Home África EKUS do meu Canto “ – A Crónica de Fernando Heitor, Angola

EKUS do meu Canto “ – A Crónica de Fernando Heitor, Angola

por Fernando Heitor

O dilema da Covid. Viver ou comer . O que vem primeiro ? 

Qualquer ser humano sabe , que para viver precisa primeiro de se alimentar ( comer e beber ), antes de pretender proteger-se bem de uma doença  ou epidemia, seja ela qual for ! 

Está-se perante uma obrigação biológica que nos transcende! Vem do instinto natural da sobrevivência animal. Que ninguem do alto da sua cátedra governativa, devia insistir em querer mudar o curso da vida. 

Todos nós, seres vivos , sejamos  pessoas, micróbios, células, moléculas… temos de nos alimentar primeiro, se quizermos sobreviver . E para sobreviver com mais dignidade , durabilidade e solidez, temos de nos alimentar ainda melhor e mais frequentemente ! 

A minha especialidade acadêmica, nunca foi nem medicina , nem engenharia agrária  apenas economia e finanças, com profissionalização em Contabilidade e Auditoria financeira e de gestão, mas…Adoro a vida natural no campo ! Plantar, regar e colher ! Respirar o ar puro do meio rural e sentir a ventania que sopra sem poluição do alto das montanhas. 

E o encanto do pôr do Sol e da Lua seja ela cheia ou minguante é um espetáculo maravilhoso ! Sou filho de mãe e avós agricultores , caçadores e pescadores ! Meu Pai, foi enfermeiro ! Aprendi desde muito cedo que a melhor forma de sobreviver a uma doença, é ter um sistema imunológico forte !  

E para se conseguir isso devemos ter uma alimentação cuidada , regular e de preferência orgânica ! Comer produtos do campo e de preferência frescos ao invés de congelados. 

Aprendi isso com meus pais e avós . 

Os cientistas, ao longo do tempo nos têm dado razão, nas suas investigações. Azeite de oliva, de amendoim, dendén, frutos frescos, tubérculos ( destaque para a mandioca, batata doce, beterraba … ), feijão, o alho e a cebola, quiabo, tomate, abóbora, cenoura, ginguba e castanha de caju etc..adicionados á centenas de variedades de “ lombi” ( legumes ) e com o Rei peixe fresco,  seco ou escalado e a Rainha carne, de preferência branca… acompanhados com bebidas aromáticas riquíssimas em “ estimulantes saudáveis “ ( o vinho tinto, é o melhor de todos, mas há outros espirituosos líquidos )… constituem de facto, a base principal da nossa resistência ou melhor, da nossa imunidade contra Covid, tuberculose, HIVSida e até malária e tantas outras maleitas, com que o Diabo nos aflige, no decurso  das nossas vidas neste Planeta. 

Posto isso… permitam-me a frontalidade  da pergunta . Devemos aceitar ficar em casa, confinados durante várias semanas, sem poder sair para ir a lavra ou á quinta / fazenda, buscar alimentos para comer e para comercializar ? Devemos ficar “ Quarentenados”, á espera que a fome nos debilite o sistema imunológico, para que o Covid  faça de nós, vítimas mortais fáceis ? Há os que têm dinheiro que lhes cai na conta bancária todos os meses, sem precisar de sair de casa … mas a grande maioria da população desta Angola, não têm  este previlegio ! 

Dependem da acitividade diária no mercado informal e na agricultura e pesca ! O Governo não pode pretender enganar-nos afirmando que tem capacidade de alimentar gratuitamente toda essa gente. 

É mentira, não pode porque não tem recursos financeiros suficientes , nem pouco mais ou menos ! Qual é então a maior calamidade ? A Covid a circular na comunidade ameaçando nos infectar, cada vez mais ou  a morte lenta e dolorosa á fome e  por subnutrição, em casa com a mulher/marido e filhos ?  

Esse é o risco maior que se está a correr a curto prazo em Angola.  As estatísticas mundiais da OMS, dizem que em nenhum País há mais mortos por Covid do que recuperados deste vírus . Significa dizer que  é maior o número de infectados que recuperaram da Covid, do que os que dela morrem  ! 

Este é um facto evidente e ainda bem, pois contra factos não há argumentos !  

Muitos deles até são assintomaticos e nesta condição, não deviam carecer de muitos alarmes ! Por isso e não só, devemos exigir que o Governo repense na estratégia do Cerco ás províncias e nas limitações de circulação de pessoas e bens, pois sem produção nem distribuição e muito menos comercialização, a actividade económica morre e com ela as pessoas, pois a fome acelera também a morte por Covid. 

O nosso povo precisa de viver e não deve se deixar “ morrer à fome “, asfixiado com medidas muito além das medidas normais de prevenção, como o Governo está a insistir em fazer ! 

Se não é isso que o Executivo pretende, então por favor, não tratem os cidadãos como se fossem seres menores, considerando-os tão ignorantes ao ponto de pensarem que nem de sentido de sobrevivência eles têm ? 

Este povo provou durante décadas de guerra civil, que sabe se proteger e só precisa que os governantes, sejam dotados de maior compreensão, mais humanismo, mais pragmatismo, melhor compreensão  e controlo, para continuar a resistir melhor ao Covid, até que surjam as vacinas ! 

Que cada agente da sociedade ( Governo, empresa e familia ), saiba assumir as suas responsabilidades, sem excesso de zelo, num “ novo normal “ produtivo e compreensivo que se tem de ser implantado em  Angola, quanto antes.

É com este Eku, que me subscrevo do meu  Canto .  .

Fernando Heitor 

Huila, 23/7/20)

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