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Vale lembrar quem merece ser Lembrado ! José Gomes Ferreira

por Joffre Justino

Há desafios que surgem e merecem ser aproveitados e da amiga Bertilia recebi este video abaixo sobre José Gomes Ferreira, poeta e militante das Esquerdas, no caso do PCP. 

Nascido no Porto a 9 de Junho de 1900 vem com o seu pai Alexandre Branco Ferreira e ele homem de ascendência muito humilde mas cheio de curiosidade intelectual e iniciativa, transforma-se num empresário bem sucedido, mas também num ativista político do partido Democrata Republicano, por quem foi vereador à CML e deputado  e entre a sua visão de Responsabilidade Social dos as suas propriedades para a construção da Casa de Repouso dos Inválidos do Comércio

José Gomes Ferreira estudou nos liceus Camões e Gil Vicente, com Leonardo Coimbra teve o primeiro contacto com a poesia 

Colaborou  em publicações como a  PresençaSeara NovaDescobrimentoImagemSr. DoutorGazeta Musical e de Todas as Artes e Ilustração entre 1926 e 1975 e para sobreviver traduziu filmes sob o pseudónimo de Gomes, Álvaro.

Inicia-se na poesia com o poema “Viver sempre também cansa” em 1931, publicado na revista Presença

Viver sempre também cansa!

“Viver sempre também cansa!
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde…
Mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida…
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
“Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela.”
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo…

Militante democrata e antifascista é claro ativo no MUD Movimento de Unidade Democrática e está presente  com outros poetas neo-realistas num álbum de canções revolucionárias compostas por Fernando Lopes Graça, com a sua canção “Não fiques para trás, ó companheiro”, 

JORNADA

(José Gomes Ferreira)

Solo

Não fiques para trás, ó companheiro,

é de aço esta fúria que nos leva.

P’ra não te perderes no nevoeiro,

segue os nossos corações na treva.

Coro

Vozes ao alto!

Vozes ao alto!

Unidos como os dedos da mão

havemos de chegar ao fim da estrada,

ao sol desta canção.

Solo

Aqueles que se percam no caminho,

que importa! chegarão no nosso brado

Porque nenhum de nós anda sozinho,

e até mortos vão ao nosso lado.

Coro

Vozes ao alto!

Vozes ao alto! 

Foi Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Escritores em 1978 e foi candidato em 1979, da APU (Aliança Povo Unido), por Lisboa, nas eleições legislativas intercalares desse ano e filiou-se finalmente no PCP Partido Comunista Português em Fevereiro do ano seguinte.

Em 1983 foi submetido a uma delicada intervenção cirúrgica e morreu em Lisboa, a 8 de Fevereiro de 1985, vítima de uma doença prolongada.

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