Home Angola Baía dos Tigres hoje Ilha dos Tigres, um espanto de um local Angolano, entre tantos!

Baía dos Tigres hoje Ilha dos Tigres, um espanto de um local Angolano, entre tantos!

por Joffre Justino
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 Esta belíssima foto recorda uma pequena vila de pescadores fundada, em 1860, tentando gerar baratinho que Portugal andava falido  um aparente empreendimento modelo de colonização, para servir como polo populacional e econômico numa das zonas mais inóspitas do deserto do Namibe e assim vieram mais ou menos à força governo algarvios com grande experiência na pesca marítima para fundar o povoado de São Martinho dos Tigres, na até então Baía dos Tigres 

Esta pequena vila que nunca visitei e me foi lembrada pelo meu amigo Luis, um como eu Filho de Angola, foi habitada por eles até ao final do período colonial, em 1975 e perante o não acesso a água potável, a vila ficou ao abandono partindo os pescadores nas suas traineiras alguns até Portugal 

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Pois bem agora e muito bem Angola descobre a já não Baía dos Tigres mas a Ilha dos Tigres e Ernesto Tchihihavo é o administrador desta centenária Baía dos Tigres.

Foi nomeado há mais de 10 anos pelo Estado angolano, mas administra uma área de 100 quilómetros quadrados sem população e à qual nem o próprio consegue chegar e junto ao deserto do Namibe, no município do Tômbwa, agência Lusa encontrou o administrador comunal da Baía dos Tigres, a mais de 150 quilómetros de distância daquele que, outrora, foi um dos maiores centros de pesca em Angola.

“A Baía dos Tigres hoje é ilha. As intempéries da natureza, associadas à falta de água, fizeram com que as pessoas que lá habitavam a abandonassem”, começa por relatar Ernesto Manuel Tchihihavo. 

Com 35 quilómetros de comprimento por, no ponto máximo, 10 quilómetros de largura, foi habitada por pescadores portugueses até ao final do período colonial, em 1975, e no local ainda existem dezenas de casas desse tempo, grande parte tomada pela areia do deserto. 

Um hospital com os símbolos de Portugal ou uma escola são outros vestígios que a areia do deserto, que vai cobrindo a agora ilha, ainda não tapou por completo pois que desde a saída dos colonos portugueses, e após o rompimento do estreito canal que ligava a terra e posteriormente com a rutura da conduta de abastecimento de água potável, a pequena vila ficou votada ao abandono.

“É um dos melhores portos de Angola, a julgarmos pelo seu potencial pesqueiro, mas turístico também”, sublinha o administrador, que ainda tentou viver na Baía dos Tigres entre 2012 e 2014, com o apoio de uma empresa de pesca que regularmente lhe levava água potável e alimentos, mas “A situação tornou-se insustentável”, recorda Ernesto, sobre a sua saída definitiva daquela povoação e caíram por terra projetos centrais artesanais de dessalinização, …

De visita ao local, numa das raras viagens que ali podem ser realizadas, a Lusa encontrou uma aldeia fantasma, parada no tempo. 

Ao centro, entre o hospital, a casa do administrador e dezenas de outras residências, já de dois andares, para permitir deixar passar a areia levada pelo vento, surge uma larga rua. É artéria principal e que outrora servia igualmente como pista de aterragem para pequenas aeronaves.

Em 1973, a então povoação de São Martinho dos Tigres contava 400 casas, habitadas por 1.068 pessoas, com todas as famílias dependentes da pesca e o governo da província do Namibe chegou a iniciar, em 1999, um estudo sobre a Baía dos Tigres, com vista à sua recuperação, mas a pretensão foi travada pela falta de financiamento, “No passado contribuiu significativamente para a balança económica do país. Havia lá um grémio de pesca, quero destacar a pescaria Santos e Cabeças. Na pós-independência ficou abandonada”, desabafa o administrador e nós recordamos os milhares de milhões de dólares de meia dúzia de angolanos que rodam entre paraísos fiscais e às vezes até em Lisboa!

Em 1996 na linha do Protocolo de Lusaka, “O Executivo angolano achou por bem que havia toda a necessidade de repor a administração local do estado para protegermos os recursos marinhos biológicos”, recordando a “pesca ilegal e incontrolável” que se fez até então naquela área.

Secularmente conhecida pelos seus recursos pesqueiros, a comunidade algarvia que fundou a Baía dos Tigres instalou ali atividades de salga e seca de pescado e fábricas de farinha de peixe, num total de 14 indústrias instalações que ainda hoje são visíveis, por entre a areia, em atividades alimentados com mão de obra forçada de braços de reclusos da então cadeia de São Nicolau, no Namibe.

Ernesto Manuel Tchihihavo disse à Lusa que o turismo de aventura, associado à pesca, pode fazer regressar a vida à Baía dos Tigres pois  há condições para a fixação de uma comunidade com cerca de 750 pessoas, desde que as condições mínimas sejam garantidas: “Primeiro é preciso a construção da conduta de água potável a partir da foz do rio Cunene, que são 60 quilómetros, e a reposição do estimo, que desde 1962 se desligou da plataforma continental. E uma ponte cais, para atracar com segurança, porque por via terrestre já não é praticável”.

Mas, “É um bom lugar para viver, podemos praticar turismo de aventura e pesca, é um gigante adormecido”, conta. “Não quer dizer que a Baía dos Tigres está abandonada, está esquecida”.

Quanto ao nome, um dos eternos mistérios locais, Ernesto admite que várias versões sobre a sua origem chegaram aos dias de hoje. Diz também que “é raro encontrar o tigre no sudeste de Angola”. Outra versão fala de cães de grande porte que, há séculos, foram abandonados na baía e que se tornaram selvagens e prefere a explicação mais óbvia: “É pelo ruído do tocar do vento, as pessoas denominaram como se fosse o rugir de um tigre. Porque tigres, como tal, não existiram lá”, remata.

Mas o essencial é ver e ouvir o video clip abaixo para vermos quão belo será viver tal aventura- visitar a hoje Ilha dos Tigres! Tinhamos, temos mesmo, razões para Amar Angola! 

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