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Apontamentos sobre o estado atual da globalização

por Antonio Sousa

A Rota ou Cinturão Económico da Rota da Seda e a Rota da Seda Marítima do Século 21, é uma estratégia de desenvolvimento adotada pelo governo chinês que envolve o desenvolvimento de infraestrutura e investimentos em países da Europa, Ásia e África e com esta estratégia o  líder da China, Xi Jinping, está a refazer a economia para a década de 2020, combinando controle aprimorado do Partido Comunista com crescentes mecanismos de mercado. 

Esta combinação original pode ser constatada no número de empresas que elogiam Xi nos seus relatórios anuais ainda que muitos observadores estrangeiros estejam, como em Portugal a dar pouca importância à ideia de que está em curso uma verdadeira reforma do mercado no maior país do mundo

De qualquer forna Xi supervisionou uma profissionalização parcial do sistema judicial e deu aos tribunais mais autoridade em questões não políticas e assim no ano passado, houve quase cinco vezes mais casos de propriedade intelectual do que em 2012 e os pedidos de falência aumentaram dez vezes o que releva a autonomia do mercado face ao Estado 

Na verdade  e apesar do seu sucesso, a economia da China sempre teve céticos, que esperam que o boom rapidamente se transforme  em colapso e argumentam que o boom é mais fraco do que parece, porque o crescimento se baseou em uma fórmula insustentável de dívida, subsídios, clientelismo e roubo de propriedade intelectual mas, a força da economia capitalista de estado da China de US $ 14 trilhões, sofisticada e integrada com o resto do mundo, não tende a reduzir-se 

Mas reconheçamos que os desacordos entre os EUA e a RPChina em questões que vão desde as origens de covid-19 à liberdade política em Hong Kong, sao cada vez mais e maiores com   proibições de lidar com empresas supostamente privadas vistas como devedoras do Partido Comunista, incluindo Huawei, uma gigante das telecomunicações, Bytedance, que possui TikTok, um aplicativo de compartilhamento de vídeo que Trump quer anular nos EUA, e WeChat, um super-aplicativo de mensagens e pagamentos o que limita a globalização já em travagem com o Covid-19.

Algumas ameaças americanas poderão ser mera  fanfarronice pré-eleitoral mas outras  correm o risco de causar danos duradouros às empresas chinesas e americanas, sobretudo na indústria de tecnologia e perigoso ainda será o recurso à “opção nuclear” – isolar a China do sistema global de pagamentos em dólares o que produziria uma enorme onda de choque, não apenas nas relações bilaterais, mas nos mercados financeiros globais e curiosamente aponta para uma estatização da economia americana  .

Entretanto enquanto  Trump desenvolve a sua diplomacia  através de tweets e tarifas sancionatórias o Departamento de Estado esse está em desordem e no ano passado, a China ultrapassou os Estados Unidos como o país com mais embaixadas e consulados mundo fora e se Trump procura cortar os gastos da América com diplomacia; Xi Jinping dobrou os da China entre 2011 e 2018. 

Em consequência o moral do Estado americano está em baixo e os seus diplomatas são postos em causa por outras partes da administração o que aponta para um poder de Estado comcentracionário

Entretanto este ano terrível pode, ser bom para uma redução da diferença de rendimentos entre países ricos e pobres pois se este ano, poucos mercados emergentes crescerão as economias avançadas provavelmente encolherão ainda mais rápido, e a diferença entre elas diminuirá o que é pouca consolação  para alguns países que enfrentam forte turbulência económica, como a Turquia, a meio a uma crise monetária e nos países mais pobres a pandemia está destruindo anos de progresso como no Camboja,onde a indústria do vestuário, que ajudou centenas de milhares de pessoas a escapar da pobreza, foi devastada e o Brasil que se desagrega às mãos do louco Bolsonaro

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