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Sobre as Presidenciais – opinião de Jorge Rocha

NOTA do Editor – Este texto abaixo não corresponde às teses da direção do Estrategizando mas em tempo de Debate sobre as Presidenciais merece publicação pois alarga as visões em debate ( Joffre Justino) 

Na reunião da Comissão Política Nacional do PS, Porfírio Silva deu a resposta adequada aos que teimam em defender uma candidatura, que ambiciona combater o populismo extremista da direita com outra forma de populismo, mas «à esquerda».

O que está mal na atualidade política não é a suposta importância de um Aldrabão a quem a reportagem da «Visão» desta semana apenas acrescentou mais alguns pregos para o caixão. Nem o mérito da candidata de quantos, há quatro anos, lançaram Maria de Belém para impedirem António Sampaio da Nóvoa de ser o efetivo candidato socialista, reside na capacidade de defender argumentos pertinentes com o tom de uma fluente peixeirada.

O populismo é uma doença viral da democracia. Se é péssimo à direita na agenda política – que acolhe sub-repticiamente no seu seio e consiste em garantir o enriquecimento de alguns grupos económicos a coberto da cortina de fumo xenófoba, homofóbica e antissocialista, que o ilude -, não deixa de ser perniciosa a campanha de Ana Gomes contra a corrupção e que se esgota na denúncia do negócio dos submarinos ou no seu visceral ódio a José Sócrates.

A antiga deputada europeia é tão desonesta quanto o Aldrabão, quando resume a corrupção a um grupo restrito de pessoas, quando ela tem fundamentos muito mais dignos de atenção. E de denúncia, claro. O problema não é só o de Paulo Portas ter provavelmente embolsado avultada comissão com os submarinos, mas como ele é a ponta de um icebergue merecedor de combate por corresponder a uma «cultura» de quem veio normalmente da pequena-burguesia (casos igualmente de Dias Loureiro, Miguel Relvas, Durão Barroso, Duarte Lima ou Cavaco Silva) e procuraram apossar-se do Estado como forma de ganharem influências justificativas do seu futuro enriquecimento. E todos eles terem saído impunes porque o Ministério Público e os juízes – em grande maioria provenientes da mesma origem social -, os desculpabilizarem por sentirem a seu respeito uma possível fraternidade. Com ou sem aventais à mistura.

E, pior ainda, o que o tom desabrido de Ana Gomes tem suscitado ao apontar baterias a umas quantas árvores, é escamotear o que se passa no conjunto da floresta: perante a ganância desses ambiciosos pequeno-burgueses, ávidos de rápida ascensão social, passam incólumes os interesses dos habituais donos disto tudo que, se viram cair um dos seus – mas singularmente o sistema de «Justiça» vem tardando em levá-lo a julgamento! – continuam a evadir capitais e rendimentos para paraísos fiscais e a abocanharem a maior parte dos apoios estatais destinados aos mais variados setores de atividade, porque contam para tal com sociedades de advogados especializadas em deixarem para as pequenas e médias empresas as sobras de um festim de subsídios a que chegam, invariavelmente, tarde e a más horas. Mas estas são as verdadeiras questões que o populismo de Ana Gomes nem sequer belisca. Porque os seus objetivos aproximam-na, em embuste, daquilo que o Aldrabão tão enfaticamente tem feito.

Jorge Rocha

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