Home Cidadania Fátima, rituais que importa manter, ou mais que isso?

Fátima, rituais que importa manter, ou mais que isso?

por Joffre Justino

Assim como o PCP e a CGTP, organizações comprovadamente capazes de organizar os seus apoiantes, impedindo que as pessoas de amontoem desastradamente gerando risco comunitário, também a maioria das igrejas são capazes de o fazer dada a disciplina ritual a que habituaram os seus membros e que orientam as suas atividades comunitárias.

É natural que, pelos momentos ritualísticos que são, as missas católicas retomem as suas funcões, agora com um distanciamento social, no caso de quatro metros quadrados, ou com a obrigatoriedade de desinfeção de mãos à entrada, os lugares marcados, as máscaras para todos e sem os cumprimentos do “gesto da paz” entre fiéis segundo as orientações da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), divulgadas esta sexta-feira, sobre as celebrações e cultos comunitários, a partir do último fim-de-semana de maio, no contexto da covid-19.

Saudavelmente e ao contrário de outros fanatismos bacocos, a igreja católica “convida todos os fiéis a fazerem por si próprios todos os possíveis para limitar esta pandemia”, e daí este conjunto de regras e recomendações para evitar contágios que referimos.

Com a cautela e a sabedoria de quem sabe ao que leva os fanatismos “à Fátima”, (usados no plano do marketing mas cada vez menos aconselhado,  está estabelecido pela CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), que “Peregrinações, procissões, festas, romarias, concentrações religiosas, acampamentos e outras atividades similares em grandes grupos, passíveis de forte propagação da epidemia, continuam suspensas até novas orientações”, num bom senso de quem sabe como um ou outro mais fanático pode gerar entre uma multidão uma enorme confusão entre milhares de crentes já de si demasiado concentrados numa espiritualidade militante….

Às pessoas doentes, a CEP pede que se abstenham de frequentar estas atividades coletivas ritualísticas e o mesmo a quem pertence a grupos de risco a quem se apela para que não vá à missa de domingo, mas a outras semanais com menor afluência.

A CEP incentiva a que as igrejas organizem grupos de acolhimento de fiéis, que garantam que entradas se fazem sem tocar em portas e maçanetas, devendo as portas estar sempre abertas na hora de entrada para a missa, e que velem pelas regras de segurança, como a higienização das mãos com desinfetantes disponibilizados no local como se deve garantir circuitos de circulação que não permitam o cruzamento de entradas e saídas.

Obrigatório será o uso de máscara que apenas a podem retirar no momento do ato ritualístico da comunhão e claro que os objetos de uso na missa devem ser desinfetados, assim como as mãos de quem os manuseia antes de serem utilizados, como por exemplo o cálice das comunhões. A limpeza deve ser feita utilizando máscaras e luvas descartáveis e os objetos devem ser secos com toalhetes de papel descartáveis.

Cautelosamente e para não ferir suscetibilidades diz a CEP que, “Para evitar que alguns fiéis sejam mandados embora ao chegar a uma igreja com a lotação já preenchida, sugerem-se, onde for viável, diligências de reserva e numeração dos lugares; pode também privilegiar-se o acesso, rotativamente, aos diferentes lugares, povoações ou arruamentos de cada comunidade cristã” e claro que, “sempre que a meteorologia o permita e haja espaços adequados” que se possa “celebrar atos de culto ao ar livre”, dando preferência aos mais velhos para os lugares sentados que existam.

As saídas da igreja devem fazer-se evitando aglomerados, garantindo espaçamentos e iniciando-se a saída pelas pessoas mais próximas das portas.

As igrejas devem ainda ser arejadas durante 30 minutos, e os objetos, portas, maçanetas, bancos e casas de banho devem ser desinfetados e estão definidas regras para celebrações e sacramentos como batismos, primeiras comunhões, matrimónios ou para cerimónias de exéquias são também definidas regras sendo que nos batismos, a água batismal não pode ser reutilizada, a unção deve ser substituída por uma oração e o batismo de mais do que uma criança em simultâneo é permitido se forem garantidas as distâncias. Apenas os pais devem ter contacto físico com as crianças.

Para os casamentos devem seguir-se as mesmas regras determinadas para as missas. Na unção de enfermos devem ser usados equipamentos de proteção pessoal, deve ser evitado qualquer contacto físico e padres mais velhos devem abster-se de prestar este sacramento.

Nas exéquias é permitida a presença dos familiares na igreja, cumprindo as regras de segurança, “Apesar de tal ser difícil nestes momentos de dor, não deixe de se recomendar a omissão de gestos de afeto que impliquem contacto pessoal e a importância de se manter a distância de segurança”, determina a CEP.

Também as Maçonarias mantêm o seu habitual e discreto silêncio, não obstante desenvolverem um vasto numero de atividades solidárias e inovações ritualísticas onde podemos relevar a ainda pequena, mas muito ativa Grande Loja Soberana de Portugal que nos deu um interessante relato que fazem, via o Seu Grão-mestre, João Pestana Dias.

No plano ritual, adaptaram o mesmo a este tempo de confinamento tendo passado a realizar as suas sessões de templo virtualmente tendo adaptado as sessões com filmagens de sessões reais para manter as perspetivas esotéricas no possível em ambiente virtual na certeza que têm que a Energia não se confina

No plano da sua relação com o Mundo Profano mantiveram as atividades que já desenvolviam com os Sem-abrigo apoiando-os com alimentos e medicamentos e num Protocolo com a Comunidade Hindu apoiam na distribuição de perto de 3 mil refeições a carenciados, como estiveram ativos no apoio à dinamização das Máscaras Solidárias e preparam agora uma iniciativa, para o interior da Grande Loja e o Mundo Profano de dinamização de atividades de Apoio Psicológico para a superação do stress gerado por esta pandemia

Com o seu Fundo Solidário estiveram muito ativos na manutenção económica de Irmãos em crise perante as limitações impostas pela pandemia como estão via redes sociais a gerar um ambiente de permuta de necessidades entre quem uma necessidade e quem pode disponibilizar uma solução para a mesma

Na realidade não é somente a fé que cresce com as crises, é também o reforço do espirito comunitário que cresce e as adaptações a uma realidade nova demonstram como os variados modelos de Crença religiosa e ou filosófica se adequam às crises

E há que o dizer cristãos e maçons, adaptam as suas vivências com base nos Rituais que os organizam com facilidade e também os comunistas com o seu enorme sentido de organização e disciplina o fazem sobretudo nos momentos difíceis numa enorme e original capacidade que leva a que as interrupções das suas celebrações comunitárias, imposta pela pandemia, se lhes custa como a nós todos a verdade é que sentem menos os impatos negativos.

Tal como as sessões on-line da Grande Loja Soberana de Portugal também as igrejas se adaptaram de missas com as fotos dos crentes nos bancos e atividades equivalentes como o transporte da imagem sagrada para os católicos, dentro de um carro ou claro a imagem, fortíssima, do Papa Francisco a dizer missa completamente só.

Fátima, que goste-se ou não, além de centro religioso, é um centro “comercial” e turístico, a viver este 13 de maio de 2020 seguindo as orientações do Santuário: uma vela à janela e oração em casa, já que está interdita a presença de peregrinos na noite que era de vigília não será certamente fácil, mas havendo quem diga que se sente melhor com esta oportunidade para uma maior introspeção, com o Santuário mais vazio, longe da confusão que estes dias representavam.

Joffre Justino

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