Home Activismo Primeiro de Maio é dia de luta!

Primeiro de Maio é dia de luta!

por Carolina Rodrigues

Hoje, primeiro de maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores é comemorado em alguns países do mundo. A data surgiu em 1886, quando trabalhadores americanos fizeram uma paralização para reivindicar melhores condições de trabalho. 

Sua origem remonta à luta da classe operária pela redução da jornada de trabalho. No século XIX, início do século XX,  trabalhava-se de 12 a 16 horas por dia e sem direito a descanso remunerado, a férias, aposentadoria, seguro acidente ou seguro doença. Com o surgimento em 1864, sob a inspiração de Karl Marx,  da Associação Internacional dos Trabalhadores, a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias se tornou a principal bandeira da classe operária mundial.

Foi neste contexto que os trabalhadores norte-americanos, aprovaram, então, a realização de uma grande greve geral pela jornada de oito horas. No dia primeiro de maio de 1886 a greve iniciou-se, estendendo-se a mais de cinco mil fábricas e atingindo cerca de 240 mil trabalhadores. Em Chicago, segunda maior cidade dos EUA, a situação foi mais crítica. Com dura repressão ao movimento, o embate entre operários e a polícia levou a prisões e até morte de trabalhadores. 

Em 1891, a II Internacional Socialista, que reuniu os principais partidos socialistas e sindicatos da toda Europa, aprovou no Congresso de Bruxelas o dia 1° de Maio como Dia do Trabalhador, em memória aos mártires de Chicago e como forma de afirmação da luta de classe trabalhadoramundial. 

No Brasil, as primeiras comemorações da data, realizadas na cidade do Rio de Janeiro, a partir de 1891, por iniciativa de militantes socialistas,  mesclavam caráter festivo e de protesto e, muitas vezes, de demonstração de apoio à jovem República. Nas décadas iniciais do século XX, com o crescimento da influência anarquista no movimento operário nacional, o Primeiro de Maio passou a ser apresentado como dia de greve geral e revolucionária. 

A partir dos anos 1920,  sob orientação do Partido Comunista do Brasil (PCB) as manifestações expressavam a necessidade de demostrar a coesão e a força política do operariado e a possibilidade de ampliar alianças com lideranças de outras correntes, buscando alcançar uma política de ‘frente ampla’. Em um contexto de disputas entre lideranças operárias e o governo pela apropriação do 1º de Maio, em 1924, o governo Artur Bernardes decretou sua transformação em feriado nacional, tornando-o “Dia do Trabalho”. 

Mas, embora as manifestações operárias já viessem marcando o 1 º de Maio e o feriado tenha sido oficializado por Arthur Bernardes, foi no governo de Getúlio Vargas que a data ganhou destaque pelo seu uso político no contexto da ditadura varguista. Apesar de Getúlio ter aproveitado o feriado para anunciar medidas que beneficiavam os trabalhadores, como a criação do salário mínimo e da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), o que o levariam à popularidade entre os empregados, muitos historiadores apontam a apropriação da data por Vargas como demonstração de domínio sobre os trabalhadores e as medidas anunciadas por ele como forma de normatizar o trabalhador, agora legislado pelo Estado. 

Atualmente, no Brasil, o dia é comemorado com manifestações convocadas pelas principais centrais sindicais do país para reivindicar melhores condições de trabalho. Neste ano, no entanto, devido à pandemia do novo coronavírus e a crises política, econômica e institucional, que colocam em risco os direitos sociais e trabalhistas dos brasileiros, as atividades do Dia Internacional do Trabalhador se darão em forma de celebração e luta unificada em espaço virtual. Solidariedade, saúde, emprego e renda são as bandeiras principais deste dia, que pretende reunir em espaço virtual sindicatos, partidos políticos e personalidades políticas em defesa dos direitos dos trabalhadores e da democracia e que são contra o governo Bolsonaro. 

Conforme o jornal O Estado de S.Paulo, “neste 1° de Maio, Lula e FHC dividirão o mesmo palanque virtual, depois de 31 anos. Além deles, Ciro Gomes, Dilma, e o presidente do STF Dias Toffoli, da Câmara, Rodrigo Maia, do Senado, Alcolumbre, além dos governadores João Doria e Wilson Witzel. Será um ato em defesa da democracia, pela internet, na comemoração do Dia Internacional do Trabalhador.”

Por Carolina Rodrigues 

0 comentário
0

RECOMENDAMOS

Comente

* Ao utilizar este formulário, você concorda com o armazenamento e gestão de seus dados por este site.