Home Covid-19 Na Cimeira Mundial de Saúde Marta Temido defende reforma e reforço de poder da OMS

Na Cimeira Mundial de Saúde Marta Temido defende reforma e reforço de poder da OMS

por Joffre Justino
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A Organização Mundial de Saúde, OMS, deve ser alvo de uma reforma substancial que leve ao reforço do seu poder internacional na sequência da pandemia de Covid-19, defendeu a ministra da Saúde, Marta Temido.

Aliás todas as instâncias internacionais deveriam sorer uma radical reforma que passa sobretudo pela sua democratização dependente do voto Cidadão!

“A Covid-19 pôs o mundo em teste, agora é altura de avançar para uma reforma substancial da OMS e os aspetos financeiros e políticos são importantes. É tempo de a OMS ganhar mais poder e tornar-se numa organização que responda às necessidades de um mundo global, mas isso depende de todos os países”, disse a ministra Marta Temido, na participação por videoconferência na palestra “Reforçar o papel da União Europeia na saúde global”, na Cimeira Mundial de Saúde, a decorrer em Berlim.

Segundo Marta Temido, é fundamental a existência de uma “perspetiva comum” para o futuro no espaço da União Europeia (UE), relevando ainda a importância de aprender com a pandemia e que “há espaço a nível global” para que os países possam estar mais preparados para lidar com futuras crises sanitárias internacionais.

“Assim que a crise pandémica termine, a OMS não poderá sofrer uma redução na sua capacidade para agir”, notou, sublinhando: “A UE e os estados-membros podem e devem ter um papel ativo no contexto desta reforma para uma ação mais abrangente da OMS, nomeadamente em defesa da saúde como um direito humano, apoiando a solidariedade global e um modelo de governação assente no multilateralismo”.

A ministra defendeu também um papel de maior destaque da UE no setor o que foi visto como um tema da futura presidência portuguesa a partir de janeiro de 2021. 

Marta Temido reconheceu a premência de uma maior proatividade europeia e de uma “estratégia renovada de saúde global”, que reflita o peso financeiro e político comunitário e permita novas parcerias.

“As expectativas são muito altas. As mudanças no panorama da saúde mundial e no quadro geopolítico da última década requerem que a UE reexamine a sua posição e o seu papel na luta por objetivos globais de saúde. Como a OMS realçou, esses objetivos de saúde globais são cobertura de saúde universal, emergências sanitárias e maior bem-estar para todos”.

Questionada sobre os atuais maiores desafios na resposta à crise sanitária a nível europeu, Marta Temido apontou a “implementação” de políticas e a sua tradução em “soluções práticas” com real impacto na vida dos cidadãos, pois, “A grande preocupação neste momento é a implementação. Temos um consenso generalizado para avançar, por isso temos de fazê-lo agora, com a preocupação de não deixar ninguém para trás e o cuidado de ter boas soluções para impulsionar a saúde a nível mundial. Este é o foco: implementação e soluções práticas, que as pessoas sintam no seu dia-a-dia, ou corremos o risco de falhar”.

Segundo a ministra da Saúde a presidência portuguesa vai procurar uma “abordagem interestrutural com vista a maximizar ganhos de saúde”, através do esforço de adaptação dos “sistemas nacionais aos desafios relacionados com a saúde e o ambiente”, além de reconhecer a influência da saúde global na agenda para a segurança mundial. 

Por outro lado, elencou ainda várias apostas para o primeiro semestre do próximo ano, referiu assim, “Quanto à defesa da saúde e prevenção de doenças, a presidência portuguesa vai ter especial atenção ao lançamento de instrumentos destinados a promover saúde mental, literacia em saúde e estilos de vida mais saudáveis”, referiu, sem deixar de admitir que “nos próximos meses, a principal prioridade global vai continuar a ser a necessidade de responder à pandemia de Covid-19 e o esforço para tentar tê-la sob controlo”.

E de novo lá vem o sempre descrito e nunca concretizado papel que Portugal pode ter na diplomacia em torno da saúde dada a sua presença na falhada ao mesmo tempo ansiada Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP, que, deveria colocar o país “numa posição privilegiada” enquanto único estado-membro europeu na organização, conferindo-lhe “uma maior responsabilidade como parceiro de discussão”, houvesse real diplomacia democrática em Portugal.

Curiosamente esta Cimeira Mundial da Saúde, iniciada no domingo como noticiámos , existe desde 2009 e lá estão os bosses habituais a Alemanha e a França, e “uma terceira” entidade que se chama “Comissão Europeia” e com OMS que deve olhar para isto tudo com sérias duvidas sobre essa UE 

A mesma e reúne virtualmente até terça-feira centenas de políticos, académicos e representantes de organizações internacionais e empresas.

A Cimeira acontece em plena pandemia de Covid-19 que já originou mais de 1,1 milhões de mortos e quase 42,7 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP e em Portugal, já fez morrer 2.316 pessoas dos 118.686 casos de infeção confirmados, segundo a Direção-Geral da Saúde. 

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