Home África Estamos com o Folha8 quanto à morte de Kundi Paihama e com o Padre Pio Wakussanga quanto ao Combate à Miséria e Fome em Angola!

Estamos com o Folha8 quanto à morte de Kundi Paihama e com o Padre Pio Wakussanga quanto ao Combate à Miséria e Fome em Angola!

por Joffre Justino

Na verdade um “cão fiel” de José Eduardo dos Santos e enquanto puro elitista ( e pouco nacionalista no que concerne à luta pela independência nacional) Kundi Paihama era conhecido pela violencia verbal e fisica que e muito bem o Folha8 recorda na hora do passamento deste corrupto fascista negro.

E por isso citaremos apontamentos verbais dos seus discursos retirados jornal angolano Folha8 

           “”Não percam tempo a escutar as mensagens de promessas de certos Políticos”, acrescentando: “Trabalhem para serem ricos”.

Esta frase fez com que todos passássemos a venerar Kundi Paihama. A tal ponto vai a nossa veneração que até advogamos a tese de que as verdades “paihamistas” deveriam, no mínimo, fazer parte das enciclopédias políticas das universidades angolanas (do MPLA) e, por que não?, de todo o mundo civilizado.

              “Durmo bem, como bem e o que restar no meu prato dou aos meus cães e não aos pobres”, afirmou há uns tempos o então ministro da Defesa do MPLA. Não, não há engano. Reflectindo a filosofia basilar do MPLA, Kundi Paihama disse exactamente isso: o que sobra não vai para os pobres, vai para os coitados dos cães.

        E por que é que não vai para os pobres?, perguntam os milhões que todos os dias passam fome. Não vai porque não há pobres em Angola. E se não há pobres, mas há cães…

           “Eu semanalmente mando um avião para as minhas fazendas buscar duas cabeças de gado; uma para mim e filhos e outra para os cães”, explicou Kundi Paihama.

         É claro que, embora reconhecendo a legitimidade que os cães de Kundi Paihama (bem como de todos os outros donos do país) têm para reivindicar uma boa alimentação, pensamos que os angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com fome, não devem transformar-se em cães só para ter um prato de comida.

           Embora tenham regressado pela mão do MPLA ao tempo do peixe podre, fuba podre, 50 angolares e porrada se refilares, devem continuar a lutar para ter direito a, pelo menos, comer como os cães de Kundi Paihama.

           Kundi Paihama merece, pois, o nosso respeito porque foi ele quem melhor explicou que não havia (nem há) fome em Angola. Disse ele que se os porcos comem farelo e não morrem, também o nosso Povo pode comer…”

Já o padre Pio Wakussanga apesar de ameaçado de morte por Kundi Paihama promete continuar a defender os angolanos vulneráveis, o que nos faz lembrar a coragem por ele demonstrada quando numa sua viagem a Portugal ter feito questão de vir mostrar o seu apoio à luta pela Democracia em Angola vindo-me visitar quando tanto as Nações Unidas, como a União Europeia, como o Estado portugues me consideravam por ser à altura dirigente da UNITA ( indigitado pelo seu Presidente Jonas Savimbi) um terrorista internacional por “atividades politicas” ( e só!) e por tal proibido de ter contas bancárias, proibido de trabalhar, proibido de ser remunerado, proibido de ser socio das organizações que fundara!

Nunca esquecerei essa visita do Padre Wakussanga à EPAR nem a sua doce simpatia e só lamento que a desilusão e o abandono que a UNITA me dedicou me tenham levado a não concretizar o reencontro em Angola… 

O Padre Wacussanga ameaçado de morte pelo sr Kundi Paihama denunciou as ameaças contra si como a ponta do iceberg da violência totalitária sobre o povo Angolano e soube reafirmar o seu envolvimento no apoio ao que viram as suas terras serem espoliadas ilegalmente  a favor de projectos agrícolas pseudo desenvolvimentistas!

É claro que nas nossas “ocidentais” ( aliás também nas “orientais”) democracias o desinteresse quanto à vivência dos Povos de Angola não está muito longe do

Ódio de Bolsonaro aos índios da Amazonia ( e não só) lamento dizê-lo por muito que tal seja tão politicamente incorreto!

Mas há continua a haver uma réstia de esperança com esta jovem geração angolana que continua a luta pela Democracia em Angola! 

Monangambé 

Naquela roça grande não tem chuva 

é o suor do meu rosto que rega as plantações:

Naquela roca grande tem café maduro 

e aquele vermelho-cereja 

são gotas do meu sangue feitas seiva.

O café vai ser torrado 

pisado, torturado, 

vai ficar negro, negro da cor do contratado.

Negro da cor do contratado!

Perguntem às aves que cantam, 

aos regatos de alegre serpentear 

e ao vento forte do sertão:

Quem se levanta cedo? Quem vai à tonga? 

Quem traz pela estrada longa 

a tipóia ou o cacho de dendém? 

Quem capina e em paga recebe desdém 

fuba podre, peixe podre, 

panos ruins, cinquenta angolares 

“porrada se refilares”?

Quem?

Quem faz o milho crescer 

e os laranjais florescer

Quem?

Quem dá dinheiro para o patrão comprar 

maquinas, carros, senhoras 

e cabeças de pretos para os motores?

Quem faz o branco prosperar, 

ter barriga grande – ter dinheiro?

Quem?

E as aves que cantam, 

os regatos de alegre serpentear 

e o vento forte do sertão 

responderão:

“Monangambééé…”

Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras 

Deixem-me beber maruvo, maruvo 

e esquecer diluído nas minhas bebedeiras

“Monangambééé…”

(Antonio Jacinto, angolano branco nasceu a 28 de setembro de 1924, em Luanda, e morreu em 23 de junho de 1991, em Lisboa. Usou também o pseudónimo de Orlando Távora, para assinar alguns contos. Fez o curso do liceu em Luanda e trabalhou como empregado de escritório. Foi fundador, com Viriato da Cruz, do muitíssimo efémero Partido Comunista Angolano (logo dissolvido no movimento nacionalista que ajudaram a formar). Esteve preso, por actividades políticas anti-coloniais, de 1962 a 1972, a maior parte do tempo no Campo de Concentração de Tarrafal, em Cabo Verde.) 

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