Home Opinião Os trabalhos infindáveis (inúteis…?) de Centeno…

Os trabalhos infindáveis (inúteis…?) de Centeno…

por Joffre Justino

Mário Centeno teimando em ser o presidente de uma instituição fantasma o Eurogrupo, veio avisar  que os ministros das Finanças europeus têm de chegar hoje a um entendimento sobre uma resposta económica conjunta à crise provocada pela pandemia covid-19, e que esteja à altura das expectativas dos cidadãos.

“A confiança dos nossos cidadãos depende de nós. Temos de chegar a um acordo”, escreveu no Twitter  hoje a meio da tarde na sua conta oficial desta rede social.

Na mensagem, o presidente do inventado Eurogrupo e ministro das Finanças português dá conta de “contactos intensos” com os seus homólogos antes de a reunião do Eurogrupo, iniciada na terça-feira, ser hoje retomada, o que já não acontecerá à hora prevista enfim neste sistemático incumprimento vindo apostamos da incompetência holandesa que apresenta já 2396 mortos Covid-19! 

Aliás, às 15h de hoje sexta 09.04, a Alemanha tem 2349, a Suécia 793 a Austria 293  e a Finlândia 42 e ao que parecem continuam a apostar na morte dos seus e dos outros…

Entretanto o seu porta-voz anunciou que a reunião deverá, por causa destes infindáveis contatos, ter início às 18:00 de Bruxelas (17:00 de Lisboa), começando pois com uma hora de  atraso.

Sendo decisiva os responsáveis políticos garantam que já falta pouco mas Centeno já disse esperar um acordo sobre um pacote financeiro de emergência de grande envergadura, que ascenderá a 500 mil milhões de euros, bem como um “compromisso claro” relativamente a um plano de recuperação (posterior) de grande envergadura, o chamado novo ‘Plano Marshall’ para a Europa e até agora nada!

Sobre a mesa estará um pacote financeiro de emergência com três vertentes, ou “redes de segurança”, para proteger os trabalhadores, as empresas e os próprios Estados, havendo quem diga que os dois primeiros elementos já estão basicamente ‘fechados’.

Para os trabalhadores, os ministros darão ou não o seu aval à proposta apresentada em 02 de abril passado pela Comissão Europeia de um instrumento temporário, o ‘SURE’, que consistirá em empréstimos concedidos em condições favoráveis pela UE aos Estados-membros, até um total de 100 mil milhões de euros, com o objetivo de ajudar os Estados a salvaguardar postos de trabalho através de esquemas de desemprego temporário.

Para isso, Bruxelas conta com um total de 25 mil milhões de euros em garantias voluntárias dos Estados-membros através do orçamento comunitário como forma de alavancar este fundo (o correspondente a 25% do teto máximo para empréstimos).

Quanto às empresas, a solução deverá passar pelo envolvimento do Banco Europeu de Investimento (BEI), via um fundo de garantia pan-europeu dotado de 25 mil milhões de euros, que permitiria mobilizar até 200 mil milhões de euros suplementares para as empresas em dificuldades, sobretudo Pequenas e Médias Empresas (PME).

A questão mais complexa,  é a dos apoios aos Estados, que países como Itália, Espanha e Portugal gostariam que assumissem a forma de mutualização de dívida, ou seja, a emissão de obrigações europeias, os chamados ‘coronabonds’ ou ‘eurobonds’, que continua a merecer forte oposição de Alemanha e Holanda, sobretudo.

O Eurogrupo tem por isso privilegiado como solução a abertura de linhas de crédito pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), o fundo de resgate permanente da zona euro, até 240 mil milhões de euros, mas um acordo final tem-se revelado difícil de encontrar sobretudo em torno das modalidades desses empréstimos e, sobretudo, as condicionalidades adjacentes.

A Holanda é o país que mais tem dificultado um compromisso, pois não só rejeita liminarmente a emissão conjunta de dívida como também quer impor diversas condicionalidades no acesso à linha de crédito do MEE, aceitando apenas um acesso incondicional para despesas diretamente relacionadas com cuidados de saúde.

Para restantes despesas, Haia reclama algo semelhante a «memorandos de entendimento» para a concessão do crédito, noção de que os países do sul da Europa nem querem ouvir falar, tal a conotação com os ‘resgates’ supervisionados pela ‘troika’ na anterior crise financeira.

Enfim ponham um fim ao tal Eurogrupo antes que ele acabe com a UE, ou então acabem com ela e regressem à CEE e sem moeda única, pois estes trabalhos de Centeno não são os “impossíveis” 12 de Hércules … são bem piores !

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