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O Carlos Vieira

por Joffre Justino

Morreu este meu amigo, vizinho de Luanda, amigo no liceu na natação e de umas ou outras noitadas poucas que ele apostou na natação e eu na noite. 

Treinou miúdas e miúdos nas piscinas de Luanda e encontramo-nos e perdemo-nos aqui e ali entre as vidas de uma geração que perdeu o país ( eu mais que ele) que sonhou o país e de novo o perdeu por tantas razões que não vale a pena explicá-las ao pormenor.

Sempre mais paciente que eu, o Carlos tentou reencontrar-se nesse novo país degradado por uma Independência mal conduzida mas disse-mo não se encontrou não e regressou ao que foi o centro desse teocrático império e hoje se imagina católico e europeu ( o que nunca foi nem será…) para na verdade também, como eu, não se encontrar ! 

Vivemos ele e eu no ar o que cansa demasiado, mais do que se imagina e ele esgotou-se e foi para outra dimensão!

Lá sentiremos, um dia juntos com as e os outros que sonhámos outras vidas terrenas,  os cheiros, as cores os sentimentos afro onde tanto quisemos, outra vida, outra contra o cerco totalitário, o do antes do 25 de abril e o do depois do 11 de novembro e traiçoeiramente no-la foi recusada pelos dos petróleos, dos diamantes e dos import-export, de pacotes de vinho e latas de sardinha e atum enquanto que ele quis continuar a construir fisicamente e eu espiritual e inteletualmente e claro os dois fomos vencidos!

Até lá Carlos! Encontrarás já por lá o Zeca, o Dornelas, entre outros e lá nos encontraremos eu e tu também!

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