Home Opinião Haverá Maçonaria para o século XXI?

Haverá Maçonaria para o século XXI?

por Joffre Justino

Passou já a segunda década do século XXI e nascem em demasia as interrogações,  sobre um mundo que já mostrou ser cheio de surpresas e inesperadas dores, como o acidente na Central de Fukushima a 11 de março de 2011, e agora o Covid-19!

Vivemos um tempo de forte progresso científico e técnico, às vezes raiando o susto para as religiões e até a propria evolução biologica da Humanidade

No seu percurso terreno a Humanidade tem aumentado a sua ânsia de domínio sobre a matéria, graças ao um engenho crescente e a muitos demasiados até desastres. 

Por entre um mundo hostil e misterioso, e com esse espanto do surgimento da sua continuadade via a Mulher a busca do Poder gerou o dominio sobre a Mulher e sobre a mística 

O surgimento de comunidades de sábios no antigo Egipto e na Mesopotâmia permitiu uma concentração do Saber pois o conhecimento das leis e fenómenos naturais conferia um poder aos seus possuidores para além do poder da violencia.

Concentrando e gerindo o controlo do Saber os antigos sábios entenderam que esse poder devia ser exercido apenas por quem estivesse em condições de compreender as consequências do seu uso, apenas por quem tivesse sido cuidadosamente educado quanto aos limites e responsabilidade associados ao poder saber.

Assim, até sensivelmente aos séculos CV /  XVIII, o Saber manteve-se reservado a iniciados, pertencentes a instituições que o transmitiam apenas no seu seio  e a quem possuísse as qualidades para o exercer sabendo-se que assim se vivia um conhecimento esotérico que significa como compreendido por poucas pessoas, hermético, que é ensinado a um grupo restrito e fechado de pessoas ou que é uma doutrina ou prática que se fundamenta em saberes sobrenaturais.

O iniciado assim aprendia ao ritmo da evolução da sua maturidade espiritual, garantindo a correspondência entre saber-poder e saber-responsabilidade.

Desde as escolas filosóficas da antiguidade, às corporações medievais, aos druidas celtas, às ordens dentro das igrejas, aos alquimistas, feiticeiros e bruxas e ainda nas primeiras academias científicas ou no controlo fo Saber pelos Estados.

Temia-se tambem o abuso, por ignorantes maravilhados com o que poderiam fazer mas desconhecendo o que não deveriam fazer.

Na realidade, as instituições em causa não poucas vezes foram dominadas por conservadores, mais interessados em manter o conhecimento intacto que em o desenvolver limitando-se a repetir formulas e até a macaquear gestos já sem significado, e tratados como tal, bloqueando  o pensamento livre em nome da ortodoxia do saber antigo.

Para manter esse controlo, o conhecimento exterior foi condenado e perseguido, por vezes até com nobres intenções, de modo a preservar a herança dos mestres do passado.

Reforçada a influência pelos seculos VIII / IX, no século XVI a Renascença faz nascer no homem europeu a curiosidade, o desejo da descoberta, a coragem de desafiar os limites, as ideias feitas, os preceitos antigos havendo claro quem pagasse com a vida essa ousadia mas gerando forte dinamica primeiro no Saber, mas depois nos campos políticos, sociais e económicos!

Os poderosos instituídos, retrógrados, procuraram retardar esse renascimento do homem de ideias livres e pensamento autónomo, mas o movimento era demasiado poderoso e generalizado para ser reprimível e nas artes, nas ciências, na religião, na política e no mar, nascia o homem moderno.

As Maçonarias  e as suas equivalentes lideraram e ou participaram neste movimento, ensinando e formando homens de pensamento livre e espírito crítico, subordinados apenas a um Deus liberto de igrejas e ou seitas e à Humanidade.

Por isso na Europa e na América, os maçons estimularam o pensamento científico, a liberdade de pensamento, a liberdade de religião, a liberdade de comércio, a igualdade política, as nacionalidades,  a fraternidade e a justiça social e delas nasceram até os movimentos sindical/trabalhista

E agora uma sociedade crescentemente  aberta numa via de liberdade plena, o conhecimento, o saber científico, o ensino e o exercício da técnica libertaram-se também passando a ser não iniciáticos, a ser enfim exotéricos.

No mundo hodierno, os maçons só podem sentir larga satisfação do contributo que deram para a sua génese, mas para muitos maçons a sua missão mal começou, pelo que o futuro será gravido de desafios.

Hoje a Pessoa dispõe de um poder como nunca  sobre a vida e a morte de biliões de seres, sobre a estabilidade da vida na Terra, sobre o desenvolvimento dos animais e vegetais ou minerais sobre os seus próprios elementos genéticos, sobre a herança que restará para as gerações futuras. 

E esta Pessoa que não se pode entender um deus de outros ou de si próprio, ou possuidor do poder total, curiosamente ou vive envolvido pelo Medo da doença, da pobreza, da velhice, da obesidade, do desemprego, da impotência, do e da companheira/o, e pelo supremo medo da morte, sente o peso como nunca da ignorância 

Como vemos com o Covid-19 o nosso destino, e o de toda a Criação na Terra, continua nas mãos de poderosos irresponsáveis infantiloides. 

É pois dever dos Maçons o bater-se para que os governos e as  instituições de Saber, das organizações políticas e de forma geral das instituições ligadas ao poder, seja ocupado por homens responsáveis, de boa formação moral e social, com consciência dos deveres que têm para consigo próprios, para com a Humanidade e para com o GADU, o Grande Arquiteto do Universo.

Há pois que refletir quanto à responsabilidade que o Saber transporta mas sem fanatismo medievalescos, sobre os limites do seu exercício, sobre a Ética dos seus detentores. sobre os mecanismos de prevenção e defesa contra o abuso do Saber, e o absoluto respeito pela Liberdade e pelas liberdades. 

E sempre reflectir sobre o que é o Saber e como o usar para melhorar a vida de todos as Pessoas aumentando na Terra a Paz, a Beleza, a Alegria, a Fraternidade e a Diversidade.

Tem pois de haver Maçonarias no século XXI, mas uma Maçonaria para estes Saberes Hodiernos. 

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