Home Opinião Presidenciais : uma indesculpável desculpa de Antonio Costa !

Presidenciais : uma indesculpável desculpa de Antonio Costa !

por Joffre Justino

Enquanto secretário-geral do PS Antonio Costa veio deixar  um aviso nada traz de novo e que diz que os próximos dois anos serão muito duros para o país, face a uma crise económica e social imposta pela covid-19, e com este aviso empurra o seu partido, o PS, para focar-se no essencial, isto é desligar-se das Presidenciais! 

Este conjunturalismo irá pôr na nossa opinião o PS a pagar bem caro no futuro e a Esquerda se seguir este rumo a acompanhar o PS!

Não ha política económica sem projeto de governação e governacão em todas as instancias pelo que a ideia de um PS concentrado na “crise económica e social” e não em outros temas é uma bizantinice sem jeito uma forma do PS e António Costa fugirem às eleições presidenciais de janeiro de 2021.

“Vamos ter pela frente dois anos muito duros de combate pela proteção das nossas empresas, do emprego e do rendimento dos portugueses. Vão ser dois anos muito exigentes e não há otimismo que permita pensar que vamos conseguir fazer isso em menos tempo”, afirmou o PM socialista e situa “também não há nenhuma razão para que não se tenha a confiança no país sobre a capacidade dos portugueses vencerem esta crise, assim como venceram a crise anterior”.

“A todos os que duvidam que isto não é possível, gostava de recordar aqueles que em novembro de 2015 também diziam que tudo era impossível”, referiu, numa parte da sua intervenção em que falou na ascensão do seu ministro das Finanças, Mário Centeno, à presidência do Eurogrupo – prova do “reconhecimento internacional do país”.

“Temos de voltar a fazer um esforço de recuperar o país. É nisso e só nisso que o PS tem de concentrar-se com toda a sua energia e determinação, focando-se no essencial. O que é essencial é agora relançar a economia sem deixar descontrolar a pandemia”, defendeu António Costa deixando assim o partido vazio de objtivos ficando tudo concentrado na governação e nos que a praticam

É neste contexto que se tem de ler o anti populismo do dirigente socialista Porfírio Silva que vem a terreiro 

Veio Porfirio Silva afirmar que o pior para o PS é só ter disponível na sua área um candidato “populista” e, no outro campo , existirem os “desequilíbrios de regime” se com um apoio a Marcelo Rebelo de Sousa 

E perante tal Porfírio Silva, membro do Secretariado Nacional do PS, assumiu na reunião da Comissão Política do seu partido, que concordava com o líder socialista, António Costa, que a prioridade deste partido “deve ser a recuperação económica e social do país”.

Foi no entanto forçado a assumir que são necessárias condições políticas para essa recuperação acontecer! 

E lá vem o “susto para menino ou menina,”E pior do que isso só pode ser outra coisa: Que na área do PS só esteja disponível um candidato populista, sem histórico de um programa de esquerda articulado e coerente, mas com um histórico de confundir a política com corrupção e de pintar o PS como uma associação de malfeitores que já foi liderada por um secretário-geral criminoso. É esse o discurso que podemos ter de engolir durante uma campanha eleitoral vindo do suposto candidato da área do PS”, o que é uma “visionista” antecipação aterradora – no PS portanto não há melhor que“isto” o populismo ou o vazio? 

E mais grave ainda porque pouco corajosa disse tal sem nunca referir o nome da ex-eurodeputada Ana Gomes.

Estranhamente Porfirio Silva rejeitou a interpretação de que António Costa já tenha transmitido o seu apoio à recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, e recusou a ideia ( também nossa) de que o seu partido pretenda evitar o debate interno sobre as eleições presidenciais.

“Compreendo que não há neste momento nenhuma solução evidente para o posicionamento do PS nas próximas eleições presidenciais, mas temos de pensar no próprio sistema democrático. Se o PS apoiar Marcelo [Rebelo de Sousa] nas próximas presidenciais, declaradamente ou por não se posicionar, essa situação vai introduzir novos desequilíbrios importante no nosso regime democrático”, ficando no que se chama no cimo do muro pois que saibamos mais ninguém se posicionou a oito meses das Presidenciais como candidato às mesmas.

Na perspetiva de Porfírio Silva, “se não aparecer nenhum candidato que se reivindique da área do PS, um certo número de eleitores socialistas vai votar em candidatos apoiados por outros partidos de esquerda” assustando-se com a obvia consequência da desistência às presidenciais ! 

“Esses votos não elegerão ninguém, mas criarão, se o BE e o PCP arranjarem bons candidatos, uma aproximação do nosso eleitorado a eleitorados concorrentes. Alguns gostarão disso, outros não, mas isso é o que acontecerá”, e apontou bem ao que acontecerá com este erro de casting de pelo menos Carlos César e Santos Silva.

Já se o atual chefe de Estado for o candidato “de todos os partidos que alguma vez lideraram um Governo, criando a expectativa de uma votação esmagadora”, então, neste caso, segundo Porfírio Silva, abrir-se-á “um novo espaço à direita mais à direita … Oferecemos à extrema-direita o bónus de ser a principal novidade das eleições presidenciais, oferecemos-lhe o palco da campanha. É disso que vivem os movimentos antissistema, ganharem o palco suficiente para parecerem decisivos e aglutinarem toda a espécie de ruturas fragmentárias com o que dizem ser a elite no poder”.

Esta situação, na opinião do membro da direção do PS, “não será boa para o PSD”, mas o PS não deve ficar contente com isso.

“Não devemos ficar contentes com isso, porque prejudica a capacidade do PSD para ser uma alternativa decente de Governo quando chegar a sua vez. O passismo e a amálgama de radicalismos de direita que sempre namoraram o passismo – e que anda por aí – será vingado pelo venturismo ou por algum radicalismo de direita criado nessa amálgama. Deixar [André] Ventura à solta é oferecer-lhe os deserdados do passismo para uma reconfiguração da direita com vetores radicais mais agressivos”.

Porfírio Silva admitiu depois que em nenhum cenário o deputado do Chega André Ventura ganhará as eleições presidenciais, “Mas aproveitará a oportunidade para criar um foco federador de uma direita mais radical que perturbará o espaço do PSD e poderá puxar o PSD para a direita. Já vimos noutros países o preço que tem pensar que a extrema-direita é útil para enfraquecer a direita democrática”. 

Enfim e como nada mais resta depois deste faz-de-conta a oito meses das presidenciais nada como dizer – que desastre de inútil derrota esta de toda a Esquerda que teme ter uma derrotinha eleitoral contra um programa presidencialista direitista ! 

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