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O regresso da real guerra no espaços

por Joffre Justino

Segundo a Sputnik que cita experts americanos a administração Trump tem como objetivo criar forças militares espaciais e por isso  a sua saída de acordos militares internacionais que instabilizam ambiente internacionais .

Na quinta-feira, 21, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o país estava saindo do Tratado de Céus Abertos de 1992 e com 35 adesões entre eles a Rússia. 

Mais ainda Além disso, há rumores que apontam para o interesse dos EUA indicam 

que os EUA pretendem também abandonar o tratado Novo START entre os EUA e a Rússia que vai expirar em 2021.

Na verdade Trump já declarou que o espaço é o local do futuro para ações militares ofensivas.

Karl Grossman, professor de jornalismo na Universidade Estadual de Nova York em Old Westbury e apresentador de um programa de televisão transmitido nacionalmente e focado em questões ambientais, energéticas e espaciais, e Bruce Gagnon, coordenador da Rede Global Contra Armas e Energia Nuclear no Espaço relataram à Sputnik Internacional os mais recentes desenvolvimentos.

“Trágico, absolutamente trágico”, descreveu Grossman a notícia de que os EUA poderiam abandonar o Novo START, “Estão-se a quebrar tratado após tratado, e a administração Trump está a retirar os Estados Unidos de tratados vitais, críticos e importantes que têm funcionado. É simplesmente trágico, e a grande questão é: aonde isso vai levar? Acho que a resposta é óbvia”, disse Grossman. “É uma palavra de seis letras: ‘guerra’.”

Gagnon observou que “este tratado em particular é um importante tratado de controle de armas que restringe as armas nucleares de ambos os lados”.

“É muito claro que os Estados Unidos, durante a administração Obama, o presidente [Barack] Obama apresentou um plano para gastar US$ um trilhão (R$ 5,6 trilhões) durante os próximos 20 anos em uma nova geração de armas nucleares. Portanto, os EUA não querem ser restringidos por nenhum tratado.”

O mesmo aconteceu quando os EUA se retiraram do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, ou simplesmente Tratado INF, em agosto de 2019. Poucos dias depois, testaram armas já em desenvolvimento que teriam violado as limitações do tratado em termos de alcance de mísseis terrestres.

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As ações não são defendidas só por Trump, são um esforço bipartidário, afirmou Gagnon à Sputnik, lembrando que o antecessor de Obama, George W. Bush, também se retirou do Tratado sobre Mísseis Antibalísticos (Tratado ABM) de 1972 em 2001.

“Isto tem tudo a ver com domínio. Os tratados, essencialmente, criam uma certa estabilidade entre os vários lados concorrentes, para que nenhum deles tenha uma vantagem sobre o outro”, disse.

“Mas quando se quer alcançar o domínio, tanto na Terra como no espaço, então os tratados se tornam problemáticos, e é por isso que os EUA estão se afastando de todos esses tratados: querem dominar, e estão dispostos, basicamente, a nos levar de volta à beira da Terceira Guerra Mundial, uma guerra nuclear, para obter esse domínio”, lamenta Gagnon.

Na sexta-feira passada, 15, Donald Trump disse aos líderes do Pentágono na Casa Branca: “O espaço será […] o futuro, tanto em termos de defesa como de ofensiva em tantas outras coisas.”

A declaração veio depois que a administração Trump afirmou ter criado a Força Espacial dos EUA (USSF, na sigla em inglês) como reação às supostas ações da China e da Rússia para militarizar o espaço.

“Não foi nossa escolha fazer do espaço um domínio bélico”, disse o vice-comandante da USSF, tenente-general David Thompson, no Fórum de Energia Espacial do Instituto Mitchell no início deste mês.

“Nossos adversários deixaram muito claro que pretendem limitar ou remover o nosso uso do espaço em crises e conflitos e, tal como em qualquer outro domínio, não permitiremos que isso aconteça, não podemos permitir que isso aconteça no espaço.”

Grossman observou que houve uma retórica semelhante que sustentou a Iniciativa de Defesa Estratégica (SDI, na sigla em inglês), um possível sistema de interceptação de mísseis por satélite que os EUA tentaram construir durante a década de 1980.

Em contraste, disse ele, tanto a China como a Rússia são dissuadidas de tentar militarizar o espaço, nem que seja simplesmente por causa “da grande despesa”.

Isso, disse Grossman, foi Trump “a revelar o segredo […] e a reconhecer que o que os EUA estão a fazer é ofensivo por natureza”, lembrando que Trump no passado se referiu à Força Espacial como “estar em posição de vantagem”.

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“Se juntar tudo […] os EUA estão a falar de um programa militar ofensivo e extremamente caro no espaço e deixe-me apenas acrescentar que a Rússia e a China não vão permitir tal. Eles não vão permitir que os Estados Unidos controlem o espaço de alguma forma e controlem a Terra numa ‘posição de vantagem’ no espaço”, comentou Gagnon.

“Não, eles vão enfrentar os EUA a sério, e é por isso que o futuro, particularmente com tratado de controle de armas atrás de tratado a serem quebrados pelos Estados Unidos, parece apocalíptico, mas eu acho que é real, que estamos nos dirigindo para a guerra e, em particular, para uma guerra espacial.”

“Acho que a indústria aeroespacial realmente tinha tudo isto preparado”, teoriza Gagnon. “Quando Trump chegou ao poder, eles estavam muito ansiosos para fazer isso acontecer, e na verdade eles estariam fazendo o mesmo se Hillary Clinton tivesse ganho as eleições [de 2016]. Eles estariam a caminhar na mesma direção.”

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