Home Nacional 25 de Abril : Porque não começar por aqui? (8) – O 26 de Abril de 74

25 de Abril : Porque não começar por aqui? (8) – O 26 de Abril de 74

por Joffre Justino

Poderei, espero que não, magoar pelo menos alguns do Movimento dos Capitães / MFA e se sim peço desde já desculpa pelo facto mas há que ir mais longe neste 25 de abril… 

Nunca fui comunista pró soviético mas tive bons amigos entre eles e recordo o “Sousa” um militante comunista que em Caxias me disse algo como “na verdade somos todos primos” para lembrar que no combate antifascista estivemos democratas, ( católicos e não católicos republicanos e até monárquicos e descontentes do salazarismo) socialistas, comunistas pró soviéticos, comunistas pró maoistas, comunistas pró albaneses, comunistas trotskistas, radicais autogestionarios, e anarquistas 

Já não foi bem assim quanto ao combate anti colonial onde não poucos dos acima ou se posicionaram do lado do “para Angola e em força” ou não se opuseram à ideia o que acentuou  a fragilidade da opção do general e ministro de Salazar Botelho Moniz e do secretário de  estado Costa Gomes que defenderam em 1961 a negociação para a Independência das então colónias e que justifica a escolha de Marcelo Caetano por Spínola para o substituir

E daí os 13 anos da mais estupida  guerra colonial de sempre no luso Império terminada como foi – o Movimento dos Capitães a darem razão a Alvaro Cunhal a alguns republicanos pró golpe militar a Humberto Delgado e Henrique Galvão e a Félix Ribeiro  que na minha geração num meeting esquerdista em económicas ( o ISCEF / ISEG ) previu em 1972 o golpe militar do 25 de Abril bem ao contrário dos seguidores de Chico Martins e da CMLP/FAP como eu 

E a 26 de Abril  era por aí que andaram as minhas reflexões entre as duvidas que este golpe militar me levantavam aprendiz inteletual de Marx de Engels de Lenine de Estaline e de Mao Tse Tung ( versão ao tempo do nome do lider do PCChina), em Portugal da Revolução Popular orgão do CMLP e em Africa de lideres como Nyerere da Tanzania ou Patrice Lumumba do Congo, ou Nelson Mandela ainda que com duvidas dado o aparecimento do Pan Africanist Congress of Azania cisão do ANC ( com Mandela já preso) ou mais Samora Machel da Frelimo que Agostinho Neto apesar de ser Angolano pois Neto era um pró soviético e Machel tinha fama de maoista 

Foi na verdade o meu primeiro embate com ps erros de visão dos europeus maoistas e que me levaram a não alinhar com o CARPml  de ex CMLP FAP’s e a preferir a política leitura da lusa realidade do PCPml de Vilar na verdade tão afim das teses de Alvaro Cunhal sobre a Revolução Democrática Nacional mas numa versão mais pró chinesa que maoista 

Aliás os meus camaradas regressados do exílio vinham com este grupo politico ( na verdade tivesse sido um pouco mais inteligente e ter-me-ia juntado à OCMLP / FECml liderada pelo meu já falecido amigo Pedro Baptista…) 

Mas a 26 de abril entre as duvidas que a Junta de Salvação Nacional me levantava e minha ânsia de me juntar aos meus camaradas angolanos ficava-me na reflexão hoje bem absurda para quase todos os que se dedicam à militância política porque “desinteressante” reflexão sobre a “etapa da revolução “ em que estávamos… a cunhalista Democrática Nacional ( ou burguesa como dizia Vilar) ou a ainda Democrática Popular de Chico Martins  … ?

Que desperdício dir-me-ão os que vivem a politica do dia-a-dia … 

Mas que querem eram outros tempos onde os riscos eram outros e a política não era garantidamente uma “profissão de futuro” … pois o futuro passava mais por Caxias e Peniche que por um qualquer cargo institucional por uma ânsia de mudança social que por um status 

E daí o  lembrar-vos este Hino de Caxias que na verdade só conheci no pós 25 de abril aí pelos anos 79/80 … 

E deixo-vos o que “roubei” na net esse dia que não vivi por ter sido libertado a 15 de março de 1974 no ultimo processo que “ terminou” no tribunal plenário fascista o do CRML ! 

Vejam então, e oiçam o Hino de Caxias, 

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Esta música, cuja letra e música é da autoria colectiva dos presos políticos em Caxias é um dos hinos da Resistência ao fascismo, aqui cantada numa Festa Comício do PCP em 1977“.

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Há um erro na informação que dá sobre o Hino de Caxias. De facto, este hino não tem autoria colectiva, como refere, o seu autor (letra e música) é Vasco Costa Marques.

  • Cumprimentos
  • JG
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  • António Vilarigues 20.10.2008


    Caro JG,
  • Obrigado pela sua informação que, pessoalmente, desconhecia.
  • Falando com camaradas ainda vivos parece que ambos temos razão. Vasco Costa Marques compôs efectivamente a música e a letra do« Hino de Caxias». 
  • Mas a letra foi elaborada a partir de ideias dadas por camaradas seus de cela: Carlos Aboim Inglês, Carlos Costa, Aurélio Santos, Humberto Lopes, Rolando Verdial (que posteriormente traiu e se passou para a PIDE), etc.
  • vmla 19.03.2010


    viva quem não esquece, viva quem aprende, já agora obrigado a todos por estes momentos de liberdade 
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