Home Cérebro e mente O Sucesso Depende Mais da Prática do que do Talento

O Sucesso Depende Mais da Prática do que do Talento

por Daúto Faquirá

“Enquanto houver pessoas no mundo haverá talento. Mas se isso bastasse, toda a gente atingiria o seu potencial. O que falta são coisas que as pessoas precisam além do talento.”

John Maxwel.

Que têm em comum os nomes de Bethoveen, Mozart, Simone Biles, Ronaldo Messi, Picasso, Michael Jackson, Anna Pavlova, Tiger Woods, ou Michael Jordan?

Todos eles, são nomes associados à genialidade nas suas áreas de intervenção, vultos maiores das artes e do desporto, que marcam gerações de forma indelével e deixam uma marca que se perpetua no tempo. Mas o sucesso destes génios é fruto de um talento precocemente detetado que definiu o seu trajeto, ou algo mais contribuiu, para os imortalizar enquanto figuras maiores nas suas áreas de intervenção?

O talento natural é no entanto sobrevalorizado e as aptidões inatas são bem menos importante do que costumamos imaginar. Tornar-se um Tiger Woods ou um Mozart, depende menos de uma genética favorável ao golfe e à música do que da dedicação intensa nessas tarefas.

“Deus dá-nos o talento, e o trabalho transforma o talento em genialidade“ disse uma vez a bailarina russa Anna Matveyevna Pavlova. De talento e carisma excecionais, Anna fascinou o mundo da dança no fim do século XIX e na primeira metade do século XX. Seu extraordinário talento e suas interpretações extremamente pessoais deram um novo sentido ao ballet clássico.

O Talento que todos estes nomes possuíam à nascença, e os diferenciava dos demais, teve naturalmente influência no processo de expressão das suas capacidades extraordinárias, mas apenas isso não cria um gênio. O esforço e treino constante, a autocrítica severa, exerceram seguramente um papel fundamental no desenvolvimento destes grandes gênios, e foi o que os catapultou para uma dimensão de quase Deuses e os leva a serem venerados e a servir de exemplo ao  longo de gerações..

Se olharmos para a história de Wolfgang Amadeus Mozart, o compositor que  tocava e compunha de modo divino, constatamos algo que nem todo o mundo sabe; o facto dele ter começado a estudar música aos três anos com o seu pai, Leopold, que era professor e compositor, apesar de não ser muito famoso. Aos quatro anos ele começou a aprender a tocar o clavicórdio, um instrumento musical de teclado, predecessor do piano. O pai de Mozart, Leopold, agradecia aos céus por ter tido um filho tão criativo, dizendo que ele era um “milagre que Deus fez nascer”. Apesar de ter um talento inato, ele não chegou ao estrelato por uma dádiva celestial, e sim com altas doses de trabalho e estudo. Todos estes génios trabalharam duro no seu ofício, apesar do talento cedo descoberto. 

E Simone Biles? Um portento físico e uma ginasta única, mas nenhuma vantagem inata teria definido Biles se não fosse a sua determinação, a sua vontade de auto-superação constante. Simone, com apenas 6 anos, mostrou espontaneamente alguns movimentos e os instrutores ficaram tão impressionados com a menina que “ela voltou para a casa com um bilhete para os pais que dizia: Vocês já pensaram em colocar a vossa filha na aula de ginástica?”

Dois anos depois, foi descoberta por Aimee Borman, sua técnica até hoje. “Um dia ela decidiu que seria uma grande ginasta e desde então fez tudo para atingir esse objetivo”, disse Borman à revista Time.

Na sua adolescência, não houve atividades extracurriculares ou festa de finalistas. Em 2012, Simone decidiu que em vez de fazer o ensino médio tradicional estudaria em casa, o que permitiu que aumentasse a carga de treinos de 20 para 32 horas semanais! Um ano depois, ganhou o seu primeiro título individual geral no mundial!

“Eu errei mais de 9.000 arremessos na minha carreira. Perdi quase 300 jogos. Em 26 oportunidades, confiaram em mim para fazer o arremesso da vitória e eu errei. Eu falhei muitas e muitas vezes na minha vida. E é por isso que tenho sucesso.”  Disse Michael Jordan, o maior jogador de Basquetebol de todos os tempos.

O mesmo princípio se aplica a Cristiano Ronaldo. Talento, muito talento talhado com enorme dose de esforço. Um superatleta, fisicamente perfeito, doido por treinar, com todos os fundamentos de um craque: velocidade, drible, cabeceio, chute com ambas as pernas. Com o esforço, ele foi capaz de levar seu talento a serviço máximo da performance. Por isso, estende seu auge profissional para além dos seus 34 anos. 

E que dizer de Pablo Picasso? A figura central de toda a arte do século XX”, o grande mestre. Sua capacidade de investigação unida à sua profunda admiração pelo passado fazem-no único na pintura. Seu desenvolvimento, como o de qualquer artista, é diferente da ideia romantizada que muita gente propaga, passa por anos de dedicação, estudo e prática da sua arte.

Uma das frases famosas de Pablo Picasso é a seguinte: “ A inspiração existe, mas precisa de te encontrar trabalhando.” Para Picasso existia uma epifania, uma revelação que dá origem à criatividade. Mas a única forma por meio da qual essa força imaginativa emerge é através do trabalho árduo e constante. 

Resumindo: O talento não basta para se chegar ao sucesso, mas é por onde começa. O talento é a semente da capacidade.

Como percebemos pelos exemplos acima apresentados, todos nascem com talentos e habilidades especiais, mas nem todos conseguem desenvolvê-los em sua plenitude. Assim, não é raro encontrar pessoas talentosíssimas que não conseguem alcançar voos maiores e jamais conquistam o reconhecimento de que seriam merecedoras. 

Se o talento expressa o que há de melhor em cada um de nós, ao  exercitá-lo precisamos antes conhecer muito bem o que somos e como somos. Era isso o que os filósofos gregos queriam dizer quando conclamavam seus pares ao exercício do autoconhecimento (“conhece-te a ti mesmo”).

Nasce-se predisposto para fazer determinadas tarefas, mas não se chega ao alto nível se não existir um ambiente repleto de situações-problemas a serem ultrapassados com um longo período de prática.

Então por que é que a maioria das pessoas passa a maior parte do seu tempo tendo como foco fortalecer os seus pontos fracos? 

Estudos revelam que as pessoas podem aumentar somente em dois pontos, numa escala de 1 a 10, as suas capacidades numa área. Por exemplo, se o seu talento natural numa área for nota 4, com muito trabalho você poderá atingir uma nota 6. Por outras palavras, pode deixar de ficar um pouco abaixo da média e chegar a ficar um pouco acima da média. Mas digamos que encontra uma área em que a sua nota é 7; tem, então, o potencial para atingir uma nota 9, se essa for a sua melhor área de pontos fortes e se a trabalhar, nessa área será certamente fora do comum! Isso ajuda-o a passar de 1 em 10.000 para 1 em 100.000 em termos de talento!!! 

A vida é uma questão de escolhas, e as escolhas que fazemos são aquilo que nos define. O que fará pela sua carreira? Com quem casará? Onde morará? Até onde irá nos seus estudos? O que fará com o dia de hoje? Mas uma das escolhas mais importantes que fará é em quem se vai tornar!

Assim, as escolhas importantes que se fazem – com exceção do talento que já se tem – irão distingui-lo dos outros que têm somente talento”.

A vida não é simplesmente uma questão de conseguir jogar uma boa carta, como num jogo. Aquilo com que começa não depende de si. O talento é algo inato. A vida é jogar a carta que você manejou bem. Isso é determinado pelas suas escolhas. Ou seja, e em forma de resumo, podemos dizer que a soma do Talento com as escolhas acertadas que se fazem no decurso da vida (com alguma fortuna à mistura), constroem uma pessoa com talento extra!

As pessoas com talento extra são as que maximizam o seu talento, alcançam o seu potencial e cumprem o seu destino. Encontre o seu sonho e trabalhe muito!.

Foto de destaque: Simon Harriyott on Visual hunt / CC BY

Daúto Faquirá (Treinador)

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