Home Cultura Papa Francisco diz que solidariedade é o caminho para sairmos melhores da crise… e por cá não? ( O Síndrome de Babel)

Papa Francisco diz que solidariedade é o caminho para sairmos melhores da crise… e por cá não? ( O Síndrome de Babel)

por Joffre Justino

Não sendo católico e por isso nao sendo papista  admiro a capacidade de apresentação simbólica do papa Francisco cada vez mais menos vaticanista ( sabe-se lá até quando).

A sua primeira Audiência pública desde o início da pandemia  foi prova de tal não por Francisco demonstrar  alegria pelo reencontro com os fiéis, que se aproximaram do papa   no Pátio São Dâmaso, que costuma testemunhar o juramento dos novos recrutas da Guarda Suíça e a chegada de presidentes acompanhados de suas delegações enfim um local institucional e formal de poder pondo nesse local as Pessoas simples e não as poderosas. 

Algo inédito reconheçamo-lo,  havendo um  momento tocante deste reencontro, com um sacerdote libanês que lhe apresentou uma bandeira do País dos Cedros e o papa a segurou, beijou-a, e fez uma oração pelo país abalado pela explosão no porto de Beirute e por uma grave crise político-económica de novo envolvendo uma pessoa simples e não alguém da elite libanesa católica ou não.

“Uma solidariedade guiada pela fé nos permite traduzir o amor de Deus em nossa cultura globalizada, não construindo torres ou muros que dividem e depois desabam, mas tecendo comunidades e apoiando processos de crescimento verdadeiramente humanos e sólidos … Ou seguimos em frente pelo caminho da solidariedade ou as coisas irão piorar. Quero repetir: de uma crise não se sai como antes. A pandemia é uma crise. De uma crise, sai-se melhor ou pior. Temos que escolher. E a solidariedade é precisamente o caminho para sair melhores da crise”.

Estaremos a sair melhor da crise com despedimentos para nos poupar à custa dos mais frágeis ? 

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“Depois de tantos meses retomamos nosso encontro face a face, e não ‘tela a tela’, mas face a face”, disse o Papa com alegria ao iniciar sua catequese, sendo aplaudido pelos presentes a quem dedicou a quinta catequese da série “Curar o mundo”, intitulada “A solidariedade e a virtude da fé”.

“A atual pandemia – começou dizendo Francisco  – pôs em evidência a nossa interdependência: estamos todos ligados uns aos outros, tanto no mal como no bem. Por conseguinte, para sairmos melhores desta crise, devemos fazê-lo juntos, juntos, não sozinhos porque não se consegue. Ou se faz juntos ou não se faz. Devemos fazê-lo juntos, todos nós, em solidariedade. Gostaria de sublinhar esta palavra, solidariedade”.

“Como família humana – explicou – temos uma origem comum em Deus; vivemos em uma casa comum, o planeta-jardim no qual Deus nos colocou; e temos um destino comum em Cristo. Mas quando esquecemos tudo isso – chamou a atenção – nossa interdependência torna-se a dependência de uns em relação aos outros”, aumentando a desigualdade e a marginalização; o tecido social se enfraquece e o meio ambiente se deteriora.

Neste sentido, como ensinado por São João Paulo II na Encíclica Sollicitudo rei socialiso princípio de solidariedade torna-se mais do que nunca necessário, pois mesmo vivendo numa mesma “aldeia global”, onde tudo está interligado, nem sempre transformamos em solidariedade esta interdependência.

“Há um longo caminho entre a interdependência e a solidariedade: os egoísmos – sejam individuais, nacionais e dos grupos de poder – e as rigidezes ideológicas, alimentam «estruturas de pecado»”.

A palavra “solidariedade” – sublinhou Francisco – “significa muito mais do que alguns atos esporádicos de generosidade, é muito mais, supõe a criação de uma nova mentalidade que pense em termos de comunidade, de prioridade da vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns. Isso significa solidariedade. Não é só questão de ajudar os outros, isso é muito bom fazer, mas é mais. Trata-se de justiça”. E para ser solidária, dar frutos, a interdependência “tem necessidade de fortes raízes no humano e na natureza criada por Deus, tem necessidade de respeito pelos rostos e pela terra”.

O Pontífice recorda então as advertências da Bíblia desde o início, citando para tal a Torre de Babel, narrada no Livro do Gênesis, que descreve o que acontece quando buscamos alcançar o céu – nossa meta – ignorando a ligação com o humano, com a criação e com o Criador. Isso acontece cada vez que alguém quer subir, subir, subir, sem levar em consideração os outros:

“Construímos torres e arranha-céus, mas destruímos a comunidade. Unificamos edifícios e línguas, mas mortificamos a riqueza cultural. Queremos ser senhores da Terra, mas arruinamos a biodiversidade e o equilíbrio ecológico.”

Para ilustrar esta “síndrome de Babel”, fala de um conto medieval em que, durante a construção de uma torre”, ninguém se lamentava se caía e morria um homem, mas sim se caía um tijolo, pois custava e demandava tempo e trabalho para fazê-lo:

“Um tijolo valia mais que uma vida humana. Cada um de nós pense noq eu acontece hoje. Infelizmente, algo semelhante pode acontecer também hoje. Alguma queda no mercado financeiro – vimos isso nos jornais nestes dias – é notícia em todas as agências. Milhares de pessoas caem por causa da fome, da miséria, e ninguém fala nisso.”

Neste sentido, para não repetirmos o drama da Torre de Babel, que só gerou ruptura e destruição em todos os níveis, o Senhor nos convida a criar raízes no evento de Pentecostes, que descendo do alto como vento e fogo sobre a comunidade reunida no cenáculo, “infunde sobre eles a força de Deus, os impele a sair e a anunciar a todos Jesus Senhor”:

O Espírito cria unidade na diversidade, cria harmonia. O outro não é um mero instrumento, mera “força de trabalho”, mas participa com tudo de si na construção da comunidade. São Francisco de Assis bem o sabia e animado pelo Espírito deu a todas as pessoas, ou melhor, a todas as criaturas, o nome de irmão ou irmã.

No Espírito Santo – enfatiza o Papa –  Deus se faz presente com a força do seu Espírito Santo, que inspira a fé da comunidade unida na diversidade e na solidariedade:

“Uma diversidade solidária possui os “anticorpos” para que a singularidade de cada um – que é um dom, único e irrepetível – não adoeça com o individualismo, com o egoísmo. A diversidade solidária também possui os anticorpos para curar estruturas e processos sociais que se degeneraram em sistemas de injustiça, em sistemas de opressão. Portanto, a solidariedade hoje é o caminho a percorrer em direção a um mundo pós-pandemia, para a cura de nossas doenças interpessoais e sociais. Não há outro. Ou seguimos em frente pelo caminho da solidariedade ou as coisas irão piorar. Quero repetir: de uma crise não sai como antes. A pandemia é uma crise. De uma crise, sai-se melhor ou pior. Temos que escolher. E a solidariedade é precisamente o caminho para sair melhores da crise, não com mudanças superficiais, com uma pintura por cima e tudo está bem. Não. Melhores!”

“Em meio a crises, uma solidariedade guiada pela fé nos permite traduzir o amor de Deus em nossa cultura globalizada, não construindo torres ou muros – e quantos muros estão sendo construídos hoje – que dividem, mas depois desabam, mas tecendo comunidades e apoiando processos de crescimento verdadeiramente humanos e sólidos. E para isso ajuda a solidariedade.”

“Eu faço uma pergunta: eu penso nas necessidades dos outros? Cada um responda em seu coração.”

Em meio a crises e tempestades – disse o Papa ao concluir –  o Senhor nos interpela e nos convida a despertar e ativar essa solidariedade capaz de dar solidez, sustentação e um sentido a essas horas em que tudo parece naufragar. Que a criatividade do Espírito Santo nos encoraje a gerar novas formas de familiar hospitalidade, de fecunda fraternidade e de universal solidariedade.

E deixamos a questão – esse caminho de divisão de manutenção do rico e do pobre do empregado e do desempregado do alimentado e do famélico que vimos no Santuário de Fátima e nas propostas “católicas” da ultima reunião de Concertação Social conduz ou não à Torre de Babel!

Somos dos que vemos a Biblia como um pedagógico documento elaborado para desde os tempos da profunda ignorância aos de hoje vermos os limites e as potencialidades da Humanidade não aos olhos de ha milhares de anos mas aos mais educados olhos de cada tempo 

Daí entendermos que o fanatismo nao são os óculos que devemos usar mas sim o espirito critico que o Livre Arbítrio exige para o ser em Liberdade! 

Por isso saibamos saudar todas as escadarias que nos façam evoluir em comunidade e não de forma egoísta  individualmente 

Papa na Audiência Geral com fiéis: a solidariedade é o caminho da pós-pandemia

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