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O meu amigo Waldemar Bastos

por Joffre Justino

O Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2018 com o PR João Lourenço entregue ao meu amigo Waldemar Bastos nao teve percebeu-se agora o apoio do MPLA !

A enorme crença em Deus que enformava o pensamento solidário e democrático do Waldemar fez dele um Cidadão de Paz no meio de um país que viveu a guerra desde 1961 quase ininterruptamente até 2002 ( para não integrar os conflitos dos anos 20 do século XX…

E entre essas guerras conhecemo-nos e respeitamo-nos e estivemos próximos em muitas das lutas pela Democracia que foram surgindo impostas pela ganância pela corrupção e pelo totalitarismo com o estado/partido único do MPLA 

Nos últimos anos convivemos com o Waldemar e vivemos a alegria que sentiu com a homenagem que João Lourenço lhe fez ao proporcionar a Waldemar o Prémio Nacional de Cultura e Artes que ele recebeu com imensa comoção garanto-vos sentindo o mesmo como uma Reconciliação com ele e entre toda a Nação depois do desastre da guerra civil e do nao menos desastre da gestão sem guerra de José Eduardo dos Santos já sem a desculpa do dr Savimbi, umbundo demais, feio demais, para um ocidente xenófobo mesmo quando finge que não o é! 

Angolano de nascimento foi um artista sem fronteiras como era a sua crença, Waldemar Bastos era uma presença maior na música e não só africana nem só da lingua portuguesa e morreu aos 66 anos vítima de cancro

Recorda o critico de arte e jornalista Rodrigues  Vaz que o primeiro disco internacional nasceu pela mão dele com o material do Waldemar Bastos entregue no Brasil a Martinho da Vila e daí o conviver e gravar com Arto Lindsay ou Chico Buarque tendo atuado o mundo fora e miscigenado com culturas e espécies musicais bem variadas

Nascido na província de M’Banza Kongo, mas pai de enfermeiro umbundo sonhou connosco atuar em Miranda do Douro e ou Alfandega da Fé e ou Coimbra e espanto-me ainda nunca soubemos do seu estado de saúde e dos tratamentos oncológicos e eu convivi muito com ele até pelo menos Abril de 2019  

Como todos os da sua geração ali entre as influencias hippies “Ouvia música angolana, mas também Amália, Zeca Afonso, rock ou Jackson 5 … O meu universo quando começo a fazer música era esse. É uma mescla espontânea entre referências africanas e ocidentais.”, porque era assim que viviamos aqueles que em Angola anos 60/70 pensávamos o mundo como um outro mundo bem longe do cinzentismo salazarento do colonialismo herdado e a nós imposto putos que os detestavamos mas na verdade que deles filhos e familiares e amigos deles dependíamos mesmo não querendo! 

E neste plural incluo claro o Waldemar…!

Anos  1980’as por não apoiar a guerra civil anti UNITA ( não sendo da UNITA)!veio para Portugal e grava o seu segundo disco em 1989, Angola Minha Namorada, em 1995,  é lançado no mercado o disco Afropea – Telling Stories to the Sea, uma antologia onde aparecem, entre outros, Waldemar Bastos, o Bonga, a Cesária Évora e André Mingas, e dois anos depois sai  o álbum a solo de Waldemar Bastos,  Pretaluz [Blacklight], registado em Nova Iorque e produzido por Arto Lindsay e que teve excelentes críticas na imprensa internacional. 

A ideia de Reconciliação Nacional ganha com João Lourenço alguma força e o Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2018, que o Waldemar recebe, igualmente atribuído ao cantor Bonga, outro pelo menos bem critico do regime santista e apoiante de Savimbi e ou da UNITA sai bem reforçada nesta fase dando grande credibilidade ao novo Presidente João Lourenço. 

O concerto de regresso a Angola, com João Lourenço como Presidente, deu imensa Paz ao Waldemar e abriu-lhe a porta ao direito de voltar a sonhar direito que injustamente se perdeu  

E hoje leio,

“MPLA recusa homenagear Waldemar Bastos

O Grupo parlamentar do MPLA recusou, render uma ‘justa homenagem’ ao músico Waldemar Bastos, recentemente falecido por doença, em Portugal. A proposta de homenagem, que aconteceria na Assembleia Nacional, partiu do maior partido da oposição conforme descreveu o seu líder Adalberto Costa Júnior, na rede social Facebook”, diz o Club-K”

E eu a insistir – o cerco a João Lourenço não o vem de um espontaneísta Movimento de Capitães mas sim da tão caduca elite mplista quanto caduca era a elite salazar/caetanista … só que como por lá não há um movimento de capitães nem um Adolfo Suarez apoiado pela igreja o cerco tenderá a derrotar aquele que abraçou o meu amigo Waldemar Bastos – João Lourenço o PR Angolano eleito PR enquanto cabeça de lista do MPLA, partido cada vez mais a retornar ao santismo ! 

Em nome dos dólares, da corrupção, da ganância global que põe 60% dos meus conterrâneos a viver com dois US dólares dia, bem pior que no tempo colonial! 

Waldemar Bastos   Sofrimento

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