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Uma conversa com Luiz Murá.

por Editor


Por Lívia Lucas.

Barcelona – LUIZ MURÁ ENCONTRA O MUNDO

Faz mais ou menos um ano, num ensaio em minha casa, falando de estilos de música e sobre nossas definições como artistas, digo a Luiz Murá:

-“Não gosto de gente que toca “de tudo”. E ele me responde:

-“Acho que eu sou esse tipo que toca de tudo”

Na minha cara não cabia tanto constrangimento. E eu nunca imaginei que justo o Luiz, dono de uma música cheia de autenticidade coubesse no meu curto conceito “toco de tudo”.

E um ano mais tarde, vendo-o tocar em seu novo show Miramundo Encuentros, pude compreender finalmente o que ele quis me dizer naquele ensaio informal na cozinha da minha casa.

E mais… Me atrevo a definir Luiz Murá como água. Pois se adapta, adota diversas formas e estados, porém jamais deixa de ser água. Um artista multifacetado, de personalidade marcante, com a tremenda capacidade de adaptação e transformação dos elementos e informações que recebe. E quando convida um músico em seu show, faz questão de aprender o máximo sobre a música e sobre o país do artista, e depois consegue “muralizá-la”.

Foi diante dessa “muralização” musical que meu queixo caiu. Caiu e ali ficou durante muito tempo, durante toda a apresentação de Miramundo na sala Fénix, em Barcelona, onde Murá recebia a cada duas semanas um artista de um país diferente, e vestia sua música do som de seus convidados.

Antropófago por natureza, cancioneiro poliglota, ao lado do convidado da noite, o violonista e cantor turco Umut Dorudemir (também cidadão do mundo e poliglota musical),

Luiz cantou em turco, sérvio, em espanhol, em português, e inglês, além de tocar violão e bandolim, e fazê-lo soar como um instrumento árabe.

Mistura Brasil com o que quer que seja, sem perder a identidade. É versátil para compor e para tocar, e extremamente rápido para aprender idiomas e canções.

Acompanhado do violinista Italiano Agostino Aragno, do contrabaixista argentino Guillermo Mazzucca, do percussionista equatoriano Fidel Minda, das cantoras catalanas Marina Curvelo e Desirée Garcia, transformou o pequeno teatro do bairro do Raval em uma festa multicultural, sem passaportes nem fronteiras, numa deliciosa atmosfera musical, adornada por Lucas Dias (Brasil) e Igor Garik (Russia). E até o arco do violino de Agostino se descabelou, tamanha emoção e veemência do violinista apaixonado.

O encontro de Luiz Murá com Umut Dorudemir, foi um desses eventos que nos instiga a viajar mundo a fora, a mergulhar nesse mosaico de culturas fascinante, e se deixar invadir pela onda de experiências sensoriais, da música feita com paixão pelos quatro cantos do mundo. Pois o palco da Sala Fênix naquela terça-feira corriqueira nos trouxe um pedacinho de cada continente, e fez de nossas sensações uma colcha de retalhos.

Agora sim eu posso entender o que quer dizer “tocar de tudo” para Luiz Murá.

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