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Brasileiros retidos em Portugal imploram por repatriamento

por Carolina Rodrigues

Dezenas de imigrantes brasileiros que residem em Portugal lutam desde o dia 25 de abril pelo direito ao repatriamento em um dos voos fretados pelo governo brasileiro.

“A maioria dos passageiros são turistas que ficaram retidos aqui, mas há casos de pessoas que no meio deste processo (pandemia) foram perdendo completamente as condições de ficarem em Portugal, porque perderam os seus empregos e não têm condições de pagar a renda do próximo mês e que vieram entrando em contato com o consulado”, disse Izabel Cury, secretária do Consulado do Brasil em Lisboa, em entrevista ao Jornal do Brasil. 

Ainda  de acordo com a secretária, o Consulado manteve como prioridade os turistas. “A gente tem estabelecido como critério o seguinte: a prioridade, obviamente, são os turistas, porque é para isso que os voos foram contratados, mas também não temos interesse em deslocar uma aeronave com assento vazio, quando há compatriotas precisando de voltar para casa e em necessidade”, concluiu.

Assim, à mercê do pouco caso das autoridades brasileiras, os imigrantes começaram a “acampar” em frente ao aeroporto de Lisboa, em Portugal, a espera de oportunidade  para retornarem ao Brasil.  Por terem seus contratos de trabalho encerrados ou salários diminuidos por causa da pandemia do novo coronavírus, muitos brasileiros residentes em Portugal  ficaram sem condições de sobrevivência, sendo obrigados a voltar ao país de origem. 

Sem trabalho, sem dinheiro e sem casa,  avisados pelo Consulado do Brasil a respeito de voos de  repatriamento, os brasileiros fizeram da entrada do Aeroporto Internacional de Lisboa e do aeroporto Humberto Delgado moradas provisórias. Enfrentando frio, fome e perigos,  eles contaram com a ajuda da população, que doou casacos, cobertores, alimento e água. 

Segundo nota  divulgada pelas redes sociais, o Consulado do Brasil informou ter cumprido a missão que lhe foi dada: “O Consulado-Geral em Lisboa, em coordenação com a Embaixada do Brasil e com os Consulados-Gerais sediados no Porto e Faro, de fato contratou, até o momento, seis voos de repatriamento em benefício de nacionais brasileiros. Cinco desses voos já chegaram a seu destino, e um sexto será operado nos próximos dias. No total, já foram beneficiados com a medida 1.494 nacionais brasileiros, e há a perspectiva de que mais de 300 embarquem no próximo voo. Até aqui, todos os voos partiram lotados”, afirma o comunicado.

No entanto, devida a falta de organização e o descaso das autoridades brasileiras, muitos imigrantes não conseguiram embarcar e aguardam resposta sobre o voo desta sexta-feira, 22 de maio. Após o voo que ocorreu dia 30 de abril, e que a princípio seria o último voltado para o repatriamento, aqueles que não conseguiram embarcar receberam informação de que não poderiam permanecer do lado de fora do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa e,  sem o auxílio do Consulado brasileiro, recorreram à Segurança Social do governo português, que os alojou em um hostel em Lisboa. Naquele momento, o número de brasileiros à espera do repatriamento, que inicialmente somava 30 pessoas, já passava de 70. Mas, de acordo com coordenadores de grupos relacionados a este fim,  o real número de pessoas que aguardam retornar ao Brasil por não ter condições de se manter em Portugal passa dos trezentos. 

Segundo o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, o sétimo voo de repatriamento, que sai  nesta sexta-feira de Lisboa  com destino a São Paulo, levará todos os passageiros contemplados que  foram contactados pelo Consulado, bem como os nomes constantes na lista de espera, que poderão embarcar em caso de falta de comparência dos passageiros contemplados.

Em nota o Consulado-Geral informa ainda que “desencoraja as pessoas que não foram contactadas, e portanto não figuram na lista de passageiros ou na lista de espera, a deslocarem-se ao aeroporto. Quaisquer orientações em sentido contrário são contraproducentes, irresponsáveis e inefetivas, na medida em que nenhuma pessoa que não conste das listas previamente preparadas pelo Consulado será embarcada.”

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