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Macron em perda na Assembleia Nacional Francesa

por Joffre Justino

O partido francês A República em Marcha (LREM, na sigla em francês) o partido majoritário de Macron recusa a ideia de um cataclismo, mas a realidade pesa pois ex-partidários do presidente Emmanuel Macron lançaram nesta terça-feira, 19, um novo grupo parlamentar na Assembleia Nacional, a Câmara dos Deputados francesa denominado Ecologia, Democracia, Solidariedade, e este movimento dissidente priva o partido no governo  da maioria absoluta no parlamento a dois anos do fim do mandato de Macron.

O Ecologia, Democracia, Solidariedade apresenta-se como “independente” e é composto por 17 deputados a maioria deles  eleita pelo LREM, partido fundado por Emmanuel Macron em abril de 2016 quando ele lançou sua candidatura à presidência francesa. 

Este novo grupo conta também com o apoio de uma ex-ministra socialista da Ecologia, Delphine Batho e nos seus integrantes mais populares está o ex-candidato dissidente do LREM à prefeitura de Paris, Cédric Villani.

O partido de Macron tinha 314 membros após as eleições de 2017, mas tem perdido parlamentares, especialmente de centro esquerda, devido à corrosão da popularidade governamental dadas as polémicas reformas econômicas e sociais e a criação do novo grupo, leva a bancada do governo a passa a ter 288 deputados, um a menos que a maioria absoluta de 289.

Na prática o LREM continua a contar  com o apoio de deputados de outros partidos de centro e não terá problemas em aprovar os projetos governamentais e pode ainda recuperar rapidamente a maioria perdida com a chegada de um suplente para a vaga de um deputado que renunciou recentemente.

O Ecologia, Democracia, Solidariedade pretende contribuir para a realização de uma “forte transformação social e ecológica” sendo que os fundadores da nova bancada parlamentar afirmam que, “após a Covid-19, nada deve ser como antes”. 

O grupo será codirigido por Matthieu Orphelin, discípulo do ex-ministro da Transição Ecológica de Macron, Nicolas Hulot — que pediu demissão do governo em 2018 —, e por Paula Forteza, próxima de Villani.

O presidente da Assembleia Nacional, e um dos líderes do LREM, Richard Ferrand, ironizou essa “tribulação da vida parlamentar”. Segundo ele, “a maioria continua sendo maioria”, principalmente graças aos 46 deputados do partido centrista MoDem.

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