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NOVA PRECE PELA QUEDA DE BOLSONARO

por Paulo Martins

O Estrategizando publicou recentemente uma oração do antropólogo e helenista baiano Ordep Serra, em forma de cordel, intitulada PRECE MISERICORDIOSA PARA REZAR NA QUARENTENA, que teve grande repercussão nas redes sociais no Brasil.

A poeta carioca Aurea Domenech, por exemplo, parece que ficou tão sensibilizada com os versos de Ordep, que resolveu ampliar sua prece, estendendo-a a outras divindades da constelação mitológica popular brasileira, fortalecendo, assim, o seu poder divinatório na consecução dos objetivos propostos.

Aurea Domenech é membro titular do PEN CLUBE DO BRASIL, filiado ao PEN CLUBE internacional de Londres. É poeta consagrada, com várias obras publicadas, e incursiona também pelas artes plásticas. Sua prece se distingue da de Ordep por dois aspectos importantes: o primeiro é que, enquanto Ordep se exprime em redondilha menor, ela deriva para a redondilha maior; o segundo é que, enquanto aquele concentra seu apelo nos santos masculinos, lembrando apenas de Santa Bárbara, Aurea prefere evocar unicamente as Santas, particularmente aquelas mais caras aos baianos, como Santa Dulce dos Pobres, recentemente canonizada. E assim “la nave va”, atravessando procelas. Suportará Bolsonaro o poder dessas rezas?

O que se espera é que, se o Brasil rezar em uníssono estas preces populares, de norte a sul e de leste a oeste, dia após dia, não há força que detenha o seu poder. Vamos declamar a oração de Aurea Domenech?

ORAÇÃO POR BOLSONARO PARA AS SANTAS TODAS DA LEGENDA ÁUREA

Peço a Santa Terezinha

Que veja essa dor que é minha.

Livrai-me do mal profundo,

Que é o mal de todo mundo:

Mal do rico e do carente,

O mal que é esse presidente.

E rogo a Santa Luzia

Que afaste essa pandemia,

Que o meu olho proteja

E não deixe que ele veja

O Bolsonaro reinando

E o Brasil desmoronando…

E à Santa Dulce querida,

Que cure essa nossa ferida.

Santa Dulce que é dos pobres

Passe esse cara nos cobres,

Sem garantia ou desvelo.

Seja isso só pesadelo.

À Santa Rita de Cássia

Suplico que a essa audácia

Dê um fim sagrado e nobre,

Pois tanta vergonha nos cobre

Nos jornais do mundo inteiro…

Anda pasmo o jornaleiro.

À Madre Tereza eu rogo

E interceda ao arrogo

Que fazemos todas juntas;

Até o faz as defuntas…

Perfeição de Calcutá,

Me ajuda, mas é prá já.

E à Santa Teresa D`Ávila

Eu me mostro assim tão ávida

De uma urgente solução:

Em prece e jogada ao chão:

Acabe logo o tormento

Que o leve um forte vento.

Madre Paulina guerreira,

Amanhã é segunda-feira,

Começa tudo de novo

E o tal de frigir o ovo

Nunca parece surgir

Que o faça submergir…

Santa Joana D`Arc,

Faz urgente o desembarque

Leva logo o infeliz

Que era amigo do juiz

Que agora está por um triz…

Grande mal há no país.

E a Santa Genoveva?

Será que essa o leva

Para sempre e de uma vez?

Seus filhos, todos os três

Retire-os já deste mundo,

Torne-os logo um só defunto.

Por fim, e assim reunidas

Imploramos redimidas

Às santas da tal legenda

Que não seja isso uma lenda.

Ergueremos um altar…

Pois brincadeiras à parte,

Rogamos com toda a arte:

Venham, por Deus, nos salvar.

Aurea Domenech

Rio de Janeiro, 12 de julho de 2020

Aniversário de Pablo Neruda

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