Home Opinião Enquanto União Europeia ameaça o Brasil, outros países investem

Enquanto União Europeia ameaça o Brasil, outros países investem

por Silvio Reis

Em 2019, a floresta amazônica teve recorde de desmatamento e queimada. Países europeus e a União Europeia ameaçaram cancelar negócios com o Brasil se continuasse a política antiambiental do governo Bolsonaro. A devastação continua e está aumentando.

Nos dois primeiros meses deste ano, queimadas na Amazônia bateram recordes de destruição em comparação com o mesmo período, em anos anteriores. Em março e abril, o desmatamento também foi recorde, em relação a meses anteriores. Nesse ritmo, 2020 poderá superar 2019 em termos de destruição.

Novamente, a União Europeia promete cancelar investimentos no país. Além da questão ambiental, a política genocida na pandemia e constantes ataques do presidente às instituições democráticas inibem grandes empresas.  

Segundo reportagem da Reuters, investidores externos que detêm mais de US$ 5 bilhões no Brasil, querem retirar as aplicações no país. Se não tomaram este medida em um ano e meio de governo Bolsonaro, é porque há vantagens comerciais para as partes envolvidas.

É previsível que Jair Bolsonaro não vai ceder às pressões europeias. Nem a parceria comercial entre a União Europeia e o Mercosul despertou interesse, já que o preço seria mudar a política ambiental brasileira.

A revista Época informa que neste ano a saída de capital estrangeiro registrado na Bolsa de Valores já deixou um saldo negativo de R$ 76,8 bilhões. Nem assim, houve mudança na política para manter e atrair investidores.

A China não ameaça o Brasil no estilo europeu. Da floresta amazônica vem parte da soja e carne bovina que os chineses tanto compram. Além de compradores, querem ser investidores. Já declararam interesse em financiar  Ferrogrão, projeto de 932 km de ferrovia que corta a região amazônica, para  ligar o Mato Grosso ao Pará.

tcdb374 Transporte de cavaco na Ferrovia Norte Sul. Viagem de Palmas-TO a Anápolis-GO. Dezembro 2016 Foto: Tina Coêlho/Terra Imagem

Para este novo transporte de grãos, estima-se que 48 áreas verdes protegidas seriam destruídas, incluindo Unidades de conservação e terras indígenas. É uma devastação verde que a União Europeia quer evitar, mas não faltam investidores. Em vez da China, o presidente preferiu 10 bilhões de dólares da Arábia Saudita para viabilizar o Ferrogrão.

Silvio Reis, jornalista brasileiro

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