Home Activismo O Charlie Hebdo

O Charlie Hebdo

por Joffre Justino

A 7 de janeiro de 2015 dois homens armados entraram nas instalações do Charlie Hebdo onde decorria  uma entrevista coletiva e dispararam matando doze pessoas, incluindo os cartunistas Charb, Cabu, Wolinski e Tignous…. sendo os assassinados…, 

    – Charb, cujo verdadeiro nome é Stephane Charbonnier, 47 anos, artista, diretor de publicações da Charlie Hebdo

   – Cabu, cujo nome verdadeiro é Jean Cabut, 76 anos, desenhista

   – Georges Wolinski, 80 anos, artista, membro do grupo de Hara-Kiri na década de 1960

   – Tignous, cujo nome real é Bernard Verlhac, 57 anos, desenhista

   – Bernard Maris, também conhecido como “Tio Bernard”, 68 anos, economista e colunista 

   – Honoré, 73, designer de Charlie Hebdo.

   – Michel Renaud, ex-chefe de gabinete do prefeito de Clermont

   – Franck Brinsolaro, 49 anos, agente do serviço de proteção policial 

   – Merabet Ahmed, 42 anos, policial

   – Mustapha Ourrad, revisor

   – Frédéric Boisseau, agente de manutenção

   – Elsa Cayat, analista e colunista

409495.jpeg

Recordemos que a violencia contra o Charlie Hebdo era antiga e o 2 de novembro de 2011 é uma outra data importante na história do Charlie Hebdo. Nesse dia, o jornal é exibido com a manchete Charia Hebdo e afirma ter “Muhammad como editor” para comemorar a vitória do partido islâmico Ennahdha na Tunísia. 

Na véspera da publicação desta edição, na noite de 1 para 2 de novembro de 2011, um incêndio criminoso com um coquetel molotov atinge as instalações do Charlie Hebdo. O site do jornal é posteriormente hackeado. E na capa há uma foto de Meca e versos do Alcorão. Este é o primeiro ataque perpetrado contra o Charlie Hebdo.

Como se vê o Charlie Hebdo não era somente um jornal satírico pois fora desde o inicio um jornal provocador e antisistema daqueles que só as Democracias mal ou bem conseguem suportar…

Este media vem de 1960 e com  o nome Hara Kiri, sendo um periódico lançado por Georges Bernier, aliás Professor Choron, e François Cavanna. 

Estes criadores conheceram-se no jornal Zero, que procurava dar aos jovens talentos uma primeira chance e na época, Choron ( alcunha ou pseudónimo que vinha do nome da rua) era o editor-chefe e Cavanna, a editora e as sua equipa era composta por Francis Blanche, Topor, Fred, Reiser, Wolinski, Cabu e Gébé.

O Hara Kiri foi proibido de publicar variadas vezes, entre 1961 e 1966, nos anos gaulistas já na versao de direita de De Gaulle mas reaparecendo sempre. 

Entretanto em 1969, no pós maio 68 nasceu um jornal mensal intitulado Charlie nome que vinha do Charlie Brown, um dos personagens de Peanuts, um periódico de quadrinhos americanos e contemporâneos franceses e italianos e ainda em 1969, a equipe reunida em torno de Cavanna lançou um semanário chamado Hara Kiri Hebdo.

Em 1970, o general de Gaulle morre e a França num pós maio 68 vive uma forte influência sobretudo ideológica de uma extrema esquerda dividida entre maoistas trotsquistas e anarquistas ( que influenciaram os desertores e emigrantes portugueses em Paris) sendo que dez dias antes, sucede um incêndio um dancing que  originou 146 mortos e claro que o Charlie apresenta um escandalo com o seu titulo – Bal tragique à Colombey – 1 mort – que ilegalizou  o jornal por decisão do então secretário do Interior, Raymond Marcelinn que De Gaulle achava ser “o seu” Fouché… 

Mas dessa proibição o que sucedeu foi a equipe do jornal ter ignorado a mesma  limitando-se a alterar o seu título, para Charlie Hebdo.

O Charlie Hebdo parou em 1981 por falta de leitores e só em julho de 1992 nasce o novo Charlie Hebdo, com Gébé e Renaud a juntarem-se a Val e Cabu e a relançar o jornal criando uma sociedade por ações onde controlam 80% do capital social da publicação, o que os torna totalmente independentes. 

Surge então a equipa Cavanna, Delfeil de Ton, Siné, Gébé, Willem, Wolinski, e também Cabu, Charb, Luz e Tignous. 

Philippe Val dirige a redação e Gébé é o diretor artístico com uma linha política ultra radical anti-sistema, e com um humor corrosivo  e a viver entre polémicas políticas culturais religiosas. 

Esta é a historia de um semanário satírico ultra radical  com uma tiragem de algumas dezenas de milhares de exemplares e que saiu do seu leitorado e vira o centro da informação mundial e da luta pela Liberdade com o atentado terrorista de quarta-feira, 7 de janeiro, que quis “matar Charlie Hebdo” causando  a morte de doze pessoas, incluindo os cinco principais designers. 

Ne verdade desde a publicação dos cartoons  de Maomé em 2006, que este jornal era alvo de constantes ameaças e assim como era objeto de proteção policial desde o final de 2011 que como se viu funcionou bem mal… 

Note-se que “Em todas as edições do Charlie Hebdo por 22 anos, não há nenhuma onde não haja caricaturas do Papa, Jesus, padres ou rabinos, imãs e Maomé.” 

E por isso a violencia do fascista ataque e claro a resposta, “Seria surpreendente se não houvesse” desenhos de Maomé nesta edição, disse ele.

charlie-hebdo-1.jpeg

Recordamos que o advogado do Charlie, Richard Malka, lembrou na tarde desta segunda-feira que os cartoons de Maomé e outras autoridades religiosas eram comuns no jornal há anos, “Não vamos desistir de nada, caso contrário não terá feito sentido. O estado de espírito “Je suis Charlie” “também significa o” direito à blasfêmia “, advertiu Malka declarando que o Charlie Hebdo “não é um jornal violento, mas irreverente, que provoca risos” e refutou veementemente qualquer acusação de islamofobia.

Questionado sobre se o jornal é “islamofóbico”, Richard Malka respondeu que o Charlie Hebdo “atacou muito menos o Islã do que o Cristianismo” e criticou um “relativismo de má-fé indecente e obsceno” . (…)

Note-se que as manifestações monstruosas contra os ataques, e que reuniram quase quatro milhões de pessoas na França e desencadearam manifestações de apoio em todo o mundo, deixaram a equipe de Charlie sobretudo desconfortável, pois elas mostravam “… um desprezo pela história horrível, porque somos o jornal menos consensual que existe, e nos encontramos hoje com o mundo inteiro que está unido ao nosso redor! “.

Agora com impressões como nunca com 3 milhões de cópias (três vezes mais do que o anunciado), a edição de Charlie Hebdo, que saiu na quarta-feira, apresenta o Profeta Muhammad proclamando “Eu sou Charlie”.

Alvo dos islâmicos justamente por ter caricaturado Maomé com frequência, o Charlie Hebdo desenha na capa um profeta que chora e segura nas mãos um cartaz de “Eu sou Charlie”. O profeta assume assim o slogan global contra os ataques que mataram 17 pessoas, incluindo os cartunistas Cabu, Charb, Wolinski, Tignous e Honoré.

A tiragem da edição de quarta-feira foi aumentada de um para três milhões de exemplares em função da avalanche de pedidos na França e no exterior, explicou Patrick André, gerente geral do MLP (Messageries lyonnaises de presse), o distribuidor de jornais.

Para a exportação, onde o Charlie Hebdo vendia apenas 4.000 cópias, o MLP planeia enviar 300.000.

Do primeiro milhão de exemplares, todo o dinheiro arrecadado irá para o jornal, com a rede de distribuição a aceitar  trabalhar de graça. Os pontos de venda serão entregues diariamente, de 14 a 19 de janeiro inclusive, e a emissão ficará à venda por oito semanas.

27.000 pontos de venda serão atendidos

“Todos os 27.000 meios de comunicação franceses os terão, contra os 20.000 habituais. Cada um terá pelo menos dez, mas algumas centenas ”

O Charlie Hebdo retoma a série de caricaturas de Maomé do jornal dinamarquês Jyllands-Posten, que já havia gerado protestos em vários países árabes. Organizações muçulmanas francesas pediram que o número fosse banido, mas o pedido não foi atendido. 

O jornal também já havia lidado com a extrema direita católica, que perdera no julgamento. Processos judiciais e proibições ou tentativas de proibição são quase parte da vida diária de Charlie.

share_small_1.jpeg
0 comentário
0

RECOMENDAMOS

Comente

* Ao utilizar este formulário, você concorda com o armazenamento e gestão de seus dados por este site.