

No Estrategizando temos outra Visão das Esquerdas e do como sarar feridas entre as Esquerdas e por isso publicamos este texto do nosso companheiro de Lides Laicas e Republicanas, o João Batista! 

Mais um ano que passa desta data ‘maldita’ para alguns que, perderam aqui os seus sonhos enquanto muitos concretizaram também os seus sonhos, o de viverem numa sociedade democrática consubstanciada no voto universal e simultaneamente na  construção de uma sociedade progressista e progressiva na área social. Para muitos esta data é facturante e não deve ser comemorada o que eu concordo, mas pode ser lembrada como o estou a fazer.

Continuo livre como sempre e desassossegado com o poder, continuo socialista à minha maneira, demite-me das minhas funções autárquicas quando o PS se aliou ao CDS,  só não sai porque os GIS entraram no partido e já me basta ter sido expulso num  debate interno no meu partido e cortarem-me a intervenção noutro.

Já estou na recta final da vida. Mas orgulho-me desta luta  que com milhares civis e militares conseguimos que se cumprisse o expresso no programa do primeiro MFA a instauração da Democracia,

Conseguimos!

O seu desenvolvimento é uma obrigação de todos os cidadãos.

 Tu avanças sempre e não recuas

Quando se ergue a hora da ameaça

Mesmo que tenhas de morrer nas ruas

Mesmo que tenhas de morrer na praça

Porque não estás só mas continuas

Todos os que lutam e lutaram

P’ra que não haja grades nem mordaça

Porque não estás só mas continuas

E os outros unem as suas mãos às tuas

P’ra que um mundo mais justo e livre nas nasça

Connosco a poesia está nas ruas.

Este poema de Sofia dedicada aos militantes socialistas em maio de 75 pela sua coragem de estar sempre nas ruas a lutar pela liberdade e travar aqueles que pretendiam impor um regime de estado popular a qualquer custo, desprezando a Assembleia Constituinte e o voto.

Foi uma luta intensa com milhares de horas de sono perdidas.

Esta aventura utópica de alguns MFA’s de instaurar o poder popular num país na europa e pertencendo à Nato,  logo após o 11 de março com a derrota do Spínolismo colocando-se logo na assembleia do MFA da cassete desaparecida a sugestão de adiar as eleições para a constituinte que foi rejeitada, mas, porém, a direcção do MFA em abril apelou ao voto e branco! Lembram-se?

E a situação iria piorar gravemente;

MAIO

1º MAIO – O SG do PS é impedido de aceder á tribuna no estádio 1.º de Maio

JUNHO

18 – Comunicado do PC apela ao levantamento de barragens para impedir qualquer marcha sobre lisboa para juntarem-se à manif do PS

19 – Comício do PS na Fonte Luminosa apesar das barragens do Copcon

19 – Após o comício a minha secção da Damaia é atacada e são os Comandos que nos tiram do interior.

19 – 5.º Divisão começa a campanha ‘Força, força, companheiro Vasco’

20 – Major Rodrigues dos Santos defende no DN um projecto de Exército Popular

JULHO

19- Manifestações em Lisboa e no Porto exigindo a dissolução da Assembleia Constituinte.

22 – Costa Gomes reconhece que o povo já não está com o MFA, esquecendo-se de dizer qual MFA.

27 – Cunhal em entrevista á jornalista Orlanda Falacci declara que Portugal nunca terá uma democracia burguesa.

31 – Golpe de oficiais Otelista no Regimento de Comandos da Amadora impedido Jaime Neves e outros oficiais de entrar na unidade.

AGOSTO

1 – Na conferência do desarmamento em Helsínquia Gerard Ford e Breznev decidem o futuro de Portugal, 

4 – Plenário no Regimento de Comandos da Amadora, Otelo repõe a autoridade de Jaime Neves no comando da unidade e faz auto-crítica.

7 – É apresentado o Documento Melo Antunes, conhecido como dos NOVE.

11 – Os NOVE são suspensos do Conselho da Revolução

13 – Apresentado o Documento COPCON

18 – Discurso de Vasco Gonçalves em Almada

        São saneados 24 jornalistas do DN onde o Saramago era o director.

20 – Carta de Otelo a Vasco Gonçalves aconselhando a ‘ir descansar e meditar’.

25 – Reunião do Directório do MFA, Costa Gomes propõe que Vasco Gonçalves passe a CEMGFA e que Pinheiro de Azevedo a PM, Carlos Fabião manifesta frontal oposição a Vasco Gonçalves.

Decidida a reintegração dos NOVE no Conselho de Revolução

Reunião do Conselho da Revolução sem os novembro

No Centro de Sociologia Militar é formada a Frente Unida Popular-FUP constituída pelo PCP,FSP,MDP/CDE, LUAR, MÊS e o PRP/BR, três dias depois o PCP abandona.

27 – Seladas as instalações da 5.º Divisão pelo regimento de Comandos por ordem do Copcon , o motivo foi o da criação da FUP em instalações militares. Costa Gomes deu conhecimento prévio da acção a Ramiro Correia.

SETEMBRO

Sou ameaçado de morte na fábrica por um colega que fazia tiro no quartel de cascais

Ao lado da campainha do meu andar aparece uma cruz.

2 – Na assembleia dos delegados do exército em Tancos é rejeitada a nomeação de Vasco Gonçalves para CEMGFA.

5 – Assembleia do MFA em Tancos, decide pelo afastamento de Vasco Gonçalves, Corvacho, Pinto Soares, Ramiro Correia, Ferreira Pinto, Ferreira Macedo e Miguel Judas do Conselho da Revolução.

6 – Criação dos SUV.

8 – V Governo provisório apresenta demissão.

10 – Capitão Álvaro Fernandes entrega ao PRB/BR 10.000 metralhadoras G3.

17 – Capitão Faria Paulino em entrevista ao DN considera que Portugal, mesmo que não queira terá bordada na sua bandeira uma estrela de cinco pontas.

18 – Manifestação em Lisboa de apoio ao Poder Popular.

21 – Manifestação no Porto de cerca de 1500 soldados fardados dos SUV contra o VI Governo provisório.

21 – Bomba na messe da Marinha em Cascais onde dormia o Pinheiro de Azevedo.

22 – Manifestação dos SUV em Lisboa com o apoio da ADFA, ocupam emissores e a ponte 25 de abril, cercam a residência do PM durante seis horas obrigando à intervenção do regimento de Comandos, acabando por barricarem-se junto ao Palácio de Belém.

23 – Capitão Fernandes reivindica o desvio das armas de Beirolas e passa à clandestinidade.

25 – Otelo regressa da Suécia declara que as armas estão em boas mãos.

26 – Assalto e pilhagem à Embaixada de Espanha.

Conselho da Revolução cria o Agrupamento Militar Independente-AMI, unidade integrada pelo Regimento dos Comandos, Paraquedistas e Fuzileiros. Otelo e o Copcon não são ouvidos.

30 – Otelo declara; tenho falta de cultura política, se tivesse essa cultura que não tenho poderia ter sido um Fidel de Castro da Europa.

30 – Jornal o SECULO divulga um chamado Plano dos Coronéis.

OUTUBRO

3 – Manifestação do PS na Amadora de apoio ao Regimento de Comandos com contra-manfestação.

EM REUNIÃO SECRETA NUM PRÉDIO NA AMADORA, DIRIGIDA POR PALMA INÁCIO E MANUEL ALEGRE É ME PEDIDO PARA PASSAR À CLANDESTINIDADE A QUALQUER MOMENTO.

Conferência dos SUV em Évora

9 – Manifestação dos SUV em Coimbra

23 – PRP/BR decidem passar à clandestinidade.

Saramago declara; Vejamos, por exemplo, o nosso caso: incondicionais sustentáculos do MFA (e por vezes insultados por isso), viemos, com o tempo, a dar-nos conta de que o mesmo MFA entrara numa espécie de reprodução por cissiparidade, de tal modo que, onde antes houvera um, começámos a ver dois, três se não quatro…

NOVEMBRO

6 – Frente a frente Sores/Cunhal na RTP.

7 – Paraquedistas do AMI rebentam à bomba o emissor da Buraca da RR.

Petardo contra a sede do PS

8 – 2000 paraquedistas pedem para ficarem colocados e dependentes do Copcon.

Declarada greve da construção civil.

Otelo não volta às reuniões do Conselho da Revolução.

12 – Operários da construção civil sequestram a Assembleia Constituinte e impedem os deputados durante 36 horas de saírem, este sequestro é apoiado com o reforço de vários sindicatos na manifestação.

13 – Otelo em Beja defende a revolução proletária e o poder popular.

15 – Aventino Teixeira em entrevista ao Expresso declara que o MFA nunca existiu, no dia do golpe aparece a 5.ªdivisão e inventa o seu MFA que só chegará ao poder com o golpe de 11 de março.

18 – VI Governo entra em greve.

Encerrada a Academia Militar.

Vasco Lourenço confirma a existência de escutas telefónicas,

Os jornais o SECULO e o DN anunciam para o dia seguinte um golpe da direita.

19 – Morais e Silva determina a passagem à reserva de 1200 paraquedistas.

20 – Secretariado provisório da Cintura Industrial de Lisboa liderado por oficiais das forças armadas manifesta-se em Belém exigindo a demissão do VI Governo provisório «para nós oficiais que procuramos ser coerentes com o projecto revolucionário a única garantia de revolução socialista autêntica é a de efetivamente o poder estar nas mãos dos trabalhadores e não nas mãos de qualquer partido ou força política, Os trabalhadores só serão capazes de conquistar o poder e de o aguentarem nas mãos se estiverem armados…», entre estes oficiais estava Duran Clemente e Carlos Matos Gomes,

Vasco Lourenço é nomeado Comandante da Região Militar de Lisboa.

Copcon apoia paraquedistas de Tancos.

Cunhal regressa de Moscovo.

21 – 170 recrutas juram a bandeira no Ralis com o punho perante a presença do CEME Carlos Fabião.

23 – Sá Carneiro em Bona com Willy Brandt e Schimit.

Comício do PS de apoio em Almada a Vasco Lourenço.

Otelo critica na RTP o VI Governo, Vasco Lourenço e Jaime Neves,

24 – CAP corta as estradas em Rio Maior e as linhas férreas do Oeste e do Norte.

É efectuada uma reunião secreta em casa do Nuno Bredorode dos Santos entre Melo Antunes e Álvaro Cunhal, onde Melo Antunes apela a que os militantes comunistas não intervenham em qualquer golpe em troca garante a sua sobrevivência após a clarificação militar iminente.

25 – PCP dá orientação aos seus militantes para que NIGUÉM SAIA Á RUA!

Paraquedistas ocupam as bases aéreas de Monte Real, Ota e do Montijo.

Polícia Militar ocupa a Emissora Nacional.

EPAM ocupa a RTP.

Ás 10 HORAS a CELULA DO PC DA GRÁFICA ABANDONA AS INSTALAÇÕES E VÃO APOIAR A OCUPAÇÃO DA BASE AÉRA DE SINTRA

EU SAIO ATRÁS E VOU PARA A MINHA SECÇÃO E MOBILIZO OS MEUS CAMARADAS,

ÁS 22 HORAS COMUNICAM-ME QUE ESTEJA PREPARADO A QUALQUER HORA PARA ENTRAR NO REGIMENTO DE COMANDOS.

João Batista 

Foto de destaque: RTP

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