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Esse vírus revoluciona muita coisa

por Paloma Pinheiro

Há tragédia, há sofrimentos, há mortes, há preocupação. Mas um dos elementos transformadores deste momento se baseia na experiência da quarentena.


O sistema educativo vem evoluindo de algumas gerações a esta parte, talvez não tanto quanto deveria. O ensino tradicional, incabível nos dias atuais, cada vez mais cede espaço a metodologias mais orgânicas de educação. E quando digo orgânicas, não me refiro a que as escolas tenham hortas e ensinem a plantar. Isso também. Me refiro a buscar uma perspectiva mais integrada do ser.

A partir dessa perspectiva, o aprendizado é inevitável. Essa vertente de ensino humanizado abarca desde o início da vida, gestação, parto, puerpério e infância, tendendo a acompanhar todos os processos de desenvolvimento de uma pessoa.

Mas uma vertente que nada contra uma corrente conservadora, continua sendo insuficiente. E aqui está a colaboração deste caos que estamos vivendo para a possibilidade de uma verdadeira revolução na educação.

Essa historinha de qualidade de tempo com os filhos é uma balela capitalista para negar a importância da quantidade de tempo, que essa máquina monstra insiste em roubar. A qualidade de tempo é importante, óbvio, mas ela não basta. Não basta porque sem tempo nas relações é impossível aprofundar. E agora, finalmente, as famílias estão tendo tempo junto. Pais e mães estão tendo tempo com seus filhos. E isso é, de fato, revolucionário.

Tenho acompanhado a preocupação de algumas famílias com a situação escolar dos filhos após esse período de quarentena. Eu entendo essa preocupação. Mas acredito que essas crianças terão algo muito mais valioso, que marcará suas vidas muito mais do que as fórmulas matemáticas que poderiam estar decorando. Isso está nos ensinando a estar com eles, a criar com eles, a ser com eles. É cansativo, é estressante, e faz parte perder a paciência, pois as facetas humanas continuarão nos acompanhando. Sentimos falta de tempo livre, sentimos falta de privacidade, sentimos que não damos conta de tudo, porque a expectativa é sempre maior que o viável.

Apenas precisamos lembrar de vê-los em sua totalidade e potencialidade. Desse modo o aprendizado flui de maneira muito mais natural. A infância é criativa, e se nos aproximarmos, nos manteremos criativos. Só assim poderemos atravessar esse momento de uma maneira mais leve e proveitosa.

No vídeo a seguir reuni algumas ideias de atividades e momentos que poderiam ser compartilhados com as crianças em confinamento. Algumas delas, talvez todas, podem servir como gancho pra ensinar de maneira descontraída certos conhecimentos que são transmitidos na escola, permeados pelo maior aprendizado do momento: a conexão e o amor.

Paloma Pinheiro

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