Home CPLP Entre o III Centenário da morte de Camões (1880), a I Republica e o Dia Internacional da Lingua Portuguesa

Entre o III Centenário da morte de Camões (1880), a I Republica e o Dia Internacional da Lingua Portuguesa

por Joffre Justino

“Na eloquencia dos factos, em as trez Revoluções de 1640, 1820 e 1910, em que Portugal reconquistou a sua autonomia e reassumiu a soberania nacional, os Lusiadas actuaram como o livro que conserva a tradição de uma raça; bem merecem o titulo de Biblia Lusitana, que synthetisa a sua potencia moral.” (id.: 742-3). Assim Camões  “teve o poder de provocar a sympathia social.” (1891: VI) já que foi nas épocas de crise, escreve Teófilo Braga, que “a sympathia social pela obra de Camões augmentou de intensidade, chegando ao ponto de identificar-se com o sentimento nacional.” (id.: 266)… “E o momento sublime e claramente comprehendido d’ essa identificação, foi a festa triumphal do terceiro Centenario de Camões.” (Teofilo Braga)

E a 10 de Junho de 1880 comemora-se com grande pompa o tricentenário da morte de Camões, uma iniciativa liderada por Teófilo Braga que teve uma Comissão executiva do centenário, eleita pelos jornalistas e organizada por Latino Coelho, era composta por nove membros, no caso , J. C. Rodrigues da CostaEduardo CoelhoSebastião de Magalhães LimaTeófilo BragaRamalho OrtigãoJaime Batalha ReisLuciano CordeiroRodrigo Afonso Pequito, quase todos eles cidadãos das esquerdas  e republicanos, com excepção de Pinheiro Chagas. 

Ainda assim um deputado do governo, Simões Dias, a pedido ds Teofilo Braga ( quase certamente um maçon a fazer um favor a outro…) apresentou ao parlamento um projecto para que o dia 10 de Junho fosse considerado Dia de Festa nacional.

Foi Ramalho Ortigão quem elaborou  o programa de um cortejo simbólico, que representava o povo e as suas sucessivas conquistas de liberdade. 

Este revolucionário Camões central nestas republicanas comemorações, desenvolvido numa mitologia romântica, e com uma carga ideológica quase libertária muito forte, contrasta com a decadência dos anos monárquicos desse dito carlos rei que fraquejou  no Ultimatum e na questão colonial 

Camões segundo Teófilo Braga, aparece portanto “symbolisando todas as aspirações da nacionalidade portugueza, as suas glorias e os seus desastres.” (1880: 16) e queda-se enquanto um  militante da causa republicana para desespero monárquico e por Camões Teófilo Braga considera o 10 de Junho de 1880 “o começo de uma era nova” da “democracia portuguesa … para Portugal inteiro é o começo de uma éra nova, o da revivescencia da nacionalidade.”

O Camões de Teófilo Braga passa a ser assim uma arma ideológica dos republicanos contra o regime entronizado Camões no Panteão dos Jerónimos por apoio popular e não das elites. 

Por isso Teofilo Braga após o 5 de Outubro de 1910 considerava as comemorações de 1880, o Tricentenário na génese da implantação da Republica e Teófilo releva Os Lusíadas como um bastião da liberdade e da soberania nacionais, desde a Restauração à Revolução liberal, e em particular com a ideia republicana: “Na eloquencia dos factos, em as trez Revoluções de 1640, 1820 e 1910, em que Portugal reconquistou a sua autonomia e reassumiu a soberania nacional, os Lusiadas actuaram como o livro que conserva a tradição de uma raça; bem merecem o titulo de Biblia Lusitana, que synthetisa a sua potencia moral.” pois foi sobretudo nas épocas de crise, diz Teófilo, que “a sympathia social pela obra de Camões augmentou de intensidade, chegando ao ponto de identificar-se com o sentimento nacional… o momento sublime e claramente comprehendido d’ essa identificação, foi a festa triumphal do terceiro Centenario de Camões.” (1914: 545).

É certamente neste contexto que se pode ver a ideia da ligação da Lingua Portuguesa a Camões no âmbito da monumental obra de Teofilo Braga “História da Literatura Portuguesa” onde desenvolveu a evolução da lusa literatura desde os alvores dos romances medievais e da produção dos trovadores galaico-portugueses ao ultrarromantismo e ao realismo da sua época. 

Apesar da morte de dois filhos estará na barricada política, estando no Diretório do Partido Republicano, onde partilhava responsabilidades com Francisco Homem Cristo onde contesta o 31 de Janeiro de 1891 e Teófilo Braga recua no seu empenhamento

Mas Teofilo Braga é um camoniano e a sua obra História de Camões mostram o como ele considera este Poeta uma Personalidade central na estruturação de uma Cultura e da Lingua Portuguesa 

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